Atletismo · 01 jun, 2006
Dentro de poucos dias, a atenção de países do mundo todo estará voltada para um dos maiores eventos esportivos deste Planeta: a 18ª Copa do Mundo de Futebol. Agendada para nove de junho a nove de julho, na Alemanha, esta Copa tem como franco favorito ao título de campeão, o único país que conseguiu a grande façanha em conquista-lo por cinco vezes: o Brasil.
Os demais países que nos perdoem a falta de modéstia, mas temos motivos de sobra para pensarmos tão positivamente sobre a gloriosa Seleção Brasileira de Futebol. Vejamos porque: a) o Brasil é o único país que participou de todas as 17 edições da Copa; b) esteve na final nas últimas três edições; c) antes mesmo que um competente Ronaldo entre em declínio, surge um outro espetacular Ronaldo chamado de Ronaldinho Gaúcho - que por sinal foi eleito o melhor jogador do mundo nos últimos 2 anos - para se somar à mais valorizada concentração de craques do mundo; d) o Brasil é o país que mais exporta jogadores; e) etc.
Com todas essas evidências, está difícil administrar a nossa ansiedade. Não vemos a hora vibrar com o famoso quarteto mágico, formado por Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Adriano.
Assim, por vivermos no país do futebol, é natural que este esporte ocupe quase todo o espaço da mídia, no coração do nosso sofrido povo e no meio daqueles que se valem da Copa para levar mais uma vantagem.
Mas, e os outros esportes? E os Jogos Pan-Americanos Rio 2007?
Os Jogos Pan-Americanos acontecem de dois em dois anos e contam com a presença de grandes potências esportivas como: EUA, Cuba, Canadá e muitos outros. O Brasil será sede deste grande evento pela segunda vez (a primeira foi em 1963, em S.Paulo). Estes jogos poderão ser um marco no desenvolvimento de vários esportes, além de proporcionar o surgimento de novas estrelas brasileiras.
A Cbat (Confederação Brasileira de Atletismo) teve a ótima idéia de criar o Programa Pré-Pan, onde através de um contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, está dando suporte financeiro a diversos atletas, proporcionando-lhes viagens, campings de treinamento aqui e no exterior com ótimos técnicos, competições internacionais e prêmios por quebra de recordes. Este programa está colaborando muito para que os nossos atletas tenham uma ótima preparação. Com isso, já temos visto grande evolução técnica e vários recordes nacionais e sul-americanos sendo batidos.
Um importantíssimo fator a ser considerado é que, pela primeira vez, o país sede custeará todas as despesas aéreas, de hospedagem e de alimentação dos atletas estrangeiros, incentivando para que os países enviem seus melhores atletas e tenhamos uma das edições de grande nível técnico.
Senhores investidores, por favor, não deixem para aplicar seu precioso dinheiro em atletas que competirão nos Jogos Pan-Americanos, somente depois do apito do último jogo da Copa. Lembrem-se que eles terão uma grande exposição à mídia nacional e internacional, reconhecimento e trarão muitos benefícios a outros esportes. Vale a pena.
Atletismo · 24 abr, 2006
Olá amigo corredor! O inverno está aí, e é fundamental ficar muito atento à importância de um bom aquecimento, antes dos treinos e das provas.
Saiba que o aquecimento é composto pelos exercícios realizados antes de uma atividade, visando aumentar a circulação sanguínea e a freqüência cardíaca. São exercícios que se destinam à melhora do desempenho e à redução da probabilidade de lesões, preparando o indivíduo mental e fisicamente para a atividade esportiva. (ALTER, 1999). Em termos fisiológicos, o aquecimento eleva a temperatura do corpo e aumenta o fluxo sangüíneo, possibilitando ao organismo se adaptar do estado de repouso ao de exercício.
É muito comum confundir o alongamento com o aquecimento. Assim, os corredores, simplesmente, depois do alongamento muscular, julgam estar devidamente aquecidos e preparados para o esforço que virá em seguida e protegidos das lesões. As grandes organizações de provas escalam profissionais de educação física para dirigir um alongamento coletivo corretamente, mas, na verdade, este faz parte do programa de aquecimento propriamente dito. O alongamento não deve ser realizado sem um prévio aquecimento e nem o substitui. Este tipo de alongamento tem uma influência desprezível na elevação da temperatura central e muscular e no fluxo sanguíneo.
É fundamental que pouco antes do alongamento, o corredor faça um trote de cerca de 10 minutos ou mais, dependendo do clima, do nível de esforço e das características individuais de cada um. Desta forma, a temperatura dos tecidos musculares ficará elevada, reduzindo os riscos de lesão decorrente do próprio alongamento. Dependendo do nível técnico e das capacidades motoras do praticante, depois de se alongar, recomenda-se ainda manter um trote até a largada e, se possível, realizar algumas acelerações curtas, visando ativar o máximo de fibras musculares, antes do início da atividade principal.
O aquecimento pode ser classificado em três categorias:
Passivo: onde se eleva a temperatura corporal através de meios externos, como bolsas de água quente e duchas.
Geral: a técnica mais utilizada, onde se empregam movimentos que não necessariamente estão diretamente relacionados à atividade que será executada: pedalar, trotar, fazer movimentos ginásticos, pular corda e outros. O objetivo único desta categoria é aumentar o fluxo sangüíneo para os músculos e elevar a temperatura corporal central, preparando o sistema cardiovascular e pulmonar para o desempenho que se seguirá.
Específico: que inclui movimentos similares aos que serão empregados, como os educativos de corrida, corridas com aceleração, corrida em curvas, etc. Porém em intensidades mais baixas.
O tempo de duração e a intensidade do aquecimento dependem do nível técnico de cada um, do clima, da capacidade individual de produzir calor, do grau de intensidade do treino ou da competição, e do resultado pretendido. Citando um exemplo, o aquecimento específico de um corredor de 10km, que faz a prova na casa dos 29 minutos, chega até a assustar a maioria de nós, simples mortais, pois dá a impressão de que ele está gastando todas as suas energias antes da prova!
Seguem abaixo alguns benefícios do aquecimento:
Referência Bibliográfica:
Alter, M.J.; Alongamento para os esportes (1999)
Weineck, J.; Biologia do Esporte (1991)
Weineck, J.; Treinamento Ideal (2003)
Atletismo · 21 mar, 2006
Diante das dificuldades em conciliar o trabalho, a família, a vida social e os outros compromissos com o volume de treinamento, unicamente por falta de tempo, é muito comum o corredor dar maior valor ao treino de corrida em si, e menosprezar os exercícios de alongamentos. Porém, os alongamentos são indispensáveis antes e após as atividades físicas, pois preparam os músculos para os movimentos mais intensos e relaxam a musculatura após o final do treino.
Os alongamentos são exercícios voltados para o aumento da flexibilidade muscular, que promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. As tensões diárias, geradas pela própria corrida ou outras atividades físicas, podem promover o encurtamento muscular proporcionando os seguintes malefícios:
- Aumento do gasto energético
- Desestabilização da postura
- Compressão das fibras nervosas
- Aumento das incidências de cãibras e dor
- Prejuízo da técnica nas habilidades
- Diminuição da capacidade de trabalho e do lazer
- O desenvolvimento dos nódulos musculares, fadiga local, restrição da circulação e etc.
Por outro lado, os alongamentos realizados corretamente, proporcionam os seguintes benefícios:
- Evita ou elimina o encurtamento dos músculos e tendões
- Promove a diminuição dos riscos de lesões musculares e articulares
- Aumenta a amplitude dos movimentos
- Melhora a coordenação e conseqüentemente a eficiência dos movimentos
- Reduz a resistência dos músculos que atuam de forma contrária ao movimento
- Eliminam ou corrigem problemas posturais
- Aumenta o relaxamento da musculatura e promove a melhora da circulação sangüínea
- Diminui a fadiga muscular e a famosa dor do dia seguinte possibilitando a evolução do programa de treinamento.
É de suma importância o alongamento de forma correta e com regularidade. Recomenda-se que o exercício de alongamento seja realizado até que o indivíduo sinta uma certa tensão no músculo e que após isso relaxe um pouco, sustente a posição durante 20 a 30 segundos e em seguida, volte à posição inicial. Se quiser pode repetir o movimento, tentando ampliar um pouco o grau de dificuldade do exercício e relaxar em seguida.
Dedique maior tempo e dê a devida importância aos exercícios de alongamento, pois assim, além de evitar lesões que poderão interromper suas sagradas e prazerosas sessões de treino, você poderá ter uma corrida muito mais eficiente e agradável.
Atletismo · 17 fev, 2006
Uma pesquisa feita entre os dias 16 a 19 de junho, com parte dos atletas do Troféu Brasil 2005, realizado no Ginásio do Ibirapuera, revela o perfil sócio-demográfico dos atletas de elite do Brasil. A pesquisa envolveu 129 atletas selecionados entre os 772 inscritos, nas mais diversas provas, e foi feita pelo Prof. Nelson Evêncio, técnico de atletismo da região de São Paulo. Segundo Evêncio, o objetivo do trabalho é conhecer melhor os atletas e sua realidade particular, visando encontrar os pontos fortes e fracos, em busca de melhores resultados em grandes competições internacionais como: Jogos Panamericanos, Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos.
São Paulo - A pesquisa possibilitou o levantamento de muitos dados interessantes. 48% dos atletas abordados eram mulheres e 52% homens. A proporção de homens entre os inscritos foi um pouco maior, 57%, mas os números mostram que as mulheres também estão presentes no atletismo profissional em grande número. A maioria dos atletas é solteira (87,5%) e apenas 8,6% deles tem filhos.
Há pessoas que iniciaram o esporte com idade entre oito e 26 anos, porém as idades em que houve maior adesão foram entre 14 e 15 anos para homens (36%), 12 e 14 anos para as mulheres (39%), sendo que dos 21 anos em diante está adesão foi pouco significativa. A idade média dos atletas de ambos os sexos fica em torno de 24 anos, mas a pesquisa mostrou que há atletas ativos com até 40 anos.
O Troféu Brasil, um dos mais importantes eventos do atletismo brasileiro, teve (17%) dos atletas participando pela primeira vez, (19%) participando pela 2ª vez e (17%) participando pela 3ª vez, o que significa que (53%) dos atletas participam pela 1ª, 2ª ou 3ª vez. Da 6ª participação em diante, o número de atletas caiu significativamente. Isso pode refletir uma realidade brasileira: o pouco incentivo no esporte e o aumento das necessidades em decorrência do aumento da idade, fazem com que haja uma grande evasão dos atletas após determinado período.
Nos indicadores de experiência internacional, 75 (59%) atletas já participaram de torneios sulamericanos, 27 (21%) participaram de algum torneio mundial (menor, juvenil ou adulto), mas somente nove (7%) dos entrevistados já participaram de Jogos Olímpicos.
Patrocínio - Quanto ao patrocínio, constatou-se que 78% dos atletas recebem recursos de um clube (82% das mulheres e 70% dos homens). É uma proporção alta, possivelmente indicando que o patrocínio é importante para que o atleta alcance o nível do Troféu Brasil, porém, constatou-se que 24% destes atletas têm outro tipo de trabalho como fonte de renda complementar. Considerando todos os atletas, mesmo os que não têm patrocínio, 35% têm outro trabalho. Ou seja, o atleta brasileiro de alto nível nem sempre se dedica somente ao esporte.
Apenas 20% do total de atletas têm patrocinador individual e somente 51% recebem material esportivo para treinamentos, o que significa que quase metade da elite do atletismo brasileiro não recebe material esportivo para seus treinos. Um dado bem negativo e que é um grande problema a ser solucionado.
Os atletas que gozam de uma condição que seria considerada ideal no âmbito mundial, que recebem do clube e tem patrocinador individual, correspondem a somente 17% do total, e do contrário, os atletas que não recebem do clube e não possuem patrocinador individual, correspondem a 22% do total.
O nível de instrução dos atletas é bem superior à média da população brasileira. Nenhum dos atletas pesquisados era analfabeto, enquanto que segundo dados do IBGE 10,5% da população brasileira acima de 10 anos é analfabeta. O gráfico ao lado mostra uma comparação entre os dados do IBGE (PNAD 2003) e os dados da pesquisa com os atletas. Praticamente todos os atletas têm pelo menos o ginásio completo, enquanto que apenas 32% da população acima de 10 anos se encontram na mesma situação.
Mas o número que mais impressiona é que 71% dos atletas têm nível superior completo, ou está cursando, enquanto que apenas 9% da população acima de 10 anos conseguiu chegar a esse nível de estudo. É comum o atleta de alto nível ter bolsa de estudos em faculdades particulares o que é muito relacionado aos dados da pesquisa: 88% dos atletas disseram terem cursado ou cursarem faculdades particulares.
