Mudança de perfil e comportamento no mundo do Trail Run

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 17 jul, 2014

Olá Trail Runner, tudo bem? Demorei um pouco a escrever sobre esse tema mas acho que todos nós devemos refletir um pouco após sua leitura.

Tenho observado nas provas das quais participo e em posts de redes socias, o perfil de atletas que migraram para o Trail Run e não estão fazendo bem para a modalidade. E o pior, acabam contaminando aqueles que já se encontravam há bastante tempo.

O Trail Run sempre foi um local de confraternização, simples, humilde, respeitoso, sem vaidades. Quem teve/tem o prazer de poder correr uma prova fora do país, não digo América do Sul, mas EUA e Europa, pode perceber bem essas diferenças. Vou tentar listá-las e usar palavras suaves.

Cruze a linha de chegada! Viva a experiência da prova trail run com tudo que ela tem a oferecer! Foto: Alexandre Koda/Webrun Cruze a linha de chegada! Viva a experiência da prova trail run com tudo que ela tem a oferecer! Foto: Alexandre Koda/Webrun

Atletas de elite: alguns, se acham acima do bem e do mal. Acham que tem que ter todas as mordomias possíveis, que são indispensáveis para o sucesso da prova, que tem que ter salários, mega patrocínios, entre outras coisas. O que fazem em troca? O mínimo que deveria ser feito, seria permanecer algum tempo no local de retirada de kits para atender aos amadores, participar do congresso técnico, participar da coletiva de imprensa, participar da cerimônia de premiação. O mínimo! Compare com os atletas lá de fora. Não digo que são todos, mas garanto que são bem mais acessíveis.

Lá fora, os atletas de elite não recebem salários! Não vivem do Trail Run. Tem suas profissões e correm por prazer, por hobby. O Trail Run ainda é um esporte sem transmissão por canais de TV, não tem nenhuma cobertura à exceção de atualização de notícias via internet. Então por que os atletas daqui acham que tem que ganhar salário para competir. O único atleta brasileiro de corrida com bom padrão de vida se chama Marilson Gomes dos Santos. Conhecem mais alguém?

Atletas amadores: estão presos a detalhes! Questionam que a prova era de 50 quilômetros e deu 51.9! Não estudam o percurso e daí querem marcação a cada 10 metros! Não lêem o regulamento e dizem que faltou água. Não reconhecem e não admitem que não estavam preparados fisicamente para tal distância ou tal percurso. Reclamam da camisa do kit! Ficam obcecados por classificação por faixa etária, geral e acabam não tendo prazer nenhum correndo, apreciando as paisagens, fotografando lugares que jamais conheceriam se não fosse pela corrida.

Por que acontecem diferenças nas distâncias de provas trail run?

Fazer o melhor é o que sempre buscamos. Não importa se ganhou, chegou em segundo, 29º ou último lugar. Tem que saber que deu o melhor que tinha pra dar. E mais, tem que chegar feliz por mais um desafio vencido e com boas lembranças para contar aos amigos e familiares.

Organizadores: prometem mais coisas do que podem cumprir, não limitam o número de inscritos às vezes, superlotando a prova e causando engarrafamentos enormes, colocam o lado financeiro muitas vezes acima do real espírito Trail Run (vejam a coluna Trail é Poesia). Outro ponto: superlotação de datas para provas. Deveria ter um encontro entre organizadores locais para avaliarem as datas das provas. E com o tempo, o atleta iria selecionando o que ele acha quais provas valem realmente a pena.

Encontro-me nas 3 situações descritas e já me peguei cometendo esses erros. Fiz minha auto-crítica e estou me transformando. Gosto das coisas simples, correr, cruzar a linha de chegada e tomar uma cerveja para confraternizar com os demais atletas. Não me inscrevo em provas preocupado com a camisa que vou ganhar, procuro dar atenção a todos aqueles que me solicitam, de preferência com uma latinha na mão, se corri 108k ao invés de 100k, vou comemorar mais ainda minha chegada. Se errei na marcação da prova em algum ponto, vou me desculpar. Escutar os envolvidos é sempre bom. Aprendemos sempre. Eu voltei a me descobrir. Tinha perdido o prazer de correr mas já estou no trilho (a) certo! Gosto de correr Trail Run! Gosto de trabalhar no Trail run!

E você, consegue fazer sua autocrítica?

Cruze a linha de chegada!

Este texto foi escrito por: Manuel Lago

Redação Webrun

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