Quebrando Paradigmas: biotipo no trail run e no asfalto

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 14 fev, 2014

Olá trail runner, tudo bem? Obviamente o assunto da semana foi a corrida Cruce de los Andes, que acontece sempre no início de fevereiro, nos países Argentina e Chile.
É uma corrida de três dias com aproximadamente 100 quilômetros nas categorias solo e dupla, essa última na qual os parceiros devem andar juntos sem abrir mais de 20 metros de distância um do outro. É uma prova que mistura trail run (o percurso) e camping, já que você passa o dia e dorme em um acampamento, com comida e bebida oferecidas pela organização, além da sua barraca montada.

Porém, o que quero abordar é o fato de atletas de ponta do trail run fugirem do biótipo comum ao atleta de ponta das corridas de rua. Reparando na lista dos atletas vencedores, percebi que meu amigo e blogueiro do Webrun, Rafael Sodré, terminou a prova em segundo lugar geral nas duplas. Note: na foto das duplas campeãs, é visível a diferença de tamanho dele para os outros cinco atletas!

Onde quero chegar: o trail run mostra que atletas com peso próximo de 80 quilos (Rafael pesa 81 e passa um sufoco para manter esse peso) podem e andam junto com o pelotão de frente. Se você observar as corridas de rua, atletas de ponta tem uma massa muscular irrisória e seu peso corporal não ultrapassa nem de perto os 70 quilos.

Conversando com o Rafael, fiz algumas perguntas sobre seu treinamento, eis as respostas:

– Exercício Supino reto com Barra: 100kg
– Leg-press com anilhas: 250kg
– Frequência semanal na musculação: 4 vezes por semana
– 10 quilômetros no asfalto: 33min40 (note que o tempo é excelente, mas sem chance alguma de beliscar um pódio)
– 21 quilômetros no asfalto: 1h20 (outro tempo excelente, mas sem pódios)
– Prova mais longa realizada: 50 quilômetros em Tiradentes (prova de estrada de terra basicamente)
– Fez o Cruce 2013 com seu parceiro Sergio Dantas

Sodré tem um biotipo diferente dos demais competidores e ainda assim é competitivo. Foto: Arquivo Pessoal/ Rafael Sodré Sodré tem um biotipo diferente dos demais competidores e ainda assim é competitivo. Foto: Arquivo Pessoal/ Rafael Sodré

O que quero mostrar: a rotina de treinos de um corredor de montanha é diferente dos corredores de rua. O trabalho de musculação, consequentemente aumento da massa muscular e força muscular, deve e tem que ser levado a sério. As muitas variáveis das provas Trail, com subidas e descidas alternadas e intermináveis, íngremes ou suaves, com pedras, cascalhos ou estradas, requer que seus músculos inferiores sejam fortes, estejam preparados para não encontrar um “steady-state” (estado estável, capturei da parte cardio!), ou seja, você dificilmente estabiliza um ritmo de corrida. Seu ritmo oscila de 3min/km a 25min/km com muita frequência. Sendo a prova acima dos 42 quilômetros, a tendência é piorar!

Outro aspecto importante, é a recuperação: músculos fortes se recuperam mais rapidamente. A contração excêntrica (de frenagem) que acontece nas descidas, é a que mais causa dores musculares tardias. Por isso, a importância de treinar adequadamente suas pernas!

Parabéns Rafael Sodré! Mostrando que a musculação é uma grande aliada do Trail Run.

Cruze a linha de chegada!

Este texto foi escrito por: Manuel Lago

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!