
Marílson: cobrança nacional (foto: Maurício Rummens/ www.webrun.com.br)
Nos últimos anos, é notável o crescente número de atletas africanos em corridas de rua no Brasil. O Webrun explicou como funcionam as equipes MMC e Luasa, que trazem atletas do leste da África para competir no País. Confira a opinião do treinador de um dos clubes de maior destaque no Brasil sobre o assunto.
Giomar Pereira é tetracampeão brasileiro de corridas de rua. Paulo Roberto de Almeida Paula conseguiu o índice para a Maratona dos Jogos Olímpicos de Londres. Além de serem dois dos melhores fundistas em atividade no Brasil, ambos tem em comum o clube a que pertencem, o Cruzeiro.
Com o sucesso dos quenianos nas principais provas em solo nacional, a premiação para os brasileiros acaba sendo menor uma vez que eles raramente chegam nas primeiras colocações. Estaria a presença dos corredores africanos inibindo o crescimento dos fundistas brasileiros?
Há 30 anos trabalhando com atletismo no Cruzeiro, o treinador Alexandre Minardi se posiciona sobre o tema. De uns anos para cá o Brasil começou a ter vários e vários africanos [em corridas] e eu de todos os treinadores fui o primeiro a ser contra, dispara.
Não contra eles competirem, mas contra a invasão deles no Brasil, reforça o técnico. Segundo Minardi, a norma para estrangeiros nas provas nacionais deveria ser revista.
O que diz a regra– A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) estabelece que as quantidades limite de atletas estrangeiros são as seguintes:
Minardi discorda. Fui por conta própria a Manaus [sede da CBAt] para conversar com o Gesta [Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAt]. Fiquei mais de uma hora explicando porque não concordo com a situação, rebate. De acordo com o profissional do Cruzeiro, no caso da África a restrição deveria ser por continente, não por país.
O continente é imenso e o forte deles é o atletismo, o top mundial está lá, diz. Se for assim, três quenianos, três etíopes, três marroquinos, três tanzanianos, aí já era para os brasileiros. Sou a favor de ter africano sim, para o nível elevar. Tanto que o nível aumentou muito depois que eles vieram. Mas tem que ser três por prova no máximo, reforça.
Confira na próxima página a continuação da entrevista com Alexandre Minardi sobre a presença de corredores africanos no Brasil, o desempenho de Marílson Gomes na São Silvestre e o potencial de um pequeno país, a Eritreia.
Marílson e São Silvestre– Minardi sugere que a presença massiva de atletas oriundos da região do Lago Vitória e do Chifre da África cria uma disparidade desnecessária com os brasileiros. Nas três últimas etapas do Circuito Caixa 2011 teve africano e foi o Giomar quem ganhou. Mas [um número alto] que nem na São Silvestre, foi covardia, critica.
Até para o Marílson pegou mal, porque ele é cobrado por isso. Se ele não conseguiu, imagina para os atletas do Cruzeiro, é bem mais difícil. Ele está anos-luz à frente dos meus corredores, elogia o treinador. Além da Luasa e do Coquinho [treinador da MMC] ainda tem o Federico Rosa [agente italiano] que não vem aqui de graça. Isso até desestimula os atletas, que perdem oportunidade com essa invasão, complementa.
Eritreia, o gigante dormente– O treinador aponta ainda que as coisas podem piorar quando o potencial eritreu for explorado pelas equipes brasileiras. No meu modo de ver a Eritreia é o país com potencial mais forte do mundo [nas corridas de fundo]. Eles não resolveram vir aqui ainda, mas quando resolverem vir, acabou! É um gigante adormecido, afirma, sobre o País do recordista mundial de Meia Maratona, Zersenay Tadese.
Antes que a pequena nação africana tome participação nas corridas brasileiras, Minardi espera uma mudança. Quando eu falei com o Gesta ele disse que iria rever, mas isso faz uns dois ou três anos e em vez de melhorar, piorou. Tem cada vez mais! Tudo na vida tem limite, encerra o técnico do Cruzeiro.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes