Frio, sol, chuva e lama marcam estreia da Indomit Campos do Jordão

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 22 set, 2014

A edição de estreia da Indomit Campos do Jordão aconteceu no último fim de semana do inverno de 2014 e foi marcada por diferentes condições climáticas, troca de líderes a todo momento, percurso técnico e algumas adversidades que fizeram jus ao slogan do circuito: “a força provém de uma vontade indomável”.

As distâncias fornecidas (50, 21, 12 e cinco quilômetros) contemplavam corredores com as mais variadas condições físicas e cada uma apresentou suas dificuldades, exigindo atenção e disposição dos corredores. A largada da prova maior foi pontualmente às 8h nas dependências do Hotel Surya Pan, local onde foi montada toda a estrutura do evento, sob um vento gelado e ameaça de chuva.

Beserra acelerou no começo, mas errou o caminho. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Beserra acelerou no começo, mas errou o caminho. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

E o trajeto já começou “casca grossa”, com subidas, poucos trechos de asfalto e trilhas travadas. Um dos favoritos ao título, Giliard Pinheiro, torceu o tornozelo nos primeiros quilômetros e teve que correr no sacrifício até o final. Fernando Beserra assumiu a ponta logo de cara e disparou feito um foguete, enquanto no feminino Josefa Maria da Silva vinha à frente em meio ao pelotão intermediário dos homens.

Josefa liderou quase toda a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Josefa liderou quase toda a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A prova começou para valer na subida para o local chamado de “Trilha das Três Matas”, com uma subida que leva até um largo descampado com vista para a cidade de Campos do Jordão. O visual era reconfortante, alguns paravam para tirar fotos, enquanto outros aceleravam na ladeira que começava a se apresentar. O sol ameaçou dar as caras, mas não foi suficiente para esquentar o clima.

O trajeto teve em seguida single tracks em mata quase fechada, alguns paredões onde caminhar era a opção mais inteligente, travessia de riacho, ponte e pequenas distâncias em asfalto que eram usadas para recuperar o fôlego antes do próximo desafio. Beserra errou uma parte do percurso e perdeu a ponta para Giliard, que parecia recuperado da torção.

Na subida do teleférico, Giliard já corria no sacrifício. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Na subida do teleférico, Giliard já corria no sacrifício. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Ultrapassagens

O corredor de Bombinhas, porém, também errou e foi ultrapassado por Paulo Chaves, representante da assessoria Núcelo Aventura, mas que não era cotado na véspera como um dos favoritos. Entre as mulheres, Josefa mantinha a ponta, mas era perseguida de perto por Ana Giovanelli. São Pedro resolveu abrir as torneiras celestes já no fim da prova para os ponteiros, que passaram a se preocupar com a forte neblina que surgia à frente.

Paulo administrou sua vantagem e completou em primeiro com 5h03min37, seguido por Gelson Ignacio (5h07min30), Giliard Pinheiro (5h17min39), Fernando Bezerra (5h23min09) e Marco Aurelio Farinazzo (5h37min32). Entre as mulheres, Ana teve forças para ultrapassar Josefa e completou em primeiro com 6h07min16 contra 6h16min49 da adversária. Em terceiro ficou Vivian Pavão (6h33min54), seguida por Vera Saporito (6h47min06) e Iris Novaes (6h59min37).

Muita gente lembrou do diretor técnico da prova durante as pirambeiras. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Muita gente lembrou do diretor técnico da prova durante as pirambeiras. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Casca Grossa

“A prova foi dura, mas gostosa demais. Prometi para a minha treinadora Cris Carvalho que iria correr por mim e por ela e está aí: campeão nos 50 km para você”, comemora Paulo entre um gole e outro do pró seco oferecido pela organização. “Nas descidas eu ‘sentava a bota’ mesmo. A perna tremeu, mas a cabeça falou mais alto”, completa.

E por falar em cabeça, o psicológico ditou a prova para Giliard durante toda a corrida. “A prova foi raça pura. Pensei em parar, resolvi continuar e torci o tornozelo mais umas oito vezes”, conta o catarinense que “xingou” algumas vezes o diretor técnico, Ivan Pires. “Não falei mal da mãe dele, mas queria pegá-lo de jeito”, brinca. “Nas subidas eu ia bem, mas nas descidas doía demais. A escolha do trajeto foi sensacional e estou feliz por ter completado; esse é o espírito Indomit”.

Para a campeã, Ana Giovanelli, a prova também foi dura. “A prova foi maravilhosa, com percurso pesado e muitos trechos técnicos. Em alguns pontos me confundi com a marcação, mas em trechos que não me prejudicaram. Em alguns locais não havia posto de hidratação, mas como levei a minha administrei para não faltar. A corrida não fluía, pensei várias vezes em desistir, mas depois do quilômetro 27 a coisa começou a engrenar, a cabeça ajudou e fui crescendo”.

Já Vera Saporito confessa que pensou em desistir. “Eu me perdi por quase 1,5 quilômetro, consegui voltar e alcançar as meninas, mas era uma subida dura. Fiquei muito cansada, tive dores no quadril e disse para a Vivian Pavão ir embora porque eu ia desistir. Mas ela me ajudou muito e consegui chegar. Agora me preparo para correr o Xterra Tiradentes fim de semana que vem, os 80 no sábado e os 50 no domingo”.

Vera pensou em desistir. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Vera pensou em desistir. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Sinalização de trilha – A organização do evento passou a semana toda realizando a marcação do percurso, mas na véspera da prova durante um reconhecimento final várias fitas foram arrancadas. A equipe técnica correu para refazer a sinalização, mas alguns pontos foram prejudicados e uma parte dos corredores errou o caminho.

Um motoqueiro foi designado exclusivamente para reforçar as marcações enquanto a prova acontecia, mas as fitas continuavam a ser arrancadas em locais remotos. Gustavo Nogueira, um dos responsáveis pela organização, pediu desculpas aos atletas. “Ocorreram falhas, até por ser a primeira edição, tivemos problemas de sinalização, mas prometo que vamos melhorar para o próximo ano. Recebi feedback positivo até dos corredores que foram diretamente prejudicados e isso me dá mais força para seguir em frente”.

O Circuito Indomit chegou ao fim em 2014, mas ano que vem promete mais surpresas e desafios aos corredores.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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