Na população, segundo o IBGE, 74% dos estudantes de nível superior estudam em escolas particulares, número significativamente menor do que entre os atletas. O que acontece é que o rendimento conseguido no atletismo juntamente com bolsas dadas pelas faculdades por causa do atletismo abre as portas para os estudos, quando a escola é que deveria levar o atleta à pratica esportiva. Se tomássemos como público da pesquisa atletas que não chegaram ao nível do Troféu Brasil, muito provavelmente teríamos um perfil educacional muito inferior, e a quase inexistência de patrocínio.
O curso mais procurado pelos atletas foi Educação Física, com 64%, seguido de Fisioterapia com 12% e Administração de Empresas com 5%. 76% dos atletas falam somente português, 16% falam inglês, 12% falam espanhol, 6% falam algum outro idioma e 6% falam dois idiomas além do português.
Somente 58% possuem computador em casa, mas 90% do total dos entrevistados acessam a Internet freqüentemente, o que comprova ser este um grande meio de comunicação dos mesmos. 12% não lêem nenhum livro por ano, 14% lêem um livro por ano, 27% lêem dois livros por ano e 53% lêem 3 ou mais livros por ano.
Conclusão - Conclui-se que para melhoramos o nível atlético de nossos esportistas, é necessário que haja um melhor investimento financeiro e a busca de parcerias com as marcas de material esportivo.
Na questão escolaridade os números são excelentes, porém é necessária que sejam feitas parcerias com escolas de idiomas e que os técnicos sejam grandes aliados no incentivo à leitura.
Esperamos que os dados coletados possam contribuir para a melhoria de nosso esporte, e que em breve sejam melhorados, através das Competições da Federação Paulista de Atletismo, e ou através dos investimentos que a CBAT vem fazendo, sobretudo com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.
Bons treinos e um agradecimento especial para o Mestre Marcos Sanches, Estatístico.
Atletismo · 31 dez, 2005
Olá amigo corredor,
Ano novo, ânimo novo, novos planos e vida nova! Após as tradicionais festas e bons dias de descanso é hora de planejar suas provas alvo para o ano de 2006 e começar seus treinos com bastante empenho.
Para ajudá-lo alcançar o êxito e ter uma temporada pra lá de inesquecível segue abaixo a Teoria dos 5 D´s da nadadora olímpica e ex- recordista mundial, Anita Nall, que conseguiu realizar seu sonho de criança aos 16 anos de idade, representar os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, onde conquistou uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze. Vale lembrar que naquele ano ela já havia batido duas vezes o recorde mundial da prova dos 200 metros nado peito durante a Seletiva Americana.
Aqui ela apresenta e divide a sua fórmula de sucesso, uma fórmula que visava ser aplicada em nadadores, mas que hoje podemos aplicá-la em qualquer modalidade, ou seguimento profissional.
Anita diz o seguinte: os 5 Ds são as palavras mais importantes que eu já escutei em minha vida. Entretanto, nós não damos a elas a real importância que merecem. Eu gostaria de demonstrar como essas palavras se aplicam para mim e minha carreira em natação.
1 DESEJO
Todo sonho pode vir a se tornar real desde que seja um desejo muito forte de fazer essa realização. Desde quando eu era muito jovem eu sempre tive um amor muito profundo pela natação. Eu quero dizer, sempre amei nadar!
Durante os verões, eu normalmente chegava a ficar seis horas por dia na piscina. Se você faz alguma coisa por seis horas, eu acredito que seja alguma coisa que você realmente gosta. E eu amo, amo estar na água e amo este esporte muito mesmo.
Para falar a verdade, minha mãe tinha de ligar por telefone para os treinadores me mandarem embora para casa porque eu nunca queria sair da piscina.
2 DIREÇÃO
Direção é uma força interna que vem do desejo. Muitas vezes nós escutamos pessoas de sucesso falar sobre sua chama que queima dentro delas. Bem, isso é o que chamamos de direção.
Essa chama queimou dentro de mim por muitos anos, e eu continuo a sentir a chama dentro de mim pela natação, pois eu realmente amo este esporte muito mesmo!
3 DETERMINAÇÃO
Mesmo quando eu era bem jovem, eu era determinada para ser uma nadadora olímpica. Eu já demonstrava isso em grande aplicação nos treinamentos e com muito objetivos em meus sonhos.
