A preparação para a tão temida e especial maratona é tomada por sentimentos, fases de treinamento e decisões que podem fazer uma grande diferença na hora da competição. O crescimento gradativo até os 42 quilômetros passa pela distância da meia maratona, prova favorita de muitos atletas, e enquanto alguns treinadores gostam de incluir competições oficiais para ditar o ritmo nos treinos, outros são mais cautelosos para evitar que o atleta se esforce de uma forma desnecessária e acabe gerando problemas no futuro.
É certo que não existem verdades universais, ainda mais quando se trata do corpo humano, porém, listamos algumas razões para você refletir durante essa escolha.
Foto: Iuliia Sokolovska/FotoliaA periodização necessita de diversos cuidados e o alinhamento correto é necessário, para não lidar com problemas mais para frente. O médico Mauro Delgado é um dos atletas que acabou exagerando nas provas testes e se deu mal. “Estava treinando forte e com um ritmo ótimo para Maratona de Nova York, sendo assim coloquei algumas provas de 21k para encaixar o pace. Em uma delas busquei um ritmo desnecessário e acabei quebrando, com isso não pude correr a prova alvo, já que acabei com uma lesão e também um grande arrependimento”, conta.
O treinador Nelson Evêncio encara a inclusão de provas testes como benefício para o atleta, mas tudo deve ser feito com moderação. “Um corredor que tem como objetivo a maratona possui um período específico em que faz treinos de 21k, 24k, 25k, 30k, 32k e até 36k. Então, correr uma meia maratona pode ser um treino de rotina ou uma prova que serve como avaliação. Normalmente, além dos treinos, os atletas do meu grupo correm duas meias maratonas como parte da preparação”.
A intensidade que o corredor coloca na prova deve ser avaliada por seu treinador, já que músculos, ligamentos e tendões devem retornar aos níveis normais o mais rápido possível, assim como enzimas, hormônios e antioxidantes. Regular tudo isso não é tarefa fácil e o corpo pode acabar sobrecarregado, sendo assim é necessário manter-se atento e diminuir a empolgação durante esse tipo de teste.
O também treinador, Rafael Moreno explica que para não esgotar todas as reservas antes do objetivo, o ideal é aumentar o volume de forma gradativa, colocando algumas provas para ajudar na preparação e observar como está o desempenho do atleta.
Lembre-se sempre que a “prova teste” tem esse nome por não ser seu objetivo final, sendo assim deixe a competição para o momento certo e não acabe com o sonho dos 42 quilômetros precocemente. Busque a orientação de um profissional e discuta o caminho mais equilibrado para a performance que você busca.
Este texto foi escrito por: Gustavo Mazzucchelli