Qual a relação entre atividade física e a cognição?

Paulo Camiz | Saúde · 11 jun, 2025

A relação entre a atividade física e a cognição é muito bem estabelecida, e cada vez mais surgem evidências nesse sentido. Não param de aparecer novos dados sobre o tema. Já se sabe que a prática melhora a cognição e, muitas vezes, ajuda a prevenir a evolução de uma condição transitória — que a gente chama de comprometimento cognitivo leve — para a demência propriamente dita.

Qual a relação entre atividade física e a cognição?

Mas de que maneira a atividade física atua? Ela libera substâncias que estimulam a proliferação dos neurônios e fortalecem as conexões entre eles, que a gente chama de sinapses. Esse fator neurotrófico, como costumamos dizer, tem como principal exemplo o BDNF.

Além disso, há comprovações de que o exercício físico melhora a função executiva. Tanto os aeróbicos quanto os de força demonstram ganhos na atenção, na velocidade de processamento das informações, na memória de trabalho e também na capacidade de planejamento e tomada de decisão. Tudo isso está envolvido.

Com a prática regular, o fluxo de sangue melhora no corpo inteiro, porque o desempenho do coração e da circulação se eleva — e o cérebro, claro, também se beneficia.

Outro ponto importante: a atividade física previne uma série de problemas que afetam a cognição. De forma indireta, quem se exercita tende a apresentar menos depressão, menos ansiedade, menor pressão arterial, menor risco de diabetes, controle melhor do colesterol e uma qualidade de sono superior. Todos esses fatores interferem no funcionamento cognitivo, de forma direta ou indireta.

Por exemplo, uma depressão ou ansiedade mal controlada, principalmente a partir dos 70 anos, é um fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer. Um sono ruim, tanto em qualidade quanto em quantidade, também aumenta o risco de problemas cognitivos. E todos esses aspectos — especialmente os relacionados à circulação — influenciam diretamente a qualidade do envelhecimento cerebral.

Paulo Camiz

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Dr. Paulo Camiz é clínico geral, geriatra, professor da USP e membro do Corpo Clínico do Hospital Sirio Libanês.