Determinação representa quando suas ações e palavras se encontram. Por exemplo, se eu disser que meu sonho era ser uma nadadora olímpica, entretanto estou a perder dois treinamentos todas as semanas, bem você já deve ter notado, eu realmente não sou uma pessoa determinada.
4 DEDICAÇÃO
Dedicação será sempre importante quando você tenta alcançar os seus objetivos. Você deve estar preparado para ter de fazer alguns sacrifícios no caminho para fazer os seus sonhos virarem realidades.
5 DISCIPLINA
Eu reservei o mais importante D para o final. Esse deve ser a disciplina.
Um nadador de sucesso é disciplinado em muitas perspectivas. Por exemplo, na dieta nutricional, descanso adequado, responsabilidades com o estudo, tudo isso requer uma grande quantidade de disciplina para que o sucesso ocorra.
A administração do seu tempo e horário também faz parte da disciplina. O nadador tem de ter certeza de que conseguira realizar o seu trabalho de escola a tempo de não prejudicar ou perder qualquer treinamento além de procurar obter a melhor nota possível em seu boletim escolar.
Os 5 Ds são 5 pequenas palavras, mas cada uma destas cinco palavras podem vir a fazer a diferença em suas vidas. Elas fizeram a diferença para a minha! Eu acredito que você não só vai continuar a ter seus sonhos, como vai trabalhar duro para fazer deles realidade.
Caminhada · 14 jun, 2005
Uma tarde dessas de verão sai para fazer um treino leve no Parque do Ibirapuera. O programado para aquele dia era uma rodagem em ritmo confortável, com freqüência cardíaca baixa, daqueles treinos que a gente vai curtindo o visual e pensando na vida!
Fazia muito calor, o clima estava seco, a poluição do ar bem elevada, pois há muito tempo não chovia em São Paulo. Logo no 3º quilômetro já comecei sentir algum mal estar, mas resolvi continuar o treino, pois sabia que poderia passar, assim como acontece muitas vezes, com praticamente todo mundo.
Para piorar as coisas, na noite anterior, o calor havia atrapalhado meu sono e o número de horas dormindo não foi o suficiente para recuperar o desgaste do dia agitado. Diminui o ritmo para ver se melhorava, mas ainda assim o desconforto não passou. Diminui mais ainda, a mente começou lutar contra o corpo, a tenção nos ombros foi aumentando, os batimentos cardíacos subindo, e, após mais algumas passadas sofridas, achei prudente interromper o treino, caminhar mais alguns quilômetros e pensar no dia seguinte, pois poderia pagar mais caro pela teimosia.
Diante daquela situação desconfortável, relaxei e ri ao lembrar da velha frase de corredor, que muita gente já disse em um treino ou prova, em tom de ironia: Socorro, tem um urso em minhas costas !
Todos nós, independente de nível técnico ou tempo de treinamento, já passamos por uma situação onde o corpo não corresponde, mesmo enfrentando um treino sem um grau de exigência física muito elevada. Os motivos são muitos como: alimentação inadequada para aquele dia, problemas emocionais, uma noite mal dormida, um dia tenso no trabalho, temperatura adversa, falta de recuperação adequada de um treino para o outro, indisposição estomacal, supertreinamento, gripe e etc.
No trabalho bem próximo com alunos e atletas, temos buscado fazer planilhas mais flexíveis e ouvir o máximo possível os orientados, antes, durante e após o treino. Se necessário, trocar a sessão de treino daquele dia por uma outra sessão ou diminuí-la, mesmo que para isso haja algum prejuízo ao plano da semana. Lógico, não se pode confundir este tipo de situação com a velha e famosa preguiça. É preciso estar sempre atento aquelas pessoas mais manhosas, que costumam amolecer, diante da primeira adversidade apresentada. Mas em geral é preciso que haja um plano de treino mais flexível, sobretudo, se considerarmos que o corpo não é uma máquina programada feito um computador, até porque, os computadores também dão problemas, e como dão!
Uma planilha de treinos flutuante seria uma boa solução para esse tipo de situação. Uma planilha onde haja a opção de percorrer uma quilometragem menor ou treinar em ritmo mais fraco, em dias de indisposição ou até aumentar um pouco o ritmo ou volume de treino, em dias onde o corpo sentir que está tudo sobre controle. Para isso, é necessário saber sentir o corpo, ficar atento as condições climáticas, e estar sempre bem perto da pessoa que elaborou seu treino. Daí, mais um ótimo motivo para treinar com orientação de um profissional qualificado, o mais próximo possível, evitar o auto-treinamento e fugir daquelas milagrosas planilhas de livros e revistas, preparadas como se fossem receitas de bolo!
É preciso saber respeitar os sinais do corpo. Algumas vezes será mesmo necessário buscar o limite daquele dia, principalmente quando se almeja uma prova importante ou um recorde pessoal, o que não é nenhum pecado. Todavia, é importante considerar que o resultado final de um objetivo, é a soma de vários treinos e descansos, e não somente o que você conseguiu produzir naquele dia.
Para treinar corretamente e obter sucesso é preciso muita sabedoria. Como diz a famosa frase: o rio atinge seus objetivos, pois aprendeu a contornar os obstáculos.
Bons treinos!
Maratona · 09 maio, 2005
A Maratona, prova que tem a distância de 42.195 metros é algo muito fascinante e desafiador.
Particularmente, acho um projeto de vida e um enorme aprendizado, onde é indispensável ter muita disciplina, dedicação e força de vontade. Sem este componentes, é muito difícil cumprir todo o planejamento e obter sucesso. Este desafio é uma grande meta, mas antes é necessário refletir o que será necessário para não transformar seu grande sonho em pesadelo!
Além destes componentes psicológicos, que serão muito trabalhados e exigidos ao longo dos treinos, é fundamental ter maturidade muscular e não partir para a prova só por modismo, como muitos tem feito por aí. O indivíduo que almeja ingressar na distância, mesmo que seja só para completar, tem que ter no mínimo 2 anos de treinamento, ter feito várias provas de 10km, 15km e 21km (1/2 maratona), treinar no mínimo quatro vezes por semana e procurar levar uma vida bem regrada.
A procura de um treinador, formado em educação física e com especialização em corridas longas também é fundamental, pois assim você solicita um dentista para tratar de seus dentes, um engenheiro para projetar e administrar a construção de sua casa, deve procurar um profissional qualificado e habilitado para cuidar de seu treinamento. Há vários bons profissionais no mercado, mas também há muita gente caindo de para-quedas e muitos marketeiros por aí, assim como ocorre em outras profissões. Exija um profissional com registro no CREF. (Conselho Regional de Educação Física)
Embora o treinamento seja uma coisa totalmente individual, regido pelo Princípio da Individualizada Biológica, que explica a variabilidade ou diferença entre indivíduos da mesma espécie, pretendemos nestas poucas linhas, citar algumas informações importantes para que você possa realizar seu sonho, sem sofrer muito e sem acarretar prejuízos à sua rotina de vida.
Quanto treinar?
Depende do período do treinamento treinar mais ou menos. O mínimo serão quatro sessões por semana de corrida. Caso a pessoa não possa treinar estas quatro vezes por semana, o ideal seriam cinco ou seis, deve-se optar pelas provas em distâncias menores, sobretudo, abaixo de meia maratona.
Em geral os atletas de elite fazem entre 160 e 180km por semana de treinos, divididos em uma ou duas sessões diárias, mas as pessoas que não são profissionais da corrida, e que tem o grande desafio de conciliar trabalho, estudos, família e vida social com o treinamento, raramente chegam aos 100km por semana. Alguns obtém ótimos resultados com rodagens entre 60 e 70km semanais. Vale lembrar que estas maiores quilometragens são sempre atingidas cerca de 40 a 30 dias antes da prova e bem reduzidas nas duas últimas semanas.
Como treinar?
Considerando estes quatro treinos de corrida por semana, dividimos da seguinte forma:
Considerando cinco treinos de corrida por semana:
A distância dos treinos longos, que são os mais específicos, é algo muito discutido e que depende muito da escola e metodologia do treinador. Ela varia de 24 a 32km. Particularmente só utilizo distâncias entre 32 e 36 quilômetros para atletas de elite, ou corredores que já possuem muita experiência, com intervalo de no mínimo 21 dias antes da prova. No geral utilizo um ou dois longos entre 30 e 32 quilômetros, somados a mais alguns entre 21 a 24 quilômetros.
Corra no máximo duas maratonas por ano, com um intervalo de no mínimo quatro meses entre elas e não coloque em risco seu maior patrimônio, sua saúde!
Alimentação · 17 jun, 2026
Saúde · 17 jun, 2026
Atletismo · 17 jun, 2026