Medo da subida? Confira dicas dos corredores que não fogem delas

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 30 mar, 2016

Quem nunca encarou uma pirambeira íngreme e assustadora, de fazer muito corredor desistir ou acabar com o emocional naquela prova tão sonhada? O educador físico Cauê Amorim, da assessoria esportiva 4any1, indica que a melhor forma de enfrentar a subida é sempre mantendo um ritmo. “Caso seja uma ladeira muito íngreme aconselho a caminhar em um ritmo forte, lembrando de inclinar o tronco para frente, melhorando o gesto mecânico”, diz.

Segundo Cauê, locais onde o piso é mais rígido como asfalto e terra batida, há uma maior facilidade em transformar força de membros inferiores em deslocamento. Já em pisos macios, como areia e grama, perde-se um pouco de torque exigindo um maior desempenho para manter o ritmo.

Para Rafael Sodré, policial do Bope e corredor, seu melhor desempenho acontece com o pé na terra e no mato. “Na minha visão trabalhamos diferente os terrenos, já que na montanha a velocidade é menor e fazemos mais força, é mais técnico e no asfalto costumam ter subidas mais pesadas e com grande desgaste”, conta.

O treinador Manuel Lago indica que o corredor mantenha sempre uma frequência de passadas altas com comprimento menor (amplitude menor) e um bom “swing” de braços. “Devemos acelerar os braços para coordenar melhor com as pernas e inclinar o corpo levemente à frente. Pisar com o médio e antepé, forçar bem as panturrilhas e concentrar a respiração, sem medo”. Lembrando que se o pace começar a ser muito lento é hora de mudar para uma caminhada mais forte, como o power hiking.

Sua mente, sua força

A ultramaratonista Rosalia Camargo Guarischi usa sua mente como principal arma para vencer a tão temida subida. “Sempre penso que há um final, mesmo que não esteja visualizando eu foco na chegada ao topo e sigo em frente. Vou caminhando rápido, sinto que é mais eficiente e menos cansativo, assim me poupo nas subidas e costumo acelerar nas decidas”. Rosalia gosta mesmo é das subidas nas montanhas onde a variedade de piso, segundo ela, ajuda a quebrar a monotonia.

Rosalia em subida assustadora no UTMB Foto: Arquivo Pessoal Rosalia em subida assustadora no UTMB Foto: Arquivo Pessoal

O caveira Sodré não deixa que os pensamentos de desistência cheguem perto. “Mantenho a cabeça no lugar e os pensamentos longe, penso na vida e que aquilo vai acabar mais cedo ou mais tarde. Em uma subida muito forte às vezes mudo para uma caminhada de passos lentos e mais largos. Coloco a mão na coxa para dividir o peso com os braços e acabo rendendo mais”.

Lago indica que o corredor foque em si e lembre-se que é mais forte do que qualquer obstáculo. “Você pode não fazer no tempo planejado, mas vai conseguir. A cabeça deve estar focada só naquilo, sendo treino ou prova. Problemas em outras áreas da vida podem nos levar a desistências, então não podemos deixar que isso nos afete”, lembra.

Este texto foi escrito por: Christina Volpe

Redação Webrun

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