A síndrome do piriforme, ou “síndrome do bumbum sarado” é uma condição relativamente incomum entre corredores, mas de difícil diagnóstico por se confundir com outros problemas mais comuns no cotidiano dos atletas de corrida de rua. Trata-se de um conjunto de sinais e sintomas, daí o nome síndrome, e ocorre como consequência do encarceramento do nervo ciático pelo músculo piriforme na sua saída da pelve para a região glútea. Pode ser ocasionado pelo excesso de exercícios na região das nádegas.
O músculo piriforme é um dos rotadores externos do quadril, cuja função é promover a rotação externa ou lateral da coxa. Localizado profundamente no quadril, sob os músculos glúteos, tem formato de pêra (daí seu nome), origina-se na parte lateral da coluna sacral e se insere por um longo tendão na borda superior do trocânter maior, região próxima ao colo do fêmur. O nervo ciático emerge da pelve a partir da junção de várias raízes nervosas em direção à região posterior da coxa, e passa por entre estes músculos rotadores.
Muitas mulheres se lesionam em busca do corpo perfeito. Foto: Andres Rodriguez/ FotoliaSintomas – Esta condição foi descrita por Robinson em 1947, e compreende os seguintes sinais e sintomas: dor na região sacro-ilíaca com repercussão para a região glútea e posterior da coxa, dor e dificuldade para caminhar, dor na solicitação muscular do piriforme (rotação interna forçada com a coxa estendida, resistência da abdução e rotação externa da coxa), dor quando o paciente está sentado e fica de pé, ou mesmo quando para repentinamente de caminhar).
A dor na região sacro-ilíaca é um dos sintomas. Foto: F. Solé/ FotoliaOutro sintoma é dor ao elevar o membro inferior quando deitado (sinal de Lasegue), e eventual atrofia glútea ( dependendo da duração dos sintomas). O corredor pode apresentar uma história de trauma na região sacro-ilíaca ou glútea, período de exercícios excessivos para os glúteos, espasmo muscular devido a infecções, ou mesmo anomalias anatômicas.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado nos sinais e sintomas anteriormente descritos, mas exames de imagem como a radiografia, ressonância magnética e eletroneuromiografia podem auxiliar. O tratamento inicial é conservador, a base de medidas fisioterápicas que incluem analgesia e cinesioterapia, compressas de gelo, medicação analgésica e anti-neurítica.
O trabalho de alongamento muscular dos rotadores externos é mais aconselhável do que o fortalecimento dos mesmos, pois o aumento do tamanho do músculo pode comprimir ainda mais o nervo ciático. O tratamento cirúrgico para a liberação do nervo através da ressecção do piriforme está reservada aos casos refratários ao tratamento conservador.
Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto