
Corredor tem refletores de infravermelho colados ao corpo (foto: Raquel Castanharo/ Laboratório de Biofísica EEFE-USP)
Corredores que estiverem interessados em colaborar com a ciência do esporte tem uma grande oportunidade na capital paulista. O Laboratório de Biofísica da Escola de Educação Física e Esporte da USP (Universidade de São Paulo) realiza ao longo do ano diversas avaliações do movimento na corrida para utilizar os resultados em estudos.
Como é o teste– Os voluntários devem ir com roupa para corrida (shorts curto, o tênis é emprestado na hora) e correr há pelo menos um ano, com tempos menores do que uma hora em provas de dez quilômetros. Dependendo da pesquisa, a idade é um pré-requisito e o tipo de questionário a ser respondido pode variar.
No caso do tema das fisioterapeutas Raquel Castanharo e Cristina Alcântara, alunas de mestrado na EEFE-USP, são solicitados corredores de 18 a 30 anos ou com mais de 65. Estamos analisando ângulos de movimento desenvolvidos pela coluna, quadril, joelho e tornozelo, conta Raquel.
Depois de preenchidos os questionários, os voluntários têm refletores de infravermelho colados ao corpo para a captação de seus movimentos durante o teste, realizado em uma esteira. Um computador ao lado mostra a movimentação e o peso que cada passada tem, o que mede a sobrecarga nas articulações.
O corredor começa andando por um curto período para se adaptar à esteira, mais alta e larga do que o convencional. Depois é orientado a trotar e correr. Em tempo total, a avaliação dura pouco mais de uma hora, mas o tempo de corrida é relativamente curto.
Resultados– Sob orientação do professor Marcos Duarte, da Universidade Federal do ABC, alunos de mestrado e doutorado da EEFE-USP utilizam a estrutura do Laboratório de Biofísica para o estudo de suas dissertações e teses. Como o propósito é auxiliar nas pesquisas, a participação é voluntária e os resultados são enviados ao final dos estudos, em caráter de amostragem.
Além de colaborar com descobertas, os corredores participantes recebem uma análise informal. Sou fisioterapeuta especializada em análise de corrida e marcha, então consigo olhar para o que a pessoa está fazendo e dar um toque, um feedback verbal, diz a mestranda, exemplificando como apontamentos sobre postura e pisada.
Depois de finalizado o trabalho do Laboratório, especialistas poderão, por exemplo, prescrever reabilitação e treinamento adequados com base no que a pesquisa constatar. Um estudo anterior verificou que idosos andam com o pé mais aberto do que adultos. Nossa hipótese é que eles andam assim porque essa posição diminui a sobrecarga no joelho. A coluna de um idoso também é mais arqueada que a de um adulto, por isso queremos medir os dois correndo, para ver as diferenças, define Raquel.
Como participar– Interessados podem entrar em contato com o Laboratório de Biofísica da EEFE-USP pelo telefone 3091-8735ou pelo email [email protected]. A EEFE fica na Av. Prof. Mello Moraes, 65, na Cidade Universitária, em São Paulo.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes