
Site dos organizadores anuncia o cancelamento da prova (foto: NYC Marathon / Divulgação)
Há tempos um fato tão dramático não causava tamanho impacto na comunidade de corredores mundial como o cancelamento da Maratona de New York 2012, por conta dos estragos provocados pela super tempestade Sandy.
Na hora fiquei imaginando o tamanho da frustração de vários amigos meus e dos mais de 47 mil corredores que treinaram arduamente, investindo empenho, tempo e dinheiro para participar da prova, que é considerada um dos maiores sonhos de consumo de todos os corredores. Pensei também nos parentes envolvidos, nas equipes, no grande prejuízo dos organizadores, patrocinadores e nas milhares de pessoas que trabalham direta ou indiretamente com este evento, que gera cerca de R$ 690 milhões para a cidade.
A decisão do prefeito da cidade, Michael Bloomberg, de dois dias após confirmar, cancelar a prova diante do péssimo estado que encontrava-se a cidade foi acertada, embora tardia. Se tivesse sido tomada alguns dias antes, muita gente evitaria longas viagens, conseguiria cancelar suas reservas de hotel e já se reprogramaria. Acontece que a maioria dos que estavam inscritos ou trabalhariam na prova, apoiaram a primeira decisão de mantê-la, pois naturalmente também apostavam e torciam para que o evento acontecesse.
Diante do fato de que não podemos mais voltar atrás, o que é importante levar como lição é que quando se prepara uma grande prova ou um grande evento, deve-se estar preparado não só física, mas espiritualmente para tudo. Tanto para um resultado negativo, quanto para o fato do próprio evento não acontecer. É como ocorre muitas vezes na vida: você faz tudo corretamente, se empenha, fica muito próximo de realizar algum grande sonho, mas por um ou outro motivo além de sua vontade, muitas vezes além do domínio humano, a coisa não dá certo. Quantos de nós já não passamos por esta situação nas mais diversas áreas da vida?
Eu que tive o privilégio de correr uma grande maratona a cerca de um mês acredito que se recebesse uma notícia destas após ter treinado tanto por longos nove meses entraria no banheiro, sentaria no chão e choraria todas as minhas lágrimas, mas daí em diante a vida seguiria. O sonho que aparentemente se passou não pode ser chorado pela vida inteira nem envelhecer. É necessário levantar a cabeça, lavar o rosto, refazer os planos, começar a treinar e seguir o caminho novamente, para em momento oportuno alcançar este sonho.
Como diria o grande clássico da MPB, Clube da Esquina, composto em parceria pelos irmãos Marcio e Lô Borges: Porque se chamava homem, também se chamavam sonhos e sonhos não envelhecem.
Este texto foi escrito por: Nelson Evêncio