O carioca Iazaldir Feitoza fez história na primeira edição da Indomit Costa Esmeralda, ao vencer os 100 quilômetros da prova que passou por Bombinhas, Porto Belo e Itapema (SC). Antes da prova as apostas informais apontavam o argentino Sergio Trecaman como franco favorito, visto que ele vinha de vitória nos 100 quilômetros da Patagônia Run, enquanto o brasileiro debutava na distância.
Cerca de 100 gueereiros tentaram domar os 100 km. Foto: Alexandre KodaO tiro de partida da prova principal aconteceu no píer de Porto Belo pontualmente à meia noite, com um grupo de 100 atletas devidamente posicionados com suas mochilas de hidratação, lanternas de cabeça e disposição para virar a madrugada correndo. O apito de largada soou e o pelotão partiu em ritmo moderado pela areia da praia. E moderada era a velocidade do grupo de líderes puxado por Trecaman, que já saiu em disparada.
O novato Iazaldir preferiu não se empolgar e manteve sua estratégia de controlar o ritmo durante à noite e acelerar após o sol raiar. Nos primeiros postos de hidratação o argentino passou em primeiro com uma diferença muitas vezes superior a 14 minutos, fato que parecia não abalar o psicológico do brasileiro, que calmamente reabastecia sua mochila e conversava com os staffs entre um gole de coca cola e uma mordida na goiabada.
Iazaldir não se precipitou e garantiu a vitória. Foto: Alexandre KodaApós o quilômetro 30 Iazaldir começou a alcançar os líderes e teve suas forças renovadas ao avistar Trecaman já debilitado e sem energias para encarar a subida de uma trilha. Foi então que o carioca emparelhou com o adversário, apertou o ritmo para ultrapassá-lo e percebeu que não houve reação.
O confronto
“No quilômetro 70 mais ou menos ‘dei uma porrada’ para sentir como ele estava e percebi que eu estava muito mais inteiro”, conta o campeão. A partir daí ele teve caminho livre e por onde passava era aplaudido pelo público local, incluindo os pescadores que montavam suas redes para iniciar a pesca da Tainha, tradicional peixe da região.
Os corredores passaram a madrugada nas trilhas. Foto: Alexandre KodaCom 10h11min55 Iazaldir cruzou a linha de chegada para se tornar o primeiro campeão da inédita prova de 100 quilômetros em trilhas do Brasil. E para comemorar escalou o pórtico de chegada na tradicional comemoração que já lhe rendeu o apelido de Spider Iaza. “Eu não queria ser o melhor brasileiro, queria vencer, ser o campeão geral, e graças a Deus consegui.”
Na véspera da prova ele fez um trabalho com crianças de uma escola local, oportunidade em que falou sobre a importância do esporte, preservação da natureza e montou uma mini corrida com direito a medalhas. “Nas trilhas onde eu tinha dúvidas senti muito a presença das crianças e parecia que eu tinha 30, 40, 50, 60 pernas”, lembra emocionado. “Fiz um trabalho mental muito forte, sempre respeitando a prova, pois eu só sabia como meu corpo reagiria até os 80 quilômetros”.
Spider Iaza escalou o pórtico mais uma vez. Foto: Alexandre KodaErro de estratégia?
O segundo colocado, Sergio Trecaman, marcou 10h41min33 e afirma que não errou na estratégia, mas que sentiu dificuldades com o terreno. “Não estou acostumado com asfalto e areia dura, então passei a sentir dores no quadril durante a corrida e quando o Iazaldir chegou não tive forças para reagir”, conta o hermano. “A partir daí eu lutei para garantir o segundo lugar, pois sabia que logo atrás vinham corredores muito fortes”, completa.
O argentino Sergio Trecaman sentiu a dificuldade do percurso. Foto: Alexandre KodaO terceiro posto ficou com Cristiano Marcelino, que se prepara para correr a ultramaratona Badwater, no Vale da Morte (EUA). “Foi uma corrida dura, mas valeu demais como treino. Fiz minha 31a ultramaratona e a única parte que achei complicada demais foi depois dos 50 quilômetros onde tinha muita erosão”, relata o corredor que marcou 12h02min33.
Além da disputa dos 100 quilômetros, a Indomit Costa Esmeralda teve ainda provas de 84, 65, 50, 21 e 12 quilômetros . Acompanhe no Webrun durante a próxima semana a cobertura completa da prova feminina e das demais distâncias.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda