Maratonista mais rápido do mundo corre 1440 km antes de uma prova

Redação Webrun | Meia Maratona · 15 ago, 2013

Mutai espera conseguir correr a meia do Rio abaixo de 60min (foto: Divulgação/ Adidas)
Mutai espera conseguir correr a meia do Rio abaixo de 60min (foto: Divulgação/ Adidas)

Geralmente Geoffrey Mutai leva dois meses para ficar pronto para uma maratona. Segundo ele, o período de treino é muito mais duro que qualquer prova e o único dia de folga é o domingo. Durante esse período de treinamento, a concentração é quase absoluta. As únicas estradas que o queniano enfrenta são as que cortam o Vale do Rift, ora a pé, ora de carro, já que o queniano dificilmente deixa seu país para cumprir sua agenda de compromissos com patrocinadores.

Mutai está desde quarta-feira (14/08) em São Paulo. E durante a sua primeira visita ao Brasil o maratonista mais rápido do mundo (2h03min02, em Boston 2011) correrá os 21 quilômetros da 17ª Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro. Apesar de ter um tempo abaixo do recorde mundial (2h03min38), a marca de Mutai não é homologada pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) pois ela foi conquista em Boston, prova que não cumprir alguns requisitos técnicos para isso. Ao lado do brasileiro Daniel Chaves, Mutai é o grande nome da competição carioca.

Saiba porque os recordes na Maratona de Boston não foram homologados

180 quilômetros por semana– Assim como quase todos os coredores quenianos, Mutai realiza seus treinamentos em um camp, uma espécie de clube somente para fundistas. Segundo ele, são aproximadamente 180 quilômetros por semana com descanso somente aos domingos. Mantendo essa média de quilometragem por dois meses, Mutai cobre cerca de 1440 quilômetros antes de encarar uma maratona. “Terça-feira é um dia difícil, pois fazemos o treino de velocidade. São cerca de 20 quilômetros percorridos. Mas o grande dia é a quinta-feira”, define o maratonista.

Mutai explica que nesse dia os cerca de 70 fundistas em seu clube saem em conjunto para rodarem entre 38 a 45 quilômetros pelas acidentadas estradas do interior do Quênia. “O ritmo não é devagar. É sim mais lento que uma corrida, pois a gente passa por muitas colinas, mas é como se fosse uma prova sendo disputada entre nós. E mesmo apesar da dificuldade, é o treino mais aguardado da semana”, afirma.

Dono da melhor marca do mundo em maratonas (2h03min02), Mutai percorre cerca de 180 quilômetros por semana, por dois meses antes de uma prova - Foto: Divulgação/ Adidas
Dono da melhor marca do mundo em maratonas (2h03min02), Mutai percorre cerca de 180 quilômetros por semana, por dois meses antes de uma prova – Foto: Divulgação/ Adidas

Durante as semanas de treino, Mutai explica que não há tempo para outras atividades a não ser correr e fisioterapias. Normalmente, os treinos de musculação ficam para após as provas.

Escola queniana– Cumprindo esse ritmo intenso de treinamento, Mutai já acumula o campeonato da World Marathon Majors (WMM) 2011/2012 e os títulos das maratonas de Nova York e Boston, em 2011 e Berlim, em 2012 no seu currículo. Para 2013 o queniano encarará a Meia do Rio e ainda mais uma WMM.

“Nós encaramos os treinos como se fossem uma aula e as provas como exames. Se você se dedica bem durante as aulas, você terá bons resultados nos exames”, exemplifica. A partir dessa analogia, Mutai é um exemplo vivo e vencedor que a metodologia utilizada pela escola queniana de corredores de fundo é vitoriosa. Tanto que entre os dez melhores maratonistas de todos os tempos, sete são quenianos (Duncan Kirong e James Kwambai têm a mesma marca, 2h04min27).

Apesar de toda essa estrutura e motivação por parte dos atletas, o maior celeiro mundial de maratonistas ainda não tem uma estrutura muito invejável. Tanto que Mutai não tinha certezas se seria selecionado para correr a maratona do Mundial de Atletismo, que acontece no próximo dia 17. “Os critérios de seleção no Quênia não são claros, por isso, quando surgiu a oportunidade de vir para cá correr no Rio, não pensei duas vezes”, diz o simpático africano.

Sem os tênis– Domingo será um dia importante para Mutai, pois pode decidir quais serão as prioridades do fundista durante o atual ciclo olímpico. “Estou confortável em estar aqui e isso facilita bastante a minha volta, caso eu tenha condições de correr em 2016”, explica.

Mutai não tem treinadores, ele mesmo define seus exercícios e afirma só ter uma coisa em mente quando ouve o estampido do tiro de largada. “Só penso no tempo e no meu sucesso. Corro porque eu gosto e contra o tempo. Foco na linha de chegada e no relógio”, afirma.

Com os pés descalços o queniano prefere aproveitar seu tempo livre assistindo à televisão. Filmes e esportes, como o boxe e o futebol são seus preferidos, mas Mutai só se limita a torcer. A sua última experiência em outra atividade atlética fora a corrida não foi das melhores.

O fundista queniano, campeão do biênio 2011/2012 do circuito WMM, se arriscou uma vez com a bola nos pés, mas a experiência não foi das melhores - Foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons
O fundista queniano, campeão do biênio 2011/2012 do circuito WMM, se arriscou uma vez com a bola nos pés, mas a experiência não foi das melhores – Foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons

Torcedor do Arsenal, da Inglaterra, Mutai experimentou o futebol uma vez, mas o resultado foi desastroso. “Eu não estava de chuteiras, então resolvi jogar descalço e mesmo sendo mais rápido que todos os outros eu não me dei bem com a bola. Fora que no final do jogo meus pés ficaram cheios de bolhas e eu mal conseguia andar”, relembra aos risos.

O queniano sabe que é franco favorito para o primeiro lugar no domingo, mas mesmo assim desconversa sobre os objetivos para os 21 quilômetros na capital fluminense. “Espero que esteja frio por lá, prefiro correr em temperaturas mais baixas, mas eu acho que é possível correr abaixo de 60min”, encerra.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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