No último dia 28 de setembro,o queniano Dennis Kimetto deu o que falar. O corredor participou da maratona de Berlim e bateu o recorde mundial com a marca de 2h02min57. Com esse novo recorde, ele levantou a discussão da possibilidade de algum atleta completar uma maratona abaixo de duas horas.
O consultor do Webrun, Nelson Evêncio, analisou os tempos em sua coluna e, para ele é possível que um novo recorde seja batido rapidamente, porém uma maratona sub duas horas ainda vai demorar. Esta ainda não é a geração que correrá a maratona em menos de duas horas. O recorde envolve a evolução dos treinos, da tecnologia e muito investimento, explica.
Dennis Kimetto é o primeiro homem a correr uma maratona abaixo de 2h3min Foto: Events/PhotorunMarco Antonio de Oliveira, um dos principais treinadores de fundo do atletismo brasileiro explica que um clima confortável ajuda para a quebra de um recorde, além da roupa: qualquer vento mais forte começa a complicar o pace. Então a roupa é algo importantíssimo.
O recorde pode impressionar muita gente, já que a média de pace de Kimetto foi de 2min54 por quilômetro, porém Nelson esclarece que os primeiros 21 quilômetros foram ritmados abaixo da capacidade de Kimetto. Marco afirma que, enquanto a passagem da meia maratona não for sub 58 minutos, ficará difícil pensar em um tempo a baixo de duas horas. Quanto mais baixo o tempo da meia maratona mais chance tem o atleta de se aproximar ou baixar das duas horas, é uma questão fisiológica, explica.
Os campeõs da Maratona de Berlim Foto: Events/PhotorunDopping
Marco afirma que o dopping para maratonistas tem uma limitação. Por mais que ele se dope existe um limite, é necessário saber seu limite genético, explica. Já Nelson acredita na evolução do dopping e da possibilidade de ele ser cada vez mais mascarado.
Mulheres
Com o recorde de Kimetto muitos se perguntam se é possível as mulheres também evoluírem o pace. Nelson Evêncio explica que o recorde de 2h15min25 de Paula Radcliffe é muito difícil de ser batido. Hoje as mulheres correm muitas provas, então é difícil focar em um recorde, as atletas precisam viver de corrida e conquistar títulos. Além disso Paula era excepcional, ainda não existem atletas capazes de superá-la, explica.
Histórico
Os recordes dificilmente saem do nada, mas podem acontecer fatos fora da curva, como o caso do brasileiro Ronaldo da Costa. Com 2h06min08 na Maratona de Berlim em 1998. Ele não queria correr a prova, mas bateu o recorde.
Este texto foi escrito por: Christina Volpe