José Virginio de Morais, o Rei da Montanha, estará no próximo domingo (22) no Mountain Do Vale Sagrado dos Incas para disputar a prova de 42 quilômetros que chegará a 3.200m de altitude acima do nível do mar. Apesar de não existirem montanhas altas e com ar rarefeito no Brasil, o ultramaratonista de montanha conta como adaptou o treino para as condições adversas.
É possível investir em tecnologia usando uma máscara especial, ou ainda procurar locais com trechos de quatro a cinco quilômetros em subida e se colocar em situação de apneia para simular a falta de oxigênio na altitude, conta o proprietário da assessoria esportiva JVM Trail Run. Moro em São Paulo, onde a altitude máxima é de 1.100m. Quando passamos dos 2.000m temos que respeitar a natureza e o corpo para fazer uma boa prova, completa.
O blogueiro do Webrun conta ainda que o ideal seria chegar com antecedência de meses pra se aclimatar, mas isso é algo praticamente impossível devido ao custo e ao tempo disponível das pessoas. A dica então é chegar entre três e quatro dias antes da prova, tempo que deve ser suficiente para o corpo se acostumar com a adversidade.
Virginio vai representar o Brasil em terras peruanas. Foto: arquivo pessoalChegando antes você pode ter a dor de cabeça, sentir o processo de digestão que é mais demorado e até se acostumar com a gastronomia diferente sem correr risco de passar mal durante a prova, afirma Virginio. Ele sugere ainda que os participantes consultem uma nutricionista esportiva que certamente fará recomendações do que comer e o que evitar, principalmente nas refeições feitas no dia da corrida.
Foco na prova – Quem corre dez quilômetros aqui em 30 minutos, por exemplo, certamente terá um aumento no tempo de três a quatro minutos, com mais transpiração e respiração ofegante. E, por falar em foco, o treinador conta que durante uma competição ele busca se concentrar 100% do tempo e nem olha para os lados, independente do cenário que apareça. Infelizmente é foco o tempo todo, tento desligar o mínimo possível. Corro no limite e qualquer descuido do pace pode prejudicar o resultado final.
Máscara – A máscara usada nos treinamentos promete diminuir a quantidade de ar inspirado para aumentar a capacidade cardiopulmonar. Isso acontece, segundo o fabricante, porque a pessoa é obrigada a respirar mais profundamente e inflar o pulmão com mais ar, o que leva a uma maior resistência do órgão, assim como o fortalecimento do diafragma.
Junto com Virgínio, mais 500 corredores vão se aventurar pelas terras do Vale do Sagrado dos Incas em distâncias de Maratona, 20 e oito quilômetros, com largada prevista para as 9h na Vila de Huambutio.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda