Pódio internacional marca primeira edição do Mountain Do Vale Sagrado

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 25 maio, 2016

A primeira edição do Mountain Do Vale Sagrado dos Incas, no Peru, teve disputas entre corredores internacionais, já que vieram representantes do Uruguai, Argentina, Portugal e Alemanha, além de alguns peruanos e dos brasileiros que eram maioria. Os percursos de 42, 12 e oito quilômetros passaram por caminhos dos antigos Incas a uma altitude que chegou a 3.400m.

O domingo começou cedo para os 400 participantes que saíram da cidade de Cusco por volta das 7h para se dirigirem ao local da largada, a Vila de Huambutio. A pequena comunidade fez festa para os participantes, apresentando danças e músicas típicas de seus ancestrais.

A largada aconteceu na Vila de Huambitio. Foto: ALexandre Koda/ Webrun A largada aconteceu na Vila de Huambitio. Foto: ALexandre Koda/ Webrun

Antes do tiro de largada os organizadores pediram para os corredores pegarem leve no ritmo, já que o ar rarefeito reduz a capacidade cardiorrespiratória e aumenta a frequência cardíaca. Todos saíram pontualmente às 9h para um início de prova com cinco quilômetros de subida mesclando asfalto e trilhas.

Nos 42 quilômetros, o português Manuel Machado e o argentino Javier Seco saíram à frente logo de cara, deixando José Virgínio de Morais um pouco para trás. No primeiro posto de água, no quilômetro cinco, o brasileiro administrava o ritmo para evitar um desgaste excessivo. Enquanto isso, entre as mulheres, Renata Peixoto liderava soberana, tendo mais atrás Bárbara Lapertosa (Bita para os amigos) e Claudia Weise.

Manuel gosta das provas do Mountain Do. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Manuel gosta das provas do Mountain Do. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

No posto de abastecimento do quilômetro 30, Javier liderava um minuto à frente de Manuel e a quatro de José Virginio, que ainda precisa administrar o quarto colocado praticamente pisando em seus calcanhares. Nos últimos trechos de prova os staffs avisaram que o argentino caminhava com dores musculares, fato que fez o português tirar energias do além para ultrapassá-lo e vencer com 3h32min23.

Virginio também recebeu o aviso, aumentou as passadas, mas assim que o Hermano o avistou resolveu incorporar o Papa Léguas para evitar perder o segundo posto. Algoz antigo do Rei da Montanha desde outras edições do Mountain Do, Javier terminou com 3h42min57 contra 3h44min19 do brasileiro.

“Eu estive na etapa do Deserto do Atacama e quando fiquei sabendo que teria uma no Peru logo me inscrevi, porque gosto do Mountain Do. Tive problemas com a altitude principalmente nas primeiras subidas, mas depois me acostumei”, afirma o português de Cascais, Manuel Machado, que se sentiu muito acolhido pela população que a todo o momento aplaudia e gritava palavras de incentivo nos vilarejos. “Certamente eles nunca tinham visto ninguém correndo por lá”.

Javier teve problemas no final da prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Javier teve problemas no final da prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

“Foi uma corrida tão bonita quanto dura. No final não tinha mais forças e precisei caminhar, mas o carinho e receptividade do povo peruano me fizeram continuar”, relata o segundo colocado Javier. “Moro ao nível do mar, em Santa Fé, na Argentina, e quando corro na altitude me sinto um pouco mal. Mas estou feliz com o pódio e parabenizo a organização pela ótima prova”.

“Já me tornei um Inca depois dessa prova. Correr os 42 quilômetros aqui foram mais difíceis do que 30 na rua”, comenta Virginio. “Tive cautela do começo ao fim e a altitude junto com a parte técnica da prova me limitaram a um ritmo de 5 a 5min05 por quilômetro bem no limite. Mas a organização está de parabéns e estou feliz com a meta alcançada”.

Virginio correu com o quarto colocado em seu encalço. Foto: ALexandre Koda/ Webrun Virginio correu com o quarto colocado em seu encalço. Foto: ALexandre Koda/ Webrun

Entre as mulheres, Renata manteve a ponta até o terço final da prova enquanto Claudia e Bita lutavam contra o cansaço, uma puxando a outra para evitar um possível abandono. Com isso, Claudia foi perdendo terreno e acabou ultrapassada pela dupla de amigas que no último instante decidiu quem cruzaria em primeiro. Melhor para Bitaa, que fechou em 4h51min03, seguida por Claudia com 4h51min16 e Renata com 5h14min08.

“Eu não entrei para vencer a prova, ainda mais porque senti muito a altitude logo na primeira subida. Eu estava com uma mochila muito pesada no início, sofri até deixá-la pelo caminho e ainda segui um pessoal dos 20 quilômetros pensando que fossem da maratona”, conta Bita, que teve que fazer uma prova de recuperação. Ela chegou a pensar em desistir, mas recebeu incentivos de Claudia para seguir no caminho. “Esse primeiro lugar é meu e dela”.

Bita e Claudia decidiram no final quem venceria a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Bita e Claudia decidiram no final quem venceria a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A segunda colocada, Claudia, diz que o mais complicado não foi o nível técnico da prova, mas sim a altitude. “O mais desafiador foi correr na altitude. Corri junto com a Bita desde o quilômetro 15 e no final eu disse pra ela chegar em primeiro que eu viria alguns segundos atrás”, relata a alemã radicada em Belo Horizonte.

Já Renata, disse que não sentiu dificuldades com a respiração. “Parecia que algo estava diferente no rendimento, mas eu posso dizer que venci o Vale Sagrado. O grande diferencial foram as pessoas, com a comunidade toda engajada para nós. Eu me emociono só de lembrar deles fazendo um corredor para tocar nas nossas mãos”.

Renata perdeu forças no fim da prova. Foto: ALexandre Koda/ Webrun Renata perdeu forças no fim da prova. Foto: ALexandre Koda/ Webrun

Nos 20 quilômetros a vitória ficou com Edinilson Cardoso (1h27min51), seguido por Rojany Amarildo De Souza (1h29min06) e Jabson Batista Ascenso (1h33min26). No feminino quem levou a melhor foi Rosimeire Cemin Da Luz (1h54min34), seguida por Raquel De Almeida Macedo Freitas (2h03min26) e Claudia Renate Wagner.

Por fim, nos oito quilômetros o título foi para Anna Clara Sancho De Oliveira (51min08), seguida por Sarila Hali Kloster Lopes (53min43) e Denise Sette Rocha De Menezes (53min51). No masculino Anderson Rocha Montoro venceu com 40 minutos cravados, seguido por Ruben Andres Apud Tourn (41min12) e Athos Cajado Azevedo Mesquita (43min23).

O acolhimento do povo peruano fez toda a diferença para os atletas. Foto: Alexandre Koda/ Webrun O acolhimento do povo peruano fez toda a diferença para os atletas. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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