O marroquino naturalizado americano Mo Trafeh, recordista americano dos 25 quilômetros, anunciou sua aposentadoria do atletismo menos de dois meses após completar 29 anos. O motivo, segundo o site LetsRun.com, seria ele ter sido flagrado num aeroporto portando o hormônio EPO, substância que aumenta a produção de células vermelhas no sangue e é proibida pela Agência Mundial Antidoping.
Ainda de acordo com o LetsRun.com, Trafeh admitiu portar a substância, mas garantiu nunca ter usado. Segue abaixo a transcrição de uma carta enviada ao site pelo advogado do atleta, Jonathan LaCour.
Mo é marroquino naturalizado americano. Foto: Reprodução YoutubeComo um atleta de elite, ex-recordista americano de Corrida de Rua e representante americano com muito orgulho, é com muita tristeza que anuncio minha aposentadoria. Como muitos de vocês podem se lembrar, passei muitos anos livre de lesões, o que me permitiu vencer várias provas. Porém, assim como outros atletas, um frustrante número de lesões têm me atormentado e me impedido de treinar e permanecer competitivo ao longo dos últimos oito meses.
Assim, contra o meu melhor julgamento e após horas de discussões, tomei a imprudente decisão de comprar EPO, substância proibida pelo Comitê Olímpico Americano, para que eu pudesse retornar à minha melhor forma.
Durante a viagem de volta após comprar o EPO, fui abordado pela Agência Americana Anti Doping, que descobriu a substância. A partir de então eles iniciaram um processo formal contra mim e ameaçaram me banir do esporte.
Gostaria de dizer publicamente que desde 2008 eu fui um dos atletas mais procurados do nosso esporte (para testes antidopng) e nunca falhei. Fui abordado antes de usar o EPO, nunca usei anteriormente e, se tivesse condições financeiras para lutar nesse caso, estou certo que triunfaria.
Infelizmente nosso esporte não proporciona o mesmo retorno financeiro de outras modalidades e, para o futuro da minha família, devo simplesmente me aposentar e tomar todas as medidas necessárias para uma vida segura e estável. Apesar de adorar poder retomar minha forma e competir nas Olimpíadas de 2016 pelos EUA, não era para ser.
As corridas têm sido o foco da minha vida por um longo período e sentirei falta dos momentos de triunfo e glória, além dos amigos que fiz pelo caminho. Também sentirei falta da capacidade de representar meu país como a primeira geração de americanos tentando viver seus sonhos.
Mo Trafeh
Até o começo da próxima semana a Agência Americana Antidoping deve divulgar uma nota confirmando o caso e anunciando a punição oficial.
Currículo de Mo Trafeh
Nascimento: 01/05/1985 no Marrocos. Mudou-se em 1999 para os Estados Unidos.
Treinador: durante quase toda sua carreira foi auto didata.
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Este texto foi escrito por: Redação Webrun