Saiba o que pode acontecer ao abastecer o cantil em meio a natureza

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 07 out, 2013

Um dos principais objetivos de atletas que praticam esportes ao ar livre é fugir do agito da cidade grande e encontrar paz e tranquilidade na natureza. Ao chegar no topo das montanhas, encontrar água potável torna-se um problema e, muitas vezes, nem mesmo os filtros mais potentes podem te deixar livre de ser contaminado.

Em corridas de montanha ou cross triathlon em que existe uma empresa organizadora, normalmente a prova ocorre próximo da civilização. “Essa proximidade pode facilitar a contaminação pelo vírus de hepatite A, que é altamente contaminável, e protozoários, como os transmissores de cólera”, conta Adriano Leonardi, médico especialista em provas de montanha.

O ideal seria a implantação de mais postos de hidratação em provas de montanha. Foto: Alexandre Koda/ Divulgação O ideal seria a implantação de mais postos de hidratação em provas de montanha. Foto: Alexandre Koda/ Divulgação

Água: existem momentos em que a substância pode ser prejudicial?

Além disso, o mínimo contato com a água já pode trazer problemas de saúde. “Se a prova for realizada em região endêmica para esquistossomose, o simples contato com a água poderá levar à infestação da doença por penetração na pele”, informa o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, José Roberto de Almeida.

De acordo com José, nesse tipo de provas as principais verminoses contraídas são a giardíase, amebíase e esquistossomose. “Na giardíase, o indivíduo sente náusea, vômito, queimação na área da garganta e esôfago, seguida por diarreia, porém em 80% dos casos não há manifestação da doença. Na amebíase, após o período de incubação, que pode durar de duas a quatro semanas, pode ocorrer inflamação grave no tecido do intestino e diarréia com sangue”, explica.

Já a esquistossomose é transmitida por platelmintos que utilizam caramujos como hospedeiro, antes de chegarem ao homem. “Três a sete semanas após a exposição pode surgir um quadro de febre elevada, associado a outros sintomas como anorexia (falta de apetite), tosse seca e vômitos”, relata o gastroenterologista.

Garrafas com filtro nem sempre garantem água potável. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Garrafas com filtro nem sempre garantem água potável. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Tratamento da água – Muitos esportistas utilizam squeezes com filtros portáteis ou produtos químicos para serem colocados na água e garantirem que ela fique potável. Porém, apesar dos mais avançados filtros terem chegado ao mercado, eles não são garantia de uma água limpa.

“Existem três formas de tratar a água: por meio de halogenação, quando é utilizado algum produto químico, fervura ou filtragem. No primeiro processo, mais utilizado, não há completo extermínio de vírus e alguns tipos de germes,”, comenta Adriano. Além disso, o especialista também ressalta que dessa forma não há proteção contra a Hepatite A.

Já a fervura não é prática para ser realizada em competições. “Alguns filtros têm acoplado o processo de halogenação e são mais eficazes, porém não impedem a transmissão de germes depois de certo tempo de uso. Portanto, deve-se estar sempre atento para a validade do produto”, exclama Adriano.

Clorin – Dentre todos os produtos utilizados por corredores, o mais utilizado é o Clorin, mas também não é garantia de uma água potável. “O clorin é eficiente na eliminação de microalgas e bactérias de águas contaminadas, tornando-as potável. Não conhecemos, no entanto, sua ação sobre protozoários como a Ameba e a Giardia. Menos ainda se há algum efeito sobre as cercarias (larvas) do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose”, conclui.

Este texto foi escrito por: Rafaela Castilho

Redação Webrun

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