Novo recordista de maratona pode ser competitivo por mais 10 anos

Redação Webrun | Maratona · 29 set, 2014

Poucas horas depois de levar a maratona a um novo território com a marca de 2h02min57 com sua vitória na Maratona de Berlim, o queniano Dennis Kimetto parou para refletir sobre seu feito e o prognóstico para seus adversários não é dos melhores. Aos 30 anos de idade, ele acredita que pode competir em alto nível por mais cinco anos ou mais.

“Na verdade acho que posso ser um ótimo corredor por mais uns dez anos, até os 40”, declarou Kimetto nessa segunda-feira com uma expressão de quem está realmente falando sério. Sentado ao lado de seu amigo e companheiro de pistas Wilfred Kigen, ele revelou por trás do jeito tímido um homem de garra e uma determinação inspirada nos duelos de Paul Tergat versus Haile Gebrselassie que via na televisão, além de uma infância pobre.

“Não tínhamos televisão ou rádio em casa, então nas Olimpíadas de Sidney 2000 fui ao centro comunitário da minha vila para assistir. E a memória de Haile contra Tergat me inspirou e pensei que talvez pudesse competir nesse nível”, lembra o novo recordista de maratona.

Kimetto vem surpreendendo o mundo nos últimos anos. Foto: SCC EVENTS/ Jiro Mochizuki Kimetto vem surpreendendo o mundo nos últimos anos. Foto: SCC EVENTS/ Jiro Mochizuki

Mas a jornada não foi fácil para um garoto que cresceu numa família de quatro irmãos e três irmãs e cujos pais viviam da agricultura numa fazenda próxima a Kapngetuny (a 255 quilômetros da capital Nairobi). Durante boa parte da infância Dennis teve que trocar a escola pelo trabalho na pequena porção de terra, mas em 2008 decidiu que iria se dedicar ao atletismo. E o apoio dos pais foi total.

Apoio famililar

“Meu pai me disse: dê o seu melhor, faça a diferença e mude a sua vida”, relembra Kimetto voltando num passado recente de seis anos que mudaram sua vida e de sua família graças aos rendimentos da corrida. O destino lhe pregou uma peça (no melhor sentido da expressão) e para ele a frase “estar no lugar certo na hora certa” nunca fez tanto sentido quanto no dia em que ele conheceu Geoffrey Mutai enquanto treinava perto de sua casa em 2010.

Ele estava diante do futuro recordista (não oficial) de Maratona, que em 2011 marcaria 2h03min02 em Boston (prova não válida para homologação de recorde mundial). Mutai liderava um campo de treinamento nas proximidades e convidou o jovem compatriota a se juntar a ele naquele dia. Impressionado com a performance, o convidou para ser parte permanente do grupo.

E a aposta se provou válida, já que ele venceu diversas provas domésticas, incluindo a Meia Maratona de Nairobi (1h01min30) numa condição de altitude que certamente melhorou sua performance significativamente. Porém, mais uma vez ele provou seu talento ao vencer a Meia de Ras Al Khaimah nos Emirados Árabes Unidos em fevereiro de 2012 com 1h40.

“Levantei a cabeça na linha de largada, olhei ao redor e fiquei com medo ao me deparar com corredores como Wilson Kipsang (bicampeão da Maratona de Londres e bronze na Olimpíada do mesmo local)”, relembra o ousado corredor que derrotou o field estrelado com 1h40. Seis semanas depois ele baixou a marca de uma hora na Meia ao faturar a Vattenfall Berlim Half Marathon (59min14) e logo em seguida um recorde mundial dos 25 quilômetros também em Berlim.

Debut

A estreia nos 42 quilômetros veio em grande estilo ao completar a prova de Berlim 2012 um segundo atrás de Geoffrey Mutai e a cada prova ele parecia imbatível. Em 2013 quebrou o recorde do percurso das provas de Chicago e Tókio, mas uma lesão no músculo posterior da coxa obrigou o abandono na prova de Boston em abril desse ano. Mas Kimetto provou que, além de ótimo corredor, também se recupera facilmente.

Aos 30 anos o queniano cravou seu nome na história do atletismo. Foto:  SCC EVENTS/PHOTORUN Aos 30 anos o queniano cravou seu nome na história do atletismo. Foto: SCC EVENTS/PHOTORUN

“Quando perguntei ao médico no Quênia como Dennis estava se recuperando da lesão para a Maratona de Berlim, ele disse: ‘número um, Dennins será o número um'”. comenta o empresário do queniano, o holandês Gerard van de Veen.

Ao se tornar o primeiro homem da história a baixar a marca de 2h03 e melhorar o antigo tempo (de Wilson Kipsang) em 26 segundos, Kimetto pode relaxar e planejar o futuro com calma. E esse resultado torna natural a pergunta sobre a possibilidade de um tempo sub 2h é possível em pouco tempo.

Um sorriso e um aceno de cabeça não podem ser interpretados como resposta definitiva, visto ele ainda estar “anestesiado” por sua conquista e também de não falar inglês com segurança. Mas, com base nos feitos de Dennis Kimetto numa curta carreira internacional até o momento, não podemos prever seus limites.

Este texto foi escrito por: Webrun

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