Atualizada em 19/08 às 12h57
A sétima edição da Indomit Bombinhas Marathon teve forte calor, atletas esgotados, disputas pela liderança e muita festa entre os mais de mil corredores que participaram nesse sábado (15/08) das distâncias de 42, 21 revezamento e 12 quilômetros. O título mais uma vez ficou com o atleta da casa, Giliard Pinheiro, que mesmo esgotado fez jus ao título de Rei de Bombinhas.
Logo cedo os corredores coloriram a praia. Foto: Alexandre Koda/ WebrunPouco antes das 8h a praia de Bombinhas em frente à Pousada Vila do Farol já estava tomada por corredores, que coloriam a paisagem com suas camisetas representando as mais diversas assessorias esportivas, patrocinadores e outras marcas. O clima nublado e a brisa fresca que soprava do mar prometiam um dia com condições perfeitas para a disputa de uma maratona trail e, quiçá, novo recorde da prova.
Com essa condição favorável, a maioria dos corredores sentou a bota logo de cara, inclusive Cleiser Alves dos Santos, que nos primeiros quilômetros assumiu a liderança e passou a manter boa diferença para Giliard e Fernando Beserra. Com pouco mais de uma hora de prova, porém, a cortina de nuvens se abriu, o astro rei deu as caras e a temperatura subiu às alturas.
O Rei de Bombinhas sofreu bastante na prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunCleiser não suportou muito tempo e pouco depois da primeira metade da prova abandonou, deixando caminho livre para Giliard e Fernando iniciarem um duelo de gigantes. O então pentacampeão da prova não queria deixar barato para o campeão de 2013 da maratona Red Bull Amazônia Kirimbawa.
Conhecedor de cada centímetro do percurso, Giliard acelerou para evitar surpresas nos trechos finais de praia e trilha, mas a fadiga era visível e o catarinense em diversos momentos alternava trotes com caminhadas. Beserra seguia atrás correndo com a alma na tentativa de estragar a festa do adversário.
Ao final, o rei manteve sua coroa ao cruzar em primeiro com 3h37min53, tempo quase 30 minutos superior ao recorde obtido por ele mesmo em 2009. O único corredor que conseguiu desbancar o pescador e pintor foi o argentino Christian Mohamed, em 2013. Fernando Beserra chegou logo depois com 3h39min54, seguido por Geison Ignácio com 3h49min16.
Beserra tentou de todas as formas alcançar o campeão. Foto: Alexandre Koda/ WebrunFoi a prova mais difícil de todas as edições, com muito calor e muitas dores. Confesso que pensei em parar algumas vezes, desabafa Giliard. Pensei que o Cleiser fosse levar dessa vez, mas como ele veio de duas ultras de 180 quilômetros, estava cansado e me aproveitei disso, completa. Para obter mais essa vitória, ele contou com um marcador de ritmo muito especial: um cachorro de rua que correu à frente durante todo o percurso, como faz todos os anos. Ele não deixou o corredor sozinho em nenhum obstáculo e, como recompensa, ganhou uma medalha de finisher.
Para Beserra, que assim como Giliard também esteve no pódio de todas as edições da prova, a Indomit Bombinhas já faz parte de seu calendário anual. Eu corro mais provas de asfalto, mas gosto de vir aqui e é sempre uma superação. A cada ano acontece alguma coisa diferente, como a chuva forte de 2014 e o sol de hoje, mas é uma prova de tirar o fôlego.
Já o curitibano Geison, preferiu não arriscar demais. Depois do quilômetro 21 vi que o pessoal começou a quebrar, então tive que cuidar bem da minha hidratação. Ele afirma ainda que é corredor fiel da prova. Sempre participo dessa prova e costumo dizer que é padrão Indomit, ou seja, muito bem organizada.
Dobradinha de Anas no feminino
Na disputa feminina o pódio teve a presença de Anas nos dois degraus mais altos do pódio e de Ane no terceiro lugar. Isso porque a gaúcha Ana Gorini da Veiga foi a mais rápida (4h25min04), seguida pela paulista Ana Geovaneli (4h30min17) e pela catarinense Anemari Daczkowski (4h56min39).
Ana Gorini sofreu, mas venceu. Foto: Alexandre Koda/ WebrunAna Gorini dominou a prova, correndo na frente praticamente em todos os trechos, o que não significa que teve vida fácil pelas trilhas, costões e praias de Bombinhas. Até o quilômetro 21 eu consegui correr bem, mas a partir do 21 e 600 metros tive que andar, não teve jeito, conta a campeã. Ela diz ainda que a prova foi bastante técnica e que está entre as mais difíceis que já correu. Eu colocaria no top 10 das mais duras.
Já a segunda colocada, Ana Geovanelli, diz que o calor judiou dos corredores, principalmente na subida de asfalto do Morro da Tainha. Ela correu pela terceira vez a prova e colocou como meta alcançar o primeiro lugar. “Comecei nas corridas de montanha em Bombinhas. No primeiro ano fui 16ª, no segundo fiquei em sexto e a minha vontade é ganhar. Vou correr aqui até chegar em primeiro”, relata. Apesar das dificuldades, ela se declara apaixonada pela competição. “Ela é linda e com um visual incrível”.
Ana Ana Giovanelli tem como meta vencer a prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunA próxima prova com o selo Indomit será a Costa Esmeralda, marcada para o dia 7/11 com distâncias de 100, 80, 50, 21 e 12 quilômetros. Ainda há inscrições para algumas modalidades pelo site www.bombinhasrunners.com.br/costaesmeralda.
O cão maratonista acompanhou o campeão durante todo o percurso. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEste texto foi escrito por: Alexandre Koda