Mizuno Uphill 2016: dicas para todas as distâncias

Redação Webrun | Sem categoria · 29 ago, 2016

Foto: André Motta Foto: André Motta

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Neste final de semana, as cidades de Treviso e Lauro Muller, (ambas em Santa Catarina), vão ficar em polvorosa. A atípica agitação já acontece há 4 anos e tem uma razão: as cidades são anfitriãs da Mizuno Uphill Marathon que, neste ano, tem um monte de novidades e acontecerá no dia 3 de setembro. Apesar de ser nova no calendário de provas desafiadoras, a Uphill já se consagrou pelo seu percurso implacável: 42 km compostos de subidas até a Serra do Rio do Rastro, no sul do estado de Santa Catarina. A largada acontece a partir da acolhedora Treviso, por onde os atletas transitam até se enveredarem pela subida da serra, que tem um caminho gélido, porém belíssimo, repleto de mata.
Marcos Gagliardi, ultramaratonista, já correu duas vezes a prova e garante: é uma experiência fantástica. “Todo o clima e cuidado com os atletas me fez guardar as lembranças da prova para sempre”, conta o atleta, que já participou de vários desafios cobiçados por ultramaratonistas, como a Comrades. “Sempre estou em busca de novos desafios e a Uphill me testou com suas curvas e inclinações”, completa Gagliardi, que neste ano não conseguiu entrar no desafio. Embora o cenário seja completamente outdoor, os atletas não irão se aventurar por caminhos de trilha, barro e afins, apenas o duro asfalto, que promete castigar todo o time de corredores.

Marcos Gagliardi na última edição da Mizuno Uphill, que foi noturna. Foto: Arquivo pessoal. Marcos Gagliardi na última edição da Mizuno Uphill, que foi noturna. Foto: Arquivo pessoal.

Novidades da edição

A Uphill não é um desafio como os outros e possui critérios de avaliação para que o atleta participe com segurança. Feita a pré-inscrição, a organização define os participantes via sorteio, pois as vagas são limitadas. Ou seja, é assunto para gente experiente, que já tem uma certa bagagem de corrida, principalmente longas distâncias. Neste ano, a prova não contará apenas com os tradicionais 42 km, mas também com 25 km e a dobradinha Samurai, que consiste em correr os dois desafios no mesmo dia. Então, se você tinha dúvidas se era moleza ou não, tenha certeza de que não é. “Esse tipo de prova não é para iniciantes. O atleta precisa ter consciência de que encarar uma prova como essa é preciso estar muito bem treinado, pois o risco de ele ter uma lesão é muito grande”, alerta Vanilson Neves, treinador da Subelite Assessoria Esportiva, em São Paulo.

As largadas acontecerão em locais e horários diferentes para manter a organização e para permitir que os “samurais” consigam fazer as duas distâncias. A primeira largada será a dos 25 km, na cidade de Lauro Muller, às 7h; e os atletas dos 42 km saem de Treviso, às 15h. Nos dois desafios há um horário limite para a chegada, que é 22h30.

Vai correr a prova? Veja as dicas finais do treinador Vanilson Neves antes de encarar a subida, seja qual for a sua distância.

25 km

Mapa do percurso dos 25 km. Foto: Reprodução/Mizuno Uphill Mapa do percurso dos 25 km. Foto: Reprodução/Mizuno Uphill

“É de suma importância que a pessoa tenha outras experiências com esse tipo de prova, pois a grande dificuldade está nas subidas. Muitos atletas não estão acostumados a fazer esse tipo de treino no dia a dia, o que exige ainda mais cautela”, explica Neves.
Segundo o treinador, o ideal é que o participante esteja com um volume de treino que varia entre 45 km e 60 km semanais. Além disso:

– Alguns tipos de treinos devem ser incluídos à rotina do corredor que irá participar de um desafio assim. Bike indoor (spinning), treinos em escada, rampas e musculação. Também é imprescindível conter na planilha treinos longos, intervalados e de rodagem.

– Se você nunca encarou uma prova desse tipo, faça a prova com o objetivo de terminar bem o percurso, sem se preocupar em baixar o pace, pois o percurso é totalmente diferente das demais provas.

– No início da prova, quando a altimetria ainda é menor, procure fazer um ritmo confortável para qual você não possa chegar totalmente esgotado nos últimos 8 km de prova, em que as subidas são totalmente insanas. E esse é o grande momento de poder intercalar corrida com caminhada.

