
O ritmo imposto em provas de montanha é diferente das corridas de rua (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Normalmente as desestabilizações provocadas pelo ritmo de corrida sofrem variações que podem ser geradas por situações psicológicas, hormonais ou por fadiga acumulada com a carga de treinamento. Vamos dividir este assunto em três fases:
Os primeiros 10 a 15 minutos após uma largada são determinantes para que o atleta sofra esta desestabilização. Fatores psicológicos e hormonais atuam diretamente sobre esta desestabilização. Uma maneira de controlar esta ansiedade pré-prova é a utilização de frequencímetro cardíaco. O ideal seria que o atleta ficasse próximo de sua zona de frequência cardíaca proposta para aquela competição, não se deixando levar pelo ritmo imposto por outros corredores.
Muitos atletas não têm frequencímetro cardíaco e correm por percepção subjetiva de esforço, o que não considero muito apropriado. Por estarmos no inicio de uma competição a adrenalina do atleta está muito alta e ele pode se deixar levar pela emoção do público presente ou até mesmo pela cobertura por meio da imprensa, impondo uma largada muito forte e pagando um preço muito caro minutos depois.
Esta situação é comum e por isso é muito importante começarmos a dar valor ao ritmo de largada durante os primeiros quilômetros.
Passado o stress da largada, o mais comum é que após cinco ou seis quilômetros de corrida aconteça uma desaceleração do ritmo de corrida. Neste momento o corredor já começa a estabelecer seu ritmo de prova. Nesta etapa ele passa a ter uma percepção de esforço mais objetiva e começa a impor um ritmo mais consciente, colocando em prática todo o seu potencial.
Para realizar uma boa corrida o ideal seria que cada atleta encontrasse este ritmo médio que pensou em competir o mais breve possível, sendo este um ritmo de prova realista para as suas pretensões.
Esta circunstância não é nada fácil. O simples fato de estar competindo faz com que muitos atletas deixem se levar pelo ritmo de corrida de outros corredores. Esta é uma complexidade não somente das corridas em montanhas, mas também das corridas de rua. Como no Brasil muitos corredores estão migrando do asfalto para as montanhas é preciso deixar alguns vícios do asfalto de lado.
Nesta fase o corredor já está “queimando” os seus últimos recursos, tanto fisiológicos como mentais, e muitas vezes produz uma queda em seu ritmo de prova. Esta taxa de redução é geralmente causada por fadiga muscular, quedas metabólicas acumuladas e perda excessiva de fluido (em alguns casos desidratação, especialmente em situações de calor). Além de todos os fenômenos acima, o corpo do atleta já não tem o poder de pensar com clareza e começam a aparecer distorções em seus movimentos psicomotores.
Enquanto isso, o pulso tende a subir e o ritmo de corrida tende a cair, porque o coração tem que bombear mais sangue para o corpo para compensar o desgaste generalizado a que o corpo foi submetido. Na maioria dos casos, o declínio no ritmo nesta fase tardia é muitas vezes diretamente proporcional ao grau de aceleração que foi impresso na primeira fase que discutimos anteriormente. Ou seja: se erramos muito no ritmo de largada é provável que a queda no ritmo de corrida na última fase seja mais notada.
O corpo é inteligente e na maioria das vezes compensa buscando constantemente o equilíbrio. Se durante a corrida o atleta já vem sofrendo e é derrotado pela fadiga, suas energias se esgotaram e ele pagará um preço muito alto até a linha de chegada. Isto se conseguir chegar.
Confira na próxima página cinco dicas para realizar um bom ritmo de prova.
Este texto foi escrito por: Iazaldir Feitoza