A única ultramaratona de 100 quilômetros trail do país já tem seus novos recordistas: Giliard Pinheiro e Ana Giovanelli baixaram os tempos dos campeões de 2014 da Indomit Costa Esmeralda, prova disputada no último sábado (07/11) entre Bombinhas e Porto Belo (SC). O catarinense e a paranaense marcaram 10h02min35 e 12h36min31 respectivamente, contra as 10h11min05 e 14h27min11 de Iazaldir Feitoza e Débora Simas estabelecidos ano passado.
A prova de 100 km teve 200 inscritos. Foto: Alexandre Koda/ WebrunA prova
A Costa Esmeralda esse ano teve distâncias de 100, 80, 50, 21, 12 e cinco quilômetros com a prova principal largando da Praia de Porto Belo à meia noite de sábado para domingo. Após quase dois meses de chuvas ininterruptas na região, São Pedro resolveu dar uma trégua e fechou as torneiras celestiais para que os corredores não tivessem uma adversidade a mais pelas trilhas da região.
Isso não significa que a prova foi tranquila, já que o percurso tinha muita lama, trechos onde escalaminhar era a única solução e barrancos dignos de deixar a poupança imunda de terra. Giliard saiu num ritmo moderado e correndo ao lado de Carlos Magno, estreante na prova, enquanto Ana já saiu à frente para garantir a liderança.
Giliard e Magno correram juntos durante boa parte do tempo. Foto: Alexanre Koda/ WebrunGiliard e Magno correram juntos por cerca de 30 quilômetros, momento em que o morador de Bombinhas disse hasta la vista ao colega e desapareceu em meio às pirambeiras do trajeto. Ana sabia que tinha Débora em seu encalço e não estava disposta a deixar que ela faturasse o bicampeonato, então não aliviou o ritmo mesmo nos trechos mais técnicos.
Ana não aliviou o ritmo nem nos postos de hidratação. Foto: Alexandre Koda/ WebrunGili, o pintor e locatário de cadeiras e guarda sóis na praia começou a sentir dores na panturrilha e a cada posto de hidratação parava para colocar gelo dentro das meias com o intuito de suavizar o problema. Os postos de hidratação eram uma atração à parte, com verdadeiros banquetes para os corredores e os mais caprichados dispunham de torta salgada, amendoim, frutas, cookies, barra de cereais, além de água de coco, água comum e coca cola.
Giliard controlou as dores na panturrilha. Foto: Alexandre Koda/ WebrunChegadas
Giliard aliviou o ritmo quando soube que estava a mais de 40 minutos à frente de Carlos Magno, mas recebeu um incentivo a mais para voltar a correr forte quando seu irmão, Danilo, passou por ele e disse que havia a possibilidade de quebra de recorde. Ele então acelerou e cruzou a linha de chegada quase 16 minutos mais rápido. E de quebra homenageou o campeão de 2014, Iazaldir Feitoza, repetindo o gesto do carioca de escalar o pórtico e bater no peito.
A troca de percurso me favoreceu por ser mais rápido era legal saber onde estavam todos os obstáculos mesmo no escuro, comenta Gili. Estava com um pouco de ardência na vista, porque fiquei pilhado e não consegui descansar direito no dia anterior e 100 quilômetros é longe para caramba, ressalta.
Escalar o pórtico foi uma homenagem a Iazaldir Feitoza.Foto: Alexandre Koda/ WebrunCarlos Magno precisou de 10h58min para completar em segundo, posição que dividiu no pódio com Felipe Costa da Silva. A chuva dos últimos meses sacrificou muito a trilha e a organização está de parabéns por ter cortado os trechos perigosos para garantir a integridade dos atletas. Eu senti um desconforto na virilha, mas consegui me manter firme e completar bem. Já para o catarinense de Tubarão, Felipe, a experiência de estrear em trilhas durante a noite está aprovada. Não consegui treinar nessa condição, então passei muito tempo sozinho. Foi um aprendizado enorme de não me desesperar, sem medo de cair e sem medo de bichos. Quero voltar ano que vem.
Ana veio com o intuito de vencer a prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunAna Giovanelli também sabia que estava bem à frente de Débora e se manteve num ritmo constante para alcançar a linha de chegada e pulverizar o antigo recorde com quase 1h30 de diferença. Muito emocionada, ela recebeu muitos aplausos da torcida organizada que trouxe faixas e até um espumante para celebrar a conquista.
Ano que vem venci os 84 quilômetros da Costa Esmeralda e decidi que voltaria para vencer os 100. Então me dediquei bastante e consegui conquistar o objetivo, comemora Ana ainda emocionada. O percurso teve vários trechos de estrada de chão, as trilhas foram bem desafiadoras e o calor pegou forte no final. Débora foi a segunda colocada com 14h27min45, enquanto Ligia de Almeida foi a terceira com 14h31min29. Mesmo com os cortes, tivemos trechos de lama atolando até o tornozelo e subidas em que você dava um passo para frente e dois para trás. Foi emoção o tempo inteiro, e a Indomit é superação para qualquer quilometragem, comenta Débora que confessou ter caminhado em alguns trechos.
Os trechos de estrada de terra ajudaram os corredores a recuperar as energias. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEnquanto os campeões dos 100 quilômetros aproveitavam o merecido descanso, os corredores de 80, 50, 21 e 12 começavam suas jornadas antes de receberem a tão suada medalha. Já os participantes de cinco quilômetros largaram pouco antes do crepúsculo e serviram de companhia para os solitários indomáveis das demais distâncias que reuniam suas últimas forças para a chegada.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda