Maratona: superando o desafio (parte II)

Redação Webrun | Maratona · 06 maio, 2012

Em muitos casos a água pode ser até prejudicial para o atleta (foto: Nat Merry/ Stock.Xchng)
Em muitos casos a água pode ser até prejudicial para o atleta (foto: Nat Merry/ Stock.Xchng)

No primeiro artigo sobre o tema, o Professor Newton Nunes abordou a questão do treinamento para a maratona. Na segunda parte ele vai falar sobre a importância da hidratação.

A hidratação é muito importante para garantir um desempenho adequado nas maratonas. A quantidade de água ou fluidos ideal para as provas depende da superfície corporal do corredor e das condições climáticas no momento da prova. Sabe-se que em uma temperatura de 35ºC e 50% de umidade relativa do ar, o exercício físico já se torna inadequado, pois o corpo humano não é capaz de trocar calor com o ambiente de maneira eficiente.

Fala-se que são necessários dois litros de água por dia para um indivíduo normal, apenas para repor suas perdas diárias. Mas para se hidratar adequadamente é preciso mais do que isso. Normalmente, para os atletas de elite, é interessante monitorar o peso antes e depois da atividade física, assim como a temperatura e umidade relativa do ar. Com esses dados, fica mais fácil saber o quanto se deve repor. Como regra geral vale o exemplo: para cada 0,5 quilos de peso perdido, recomenda-se tomar 500 ml de líquidos.

Sabe-se que uma desidratação leve (um a dois por cento do peso corporal perdido) já acarreta no início do aumento da temperatura corporal em até 0,4˚C para cada percentual subsequente de desidratação. Perdas de 3% do peso já incorrem em prejuízo importante do rendimento e, quando esse número chega entre 4 a 6%, pode ocorrer fadiga térmica. Acima de 6%: risco de choque térmico, coma e morte.

Reposição – Em uma Maratona, podem-se perder três quilos em média, tornando necessária a ingestão de aproximadamente três litros de água durante a prova, que poderiam ser divididos em 500 ml a cada 30 minutos de prova, aproximadamente, para um indivíduo que vai completar a prova em cerca de três horas. Isso vai variar muito conforme o caso e os treinos serão fundamentais para dar maiores indícios sobre a estratégia de hidratação.

É muito importante que o profissional da educação física e nutrição saibam como será realizada a reposição de água durante a prova e em quais quilômetros estarão os postos de abastecimento. A água pura, apesar de melhorar o desempenho em atividades motoras inferiores a uma hora, é ineficiente em repor as grandes quantidades de sódio e, em menor grau, cloro e potássio perdidos através da transpiração. Assim, ela não previne o risco de hiponatremia (baixa quantidade de sódio no corpo), que pode ocorrer na prática de atividades prolongadas como a maratona.

Ao contrário, sua ingestão excessiva sem a devida reposição de sódio perdida no suor parece estar relacionada com a ocorrência da hiponatremia, podendo levar a alteração na consciência, apatia, náuseas, vômitos e convulsões. Com isso, sugere-se ingerir bebidas isotônicas com concentração adequada de minerais e carboidratos, as quais apresentam comprovadamente bom esvaziamento gástrico.

Com as medidas citadas anteriormente, o corredor poderá obter um melhor desempenho durante as provas, além de obter uma melhor termorregulação corporal e, principalmente, sua integridade física preservada.

Acompanhem a continuidade deste assunto na parte III, que será publicada em breve. Aguardem…

Este texto foi escrito por: Newton Nunes

Redação Webrun

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