Saiba como é feito o controle antidoping nas corridas de rua

Redação Webrun | Atletismo · 06 ago, 2009

Neste modelo de sala os atletas são submetidos aos testes (foto: Reprodução/ CBAt )
Neste modelo de sala os atletas são submetidos aos testes (foto: Reprodução/ CBAt )

Atualizado em 07/08 às 10h25

Na última terça-feira (4) o atletismo brasileiro foi atingido pelo maior escândalo de doping da história do país. Seis competidores classificados para o Mundial da modalidade fizeram uso de substâncias proibidas no esporte. Bruno Lins, Jorge Célio, Josiane Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre tiveram suas amostras testadas positivas para uma variante do hormônio sintético EPO, utilizado para melhorar a performance. Já no caso de Lucimar Teodoro, a substância ainda não foi divulgada oficialmente.

Deste grupo, apenas Lucimar Teodoro foi testada durante uma prova oficial, enquanto os outros receberam uma visita surpresa do oficial de controle, no chamado teste fora de competição. Mas essa prática de testes, que já é uma constante no atletismo de pista, não acontece com muita frequência nas corridas de rua.

“Antes de 2008 os testes na corrida de rua praticamente só eram aplicados em atletas já suspensos, durante o período que cumpriam a suspensão, já que eles só poderiam retornar às competições após realizarem outros quatro exames”, explica o treinador Nelson Evêncio. Para ter uma idéia da diferença entre os atletas da pista e da rua, segundo Evêncio, esse ano foram aplicados apenas seis testes em atletas de rua não suspensos, contra 45 nos competidores de pista.

Nelson comenta ainda, que de acordo com as regras da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), o controle antidoping deve ser feito “em todas as corridas de Nível A1 (Nacionais) e A2 (Nacionais) e nas corridas Nível B (Estaduais) que ofereçam premiação em dinheiro ou bens materiais no valor igual ou superior a R$20 mil”. A norma sete do anexo dois da CBAt estabelece que nas provas nível A1 um mínimo de 10 atletas devem ser testados, enquanto nas de nível A2 o mínimo é de oito atletas e nas de classe B um mínimo de quatro.

O critério de escolha dos atletas a serem testados ficará exclusivamente a cargo do Oficial de Controle de Doping e todos os custos referentes ao transporte e hospedagem do responsável pelos testes, assim como os custos dos exames, ficarão a cargo dos organizadores do evento. Além dos tradicionais testes de urina, também podem ser coletadas amostras de sangue, que ajudam a detectar outras substâncias proibidas no organismo do atleta.

“Os exames em provas com coleta de sangue, muitas vezes surpresa, cresceram um pouco, mas ainda falta investir muito em exames fora de competição nos atletas de rua”, enfatiza Nelson. “Dizer que o atleta já passou por vários exames em provas, sem ser fora de competição, infelizmente pode não ser sinônimo que este atleta não utilize doping”, finaliza.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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