
Sob a tutela de Ricardo D’Angelo Franck retorna aos melhores resultados (foto: Monique Barleben/ www.webrun.com.br)
Criticar um atleta quando você não está no momento dele é fácil, dispara Franck Caldeira. Afastado dos grandes resultados por longo período, o corredor conquistou uma dupla vitória em 2012: primeiro, classificou-se à Maratona dos Jogos Olímpicos. Depois, na prova olímpica, liderou o primeiro trecho e terminou com uma honrosa 13ª colocação.
O próprio corredor já tinha dito que só de estar na Olimpíada de Londres já seria uma vitória. Estive quatro anos longe do alto rendimento. Iniciei trabalho com o treinador Ricardo DAngelo e tivemos apenas oito meses para começar a treinar, recuperar minha autoestima, fazer o índice e estar na Olimpíada. Isso tudo aconteceu. Não é fácil superar tudo o que consegui em curto prazo, pondera o fundista.
Liderança não foi planejada– Quem assistiu a maratona olímpica se surpreendeu ao ver Franck liderando com certa vantagem na altura dos dez quilômetros. Os comentaristas chegaram a dizer que o ritmo era forte e que o brasileiro não conseguiria manter. Ele refuta essa análise.
Na largada eu tirei a responsabilidade de brigar por medalha, minha vitória era voltar ao cenário do alto rendimento, reforça. Ter ficado na frente, ele esclarece, foi circunstancial pelo pace planejado. Não foi tática de querer aparecer ou abusar de ritmo, foi o que eu tinha como meta. Aquele era o ritmo que eu estava proposto a correr, diz.
Ou seja, o mineiro foi ultrapassado depois porque os adversários aceleraram a partir do décimo quilômetro e Franck manteve seu ritmo, não acelerou e nem reduziu. Fiz meu ritmo porque estava me sentindo bem, foi bom para a minha autoestima. Eles que apertaram depois, explica.
Raça brasileira– O maratonista reconhece que a performance dos três brasileiros foi fantástica. Em Olimpíada você larga com os 200 melhores do mundo, todos pensando em medalha. Ninguém vai pensando em parar. Nós fomos brilhantes com esse resultado, os três entre os 20 melhores, avalia.
Ao contrário de Pequim 2008, quando Franck e Marílson abandonaram a maratona olímpica, o fundista acredita que houve entre os três brasileiros um comprometimento tácito por um resultado positivo. A prova é dispersa, corremos em ritmos diferenciados. Mas em alguns pontos prevaleceu a camisa do Brasil, define.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes