Corridas longas ocasionam perda de massa muscular?

Redação Webrun | Atletismo · 03 abr, 2012

O ideal é que musculação seja realizada em dia diferente (foto: Em Bhoo/ Licença Creative Commons)
O ideal é que musculação seja realizada em dia diferente (foto: Em Bhoo/ Licença Creative Commons)

Quem pratica a corrida como esporte muitas vezes também faz musculação, seja para melhorar o rendimento ou como qualidade de vida. Às terças-feiras, o Webrun apresenta uma série de três reportagens sobre a relação da musculação com a corrida. A primeira foi sobre como direcionar os exercícios para melhorar o rendimento no asfalto. Confira a segunda!

Entre muitos corredores há a noção comum de que provas ou treinos longos podem levar à perda de massa muscular. Quem pratica musculação com o objetivo de hipertrofia (crescimento muscular) acaba torcendo o nariz para a corrida, com medo de jogar fora o trabalho feito com os pesos. Existe a possibilidade de aliar o melhor dos dois mundos?

Fibras, o X da questão– “Hipertrofia e corridas longas trabalham fibras musculares diferentes”, explica o treinador André Ricardo, da assessoria esportiva BR Move. Segundo ele, existem as fibras de contração rápida, que são utilizadas em treinos de hipertrofia, e as fibras de resistência, trabalhadas em treinos mais longos.

“As fibras de resistência são menores e não crescem como as de contração rápida, mas elas ficam menos espessas quando trabalhadas, mais resistentes mesmo”, ilustra. Ou seja, quando uma pessoa corre e faz treino de hipertrofia, está trabalhando dois tipos de fibra diferentes.

Caso uma pessoa faça treino de crescimento muscular para a perna e corra no mesmo dia, os ganhos nos dois campos são irrelevantes, por dois motivos: “a hipertrofia pede descanso para o músculo poder crescer”, define André, apontando na sequência que “os ganhos na corrida serão ínfimos porque o sistema nervoso central está cansado”.

Treinamento concorrente– Para evitar que um treinamento anule o outro, o ideal é respeitar o tempo de descanso. “Ninguém consegue trabalhar as fibras musculares separadamente. Você trabalha uma predominantemente e outra em percentual menor, mas ambas são contraídas independente do tipo de treino”, afirma.

“O sistema nervoso central é único para as duas [fibras] e o descanso ideal varia de acordo com características individuais e outros fatores como repouso muscular e suplementação. Na prática, a perna vai cansar mais rápido se houver um novo desgaste nesse período”, esclarece o técnico.

O mito da perda muscular– “Não se perde massa muscular correndo, há a perda de peso e a composição física pode mudar. Mas não se perde músculo”, conta André. O treinador explica que o prejuízo na verdade está na limitação dos ganhos, mas ainda assim é algo relativo. “Para um fisiculturista, que depende de ganhos musculares para viver, a corrida tem que ser bem menor”, afirma.

Para quem quer ganhar massa e correr, o ideal é realizar os treinamentos em dias diferentes. “Correr no dia seguinte da musculação não tem problema, desde que esteja tudo bem organizado. Depende da intensidade e volume de treino, se exagerar em um dos dois você limita os ganhos do outro ou não rende bem em nenhum”, sentencia.

Na semana que vem, falaremos se a corrida pode substituir o treino na academia para membros inferiores .

Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

Redação Webrun

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