
Franck na Meia das Cataratas já sem as cores do Cruzeiro (foto: Christian Rizzi/ Divulgação)
Colaborou Mariana Araújo.
Franck Caldeira não é mais atleta da equipe do Cruzeiro. O atleta, que defendia as cores do clube mineiro desde maio de 2007, rompeu o contrato que tinha até o fim de 2011 e agora negocia seu passe com alguma outra entidade, ainda não revelada. A primeira prova que disputou sem vínculo com a equipe foi a Meia das Cataratas, no último dia três, em Foz do Iguaçu, ocasião em que conquistou a vitória.
Eu não estava conseguindo traçar metas dentro do Cruzeiro, relata o fundista. Não tenho nada para falar mal do clube, eu apenas não me enquadrei nas metas do Alexandre Minardi e do Cruzeiro em si, completa. O campeão da maratona dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro afirma ainda que pretende encerrar sua carreira na Olimpíada do Rio, em 2016, com um resultado positivo.
A Olimpíada ainda está longe, mas o trabalho tem que começar desde já e começou hoje [após a Meia das Cataratas] com novos estímulos e uma nova cabeça. O mineiro não quis revelar a equipe que defenderá a partir de agora, mas diz que fez uma mudança de vida e pretende apoiar novos parceiros. Ele pede desculpas ao público pelos resultados ruins nos último tempos, como o abandono na Maratona de São Paulo no dia 19 de junho.
Ainda sem um clube definido, Franck terá por enquanto apenas o apoio da marca esportiva Nike, que segundo ele não força a obtenção de resultados. Eles sempre me apoiaram e agora vou focar algumas provas no Brasil, como a Volta da Pampulha, a Dez Milhas Garoto e a Meia do Rio, onde fui segundo ano passado.
Questionado se as negociações com outros clubes estão avançadas, ele prefere não se comprometer com ninguém, mas adianta alguns possíveis candidatos a recebê-lo. A Nike tem parceria com a BM&F Bovespa, mas também falei com o Pinheiros. O importante na verdade é correr do jeito Franck de ser, ou seja, livre.
Desde que entrou para o Cruzeiro, Franck obteve uma estabilidade financeira, mas ele diz que isso não foi suficiente para satisfazê-lo como atleta. Minha conta cheia de dinheiro não vai me trazer alegria. Vivi isso no Cruzeiro e não me trouxe, então o mais importante é a alegria de cruzar uma linha e cair após um grande esforço.
Se as metas em curto prazo são competições nacionais, para o ano que vem ele já pensa em ir mais longe. Quero pensar em Campeonato Mundial e Olimpíada. Mas não vou apenas para participar, quero obter um bom resultado, pois tenho potencial e vou trabalhar para isso.
O outro lado – Se Franck Caldeira diz não levar mágoas do Cruzeiro, o mesmo não pode ser dito do comandante da equipe, Alexandre Minardi, responsável pelos treinos do atleta em Belo Horizonte. Estou chateado com a ingratidão do Franck. Em 2008 o vice-presidente do Cruzeiro queria demiti-lo e eu fui convencer a diretoria para renovar seu contrato por mais três anos, relata o treinador. Eu era mais que um pai para ele, completa.
O dirigente revela ainda algumas características de Franck no dia a dia. Ele não cumpria as normas do clube, chegava atrasado e sempre tinha uma desculpa para não vir de Sete Lagoas [local de sua residência] até Belo Horizonte [onde fica o centro de treinamento do Cruzeiro] nos dias de treino em pista.
Normalmente os atletas que chegam atrasados ao treino sofrem uma punição com desconto de 10% no salário, o que não ocorria no caso de Franck Caldeira. Eu passava a mão na cabeça dele porque ele era diferenciado, mas me arrependo disso, relata o treinador.
Ao longo dos anos o clima entre os dois foi piorando e Franck começou a se desentender com seus colegas de clube, de acordo com o treinador. Minardi relata um ocorrido na cidade de Patrocínio (MG) durante a Corrida da fogueira, em que o atleta bateu boca com os demais corredores do Cruzeiro.
O estopim veio durante a Maratona de São Paulo, realizada no dia 19 de junho, ocasião em que treinador e atleta se desentenderam por conta de uma entrevista que Franck concedeu a uma emissora de televisão sem mostrar da forma correta o logotipo do patrocinador em sua camisa. Segundo Minardi, tecnicamente ele estava preparado para correr em forma de igualdade com os africanos e obter um bom resultado nos 42 quilômetros de São Paulo. Não foi o que aconteceu. Ele parou depois do quilômetro 21, ressalta o dirigente.
Apesar do desabafo, Alexandre Minardi diz que não deseja mal ao seu ex-pupilo, pelo contrário, espera que ele seja feliz em sua nova fase da carreira. Desejo sucesso e espero que ele obedeça às normas da nova casa.
A entrevista com Franck Caldeira foi obtida durante a Meia Maratona das Cataratas após sua vitória. A reportagem do Webrun tentou sem sucesso contato com o atleta para que ele atualizasse as informações sobre seu novo clube e desse sua versão sobre os fatos apresentados por Minardi. Vamos insistir em falar com ele e, assim que obtivermos novas informações, publicaremos no Portal.
Franck de Almeida Caldeira queria ser jogador de futebol, mas como não foi possível realizar esse sonho, ingressou no atletismo por incentivo do irmão. Como juvenil conquistou os títulos brasileiro, sul-americano e pan-americano dos 10.000 metros em pista e o recorde fluminense da mesma competição. Aos 19 anos, já no Profissional, foi o segundo melhor brasileiro na Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, em 2002.
Revelado por Henrique Viana, ele começou a obter mais conquistas ao longo dos anos, como as três vitórias na Volta da Pampulha, sendo a primeira em 2003 com 20 anos. Ele também é bicampeão da Meia do Rio, venceu a São Silvestre em 2006 e a Maratona dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007.
Neste mesmo ano ele trocou a equipe Pé de Vento de Henrique Viana pelo Cruzeiro de Alexandre Minardi. Vestindo a camisa azul ele venceu duas vezes as Dez Milhas Garoto, no Espírito Santo, a Maratona de Recife e algumas provas menores pelo Brasil. A carreira de um atleta é curta, então temos que fazer o pé de meia, relatou Franck à época, sobre a quantia financeira oferecida pelo clube mineiro.
Nos dois primeiros anos de contrato com o Cruzeiro, Franck ainda treinou sob supervisão de Henrique Viana, mas em 2009 Minardi exigiu que ele se desvinculasse totalmente da Pé de Vento para renovar seu contrato. Inicialmente permiti que o Henrique treinasse o Franck e me arrependi, comentou Minardi à época.
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Este texto foi escrito por: Alexandre Koda