– Como as curvas da serra são mais fechadas, faça uma boa tangência para não perder tempo e, principalmente, energia. Nosso leitor Alexandre Vinagre lembra que o trecho de curvas deve ser feito sempre à direita, nunca à esquerda. Essa regrinha e outros termos podem ser conferidos no manual da prova. Não deixe de ler para não ser pego de surpresa por conta de um desclassificação.

42 km

Mapa do percurso dos 42 km, com altimetria e respectivos postos de hidratação. É muito importante estudar o percurso antes de topar qualquer desafio. Foto: Reprodução/Mizuno Uphill Mapa do percurso dos 42 km, com altimetria e respectivos postos de hidratação. É muito importante estudar o percurso antes de topar qualquer desafio. Foto: Reprodução/Mizuno Uphill

Diferente das maratonas pelas ruas, esta inclui um grau de dificuldade acima pela altimetria de 1419 m. As dicas não são muito diferentes em relação aos 25 km, o que muda é o volume de treino, e claro, trata-se de praticamente o dobro da distância. Sendo assim, estrear nos 42 km em uma prova assim é perigoso. Uma maratona por si só é altamente desgastante e leva dias para se recuperar.

– Assim como nos 25 km, o que vai te ajudar a fazer uma boa prova é a sua experiência e estratégia. Gerencie o pace de acordo com a dificuldade do momento e não pegue pesado nos primeiros quilômetros para não perder energia para os 8 km finais de subidas mais íngremes.

– Esta é uma recomendação geral, mas é importante conversar com o seu treinador para a melhor estratégia de acordo com o seu preparo e objetivo.

Desafio Samurai 67 km

– O time dessa ultra é seleto e limitado: apenas 25 pessoas irão fazer a dobradinha, que tem largadas distintas. O que mais vai “pegar” nessa ultramaratona é o tempo de recuperação entre as provas, já que não é um desafio ininterrupto. Um preparo específico voltado para esse break é muito importante e deve ser planejado com seu treinador. No entanto, há dicas que podem te ajudar a se sair bem, independentemente da forma como você vem conduzindo o treinamento.

– Assim como cada desafio exige o seu currículo, com o Samurai não é diferente: é indispensável que o participante seja ultramaratonista.

– O segredo é dosar muito bem o ritmo da prova, já que você precisa completar os 25 km em 3h29min59s para estar nos 42 km no período da tarde. Você vai sentir bastante fadiga e terá apenas algumas horas para se recuperar. Portanto, valorize o seu psicológico para encarar ambos os percursos com sabedoria e cuidado.

– Faça crioterapia (imersão no gelo) entre as provas para acelerar o processo de recuperação e driblar a fadiga. O tratamento também possui efeito anestésico imediato, o que reduz as dores musculares.

– O volume de treino também muda, e pode variar entre 90 km e 120 km.

– Vale lembrar que o trabalho de fortalecimento muscular não pode ficar de fora durante a preparação. A assiduidade na academia irá prevenir o surgimento de lesões, que são bem comuns em desafios de resistência.

Dicas para todos os desafios

– Os cuidados com a alimentação, hidratação e descanso devem ser prioridade. Então, nada de extravagâncias ou comer ou beber algo que não faz parte do seu cardápio habitual. Dessa forma, o corpo a um cuidado especial com à alimentação, hidratação e o mais importante, o descanso.

– Um dos grandes desafios para o atleta amador é poder conciliar treinos, família, trabalho e outras responsabilidades. Por isso, seu planejamento precisa ser cumprido para o sucesso durante e depois da linha de chegada. A ajuda de um treinador para te incentivar e orientar é essencial para não perder a motivação.

– O local da prova pode ter um visual surpreendente, mas de nada adianta se o preparo físico e psicológico não estiverem alinhados. Sem isso, não há contemplação e a experiência com o desafio pode ser traumatizante.

– Mesmo que não esteja com sede, hidrate-se em todos os postos disponíveis.

– Não estreie nenhum equipamento ou vestuário no dia da prova. Você já terá o desafio de resistir à longa distância, e um desconforto extra pode comprometer esse objetivo.

– O uso de gel de carboidrato é bem-vindo, mas se você não tem o hábito de consumi-lo durante provas ou treinos, não o faça na Uphill. E se possui o costume, ingira uma marca a qual já faz uso.

– Chegará em um determinado momento em que o cansaço físico e metal será muito grande. Portanto, lembre­-se do quanto você se esforçou para essa preparação, e que existem pessoas torcendo pela sua conquista. Foque nesse pensamento para manter o objetivo na linha.

Este texto foi escrito por: Amanda Preto

Redação Webrun

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