
Nas regiões sul e sudeste faça chuva ou faça sol as provas acontecem (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
O inverno chegou, hora de vestir roupas quentes e se agasalhar para enfrentar o frio certo? Não necessariamente, já que num país de proporções continentais, como o Brasil, a amplitude térmica e a condição climática numa mesma estação do ano variam muito. Na região sul e sudeste, o frio predomina, no norte e nordeste as chuvas chegam com força, enquanto no centro oeste calor e baixa umidade predominam.
O Brasil está localizado em sua maior parte no hemisfério sul do planeta, mas possui uma porção do território no hemisfério norte, que compreende parte dos Estados de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá. Apesar da presença em dois hemisférios, o inverno começa oficialmente no país no dia 21 de junho e se estende até 23 de setembro, época que marca o início da primavera.
Gilmário Mendes, técnico da fundista Marily do Santos, que mora e ministra os treinos em Pojuca (BA), comenta que as chuvas que atingem o norte e nordeste nessa época são os maiores desafios para os corredores. Geralmente eles vão encontrar lama, poças de água e, dependendo da estrutura da cidade, fica complicado treinar porque pode haver algum obstáculo escondido como buracos, por exemplo. Ele conta ainda que as competições também costumam sofrer uma pausa durante o inverno. Há cerca de 60% menos eventos. As exceções são provas comemorativas, como Festa de São João, padroeiro e aniversário das cidades.
O ideal, segundo Gilmário, é procurar treinar e competir em locais em que as condições sejam mais favoráveis, porém, caso enfrentar São Pedro seja a única alternativa, ele passa algumas dicas. Numa corrida é interessante usar um saco de lixo grande como capa de chuva, cortando o local onde vai colocar os braços e fazendo um buraco no local onde aparece o número de peito. Numa ocasião como essa, caso a chuva cesse no meio da prova, fica fácil descartar a proteção improvisada.
Tanto em treinos, como nas provas, a dica de Gilmário é levar uma toalha e uma roupa seca para usar depois de correr. É legal ter um agasalho e uma camiseta de algodão, ou outro tecido que não seja sintético.
Centro Oeste – Se na região norte e nordeste em geral as temperaturas ficam na marca dos 18º a 20ºC, no centro oeste o cenário é diferente. A baixa umidade do cerrado e as altas temperaturas a partir de meados de julho, também são motivo de diminuição do número de provas.
Temos frio de maio até junho, condição possível de se tolerar numa boa, mas depois começa uma época mais difícil para nós, relata Edilberto Barros, responsável por treinar Lucélia Peres em Brasília. Temos uma altitude aqui de 1.200m, umidade relativa do ar abaixo de 20% e um calor forte sem chuva até outubro. Esses três fatores derrubam a condição ideal de treinamento.
Ainda segundo o treinador, outro fator de complicação é a falta de opções de terrenos para o atleta variar o treino, já que a grama nessa época do ano não pode ser utilizada como alternativa para o alto impacto do asfalto. O terreno está esturricado, os pisos ficam duros e há uma queda de rendimento.
Com a baixa umidade, a sensação de suor é menor e muitos corredores acabam se esquecendo da hidratação durante os treinos. Nessa época quase não temos nuvens e o céu é aberto do amanhecer até o pôr-do-sol, então a desidratação é muito grande, esclarece o treinador, que também é fisiologista.
Assim sendo, o cuidado na reposição de líquidos e sais minerais deve ser redobrada, a alimentação balanceada, deve se dar preferência ao uso de roupas leves e usar muito protetor solar. Os termômetros começam o dia na marca dos 19 a 20ºC e chegam muitas vezes a 31ºC.
A dica de Edilberto para se adaptar é procurar correr nas primeiras horas da manhã e no final do dia, já mais à noite. Brasília é um bom lugar para treinar, não para competir. Quando o corredor sai daqui e vai para o nível do mar, por exemplo, tem um ganho aproximado de meio minuto no tempo nos 10 mil metros.
As competições não chegam a parar completamente, mas sofrem uma pausa e retornam gradativamente a partir de agosto. Teremos a Maratona Pão de Açúcar, a Duque de Caxias, a Capital Runners, entre outras.
Enquanto isso, nas regiões sul e sudeste do país, o frio costuma predominar nos meses de inverno, época em que a assiduidade de alunos nos treinos de assessorias esportivas costuma ser baixa. Nessa época há uma redução de pessoas nos treinos e nas academias, quando deveria ser o contrário, já que no frio a performance costuma ser melhor, avalia o técnico do Clube Pinheiros, Cláudio Castilho.
As temperaturas no começo do dia e durante a noite costumam cair para baixo dos 15ºC, então é necessário atentar a algumas dicas para não ter problemas com hipotermia e outros problemas ocasionados pelo frio. Segundo o treinador Aulus Sellmer, responsável pela equipe 4any1, deve-se dar preferência a agasalhos que tenham fleece, tecido com função de manter o corpo aquecido, sem bloquear a transpiração.
Ainda segundo o treinador, o aquecimento para o treino deve ser feito com várias camadas de roupa e, aos poucos, se desfazer das vestimentas para não se expor subitamente às mudanças de temperatura. Logo depois do treino, as roupas devem estar separadas para serem vestidas o mais rápido possível.
As competições não pararam nessa época do ano, como acontece nas outras regiões, pelo contrário, elas continuam a todo vapor e muitas vezes há mais de uma opção para um mesmo fim de semana. As temperaturas mais amenas trazem possibilidade para incrementar o desempenho. Converse com seu treinador sobre a possibilidade de aumentar os treinos longos e melhorar resistência aeróbia e capacidade aeróbia, responsável pelo melhor aproveitamento de oxigênio, finaliza Aulus.
Apesar das características marcantes de cada parte do Brasil, vale lembrar que muitas vezes ocorrem inversões térmicas, veranicos e outros fenômenos climáticos que podem alterar a condição em determinada época. O melhor, então, é ter um olho na planilha, outro na previsão do tempo e sempre consultar um profissional da área para obter o desempenho almejado.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda