
Hoje mãe e filha correm juntas (foto: Arquivo pessoal)
No próximo domingo, 14 de maio, será comemorado o dia das mães. Por isso o Webrun entrevistou uma mãe e uma filha que correm juntas. Mulheres que correm por prazer, para manter a forma e para ficarem mais unidas.
Quando corro com ela sinto que é uma terapia entre mãe e filha. A diferença é que não tem um terceiro para interferir, conta a cardiologista Walkiria Avila, mãe da Mônica. Confira!
São Paulo – A cardiologista Walkiria Avila é fã de carteirinha das atividades físicas. Aos 55 anos, ela corre cinco vezes por semana e sempre fica no pódio da sua categoria de idade. Mesmo com a rotina de um médico, ela nunca abandonou o esporte e serviu de incentivo para a sua filha Mônica, que tem 24 anos.
É muito difícil conciliar a rotina de médico com o esporte. Precisa gostar, conta Walkiria. E o gosto pelo esporte, ela tem de sobra. Em 2000, a cardiologista começou a levar a corrida mais a sério e se inscreveu numa assessoria esportiva. Depois de um treino com planilha individualizada, Walkiria participou de uma prova e ficou em quinto lugar na sua faixa etária. Segundo ela, o resultado foi motivo de ânimo.
No ano passado Walkiria competiu o Circuito Corpore em São Paulo e novamente conquistou o pódio. Hoje a cardiologista quer correr até quando não puder mais. Quero morrer correndo. Vou correr até onde conseguir, brinca.
O curioso é que Walkiria corre junto com a sua filha Mônica. Apesar da diferença de idade, ela consegue acompanhar o ritmo da filha. Nas competições o tempo dela sempre é dois minutos a menos que o meu. Mas eu não me incomodo. Tem que ser assim. Ela tem trinta anos a menos que eu, ela tem que ser melhor, conta.
Indagada se nunca houve uma competição saudável entre as duas, Walkiria se recordou da Corrida dos Médicos, em São Paulo. Quando participei dessa corrida falei para a Mônica (na época estudante de medicina): esse ano eu tenho que subir no pódio, porque quando você se formar, você vai ficar no primeiro lugar, aí não vou ter chances, lembra. Ela me incentivou e eu peguei o pódio. Mas daqui para frente é a vez dela, acrescenta.
Mônica Avila tem 24 anos, faz residência em medicina e corre desde 2001. Apesar de não ser veterana no esporte, ela aderiu a atividade física na sua vida por causa da sua família, principalmente por ver a sua mãe, a cardiologista Walkira Avila, correr.
Minha mãe sempre corria para manter o peso. Na nossa casa todos nós nos preocupamos com essa parte da estética. Ela acordava cedo e ia correr. Então essa força de vontade acabou incentivando a todos da casa inclusive meu pai e meu irmão, conta.
A primeira prova que participaram juntas foi a Maratona de São Paulo. Há dois anos minha mãe me convidou para invadirmos” a maratona de São Paulo, que na época aconteceu no dia das mães. Nós corremos apenas metade da prova, mas estávamos juntas, revela.
Também indagada sobre uma possível disputa entre as duas, Mônica lembrou de uma vez em que sua mãe a ultrapassou. Não existe competição porque nossas diferenças no estilo de corrida, idade e biótipo são nítidas. Mas houve um episódio em que ela me passou. Uma única vez. Ela acabou não falando nada, mas eu senti um sorrisinho sarcástico no rosto, ri Mônica.
Mas tudo na brincadeira, muito saudável. Nós sempre estamos em fases diferentes, quando eu não estou treinando é porque estou estudando e ela acaba indo melhor e vice e versa. Alias, dois minutos de diferença entre a gente não são nada, acrescenta.
Como as duas têm uma rotina literalmente corrida, o esporte se transformou num momento de união entre elas. Para Walkiria, correr junto com a filha é a melhor terapia que existe. Quando corro com ela sinto que é uma terapia entre mãe e filha. A diferença é que não tem um terceiro para interferir, conta.
A vantagem de correr com a minha mãe é a proximidade que a corrida proporciona não só para nós duas, como para toda família. Acordamos cedo nas corridas, compartilhamos tempos, vitórias e decepções nas nossas marcas. E isso para mim é bom, principalmente porque o dia-a-dia é tão corrido que esses momentos são especiais, revela Mônica.
Ambas optaram pela corrida para manter o peso e a saúde. E conseguiram bons resultados. Além disso, elas revelaram que conseguem manter um equilíbrio mental e emocional no esporte e isso ajuda bastante na profissão delas.
A dica da cardiologista Walkiria é que mães e filhas devam começar a praticar algum esporte no fim de semana. Coloque um tênis, uma roupa bem gostosa e vá bater perna. Vá conversando e pegando um sol. Aos poucos comece a trotar e depois correr, aconselha.
A atividade física, para nós, é fundamental para mantermos o equilíbrio do corpo e mente, todas as pessoas deveriam fazer qualquer atividade. Quando você tem uma companhia é muito mais fácil para continuar. Além disso, programas de mães e filhas devem ir além das compras e ser um pouco mais saudável, finaliza Mônica.
Este texto foi escrito por: Webrun