Corredores sofrem, mas elogiam estrutura da Indomit Mendoza

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 01 jun, 2016

A edição inaugural da Indomit Mendoza Ultra Trail foi também a primeira do circuito fora do Brasil e os 400 participantes fizeram história num percurso de nível técnico elevado com subidas e descidas íngremes, neve e muito frio. A prova do último final de semana (27 e 28/05) surpreendeu os brasileiros e também alguns argentinos por não estarem acostumados ao clima extremo.

Nos 21 quilômetros a vitória foi do brasileiro André Siegl, que disputou passo a passo a vitória com o uruguaio Marcelo Casado. “Apesar de não ter trilha fechada, o cascalho deixou a prova muito técnica. Mas gostei bastante”, relata o gaúcho que assumiu a liderança no quilômetro cinco. “No quilômetro 18 o segundo me pegou, mas não adianta. Quando eu entro numa prova não é para brincar e consegui buscar de novo a ponta para ser o campeão”, comemora.

André estava decidido a não entregar o primeiro lugar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun André estava decidido a não entregar o primeiro lugar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A chegada da prova de 35 quilômetros foi uma confraternização entre os amigos Marcos Duci e Cristian Zaina, que cruzaram a faixa com um segundo de diferença depois de decidirem quem seria o campeão. “Pensei que seria mais simples, mas no final se complicou. De qualquer forma foi muito bonita”, relata o argentino de Lujan de Cuyo (Mendoza). “Vim com meu companheiro de equipe durante toda a prova e no fim decidimos que ele seria o primeiro”, completa.

Os amigos Marocs e Cristian chegaram juntos. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Os amigos Marocs e Cristian chegaram juntos. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Seu colega Cristian agradeceu a cortesia. “Foi uma prova muito bem marcada, 100% possível de se correr, mas as subidas foram as partes mais complicadas”, relata o representante de Maipu, também na província de Mendoza.

Entre as mulheres, a argentina Sonia Procopio precisou de 3h34min15 para vencer os 35 quilômetros. “Foi uma prova duríssima, estou destruída, mas muito feliz. Foi tudo muito lindo, principalmente as paisagens e a sinalização estava perfeita. Sem dúvida foi a melhor prova que já fiz até hoje”, relata a corredora de San Juan, também em Mendoza.

Sonia chegou vibrando bastante após a vitória. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Sonia chegou vibrando bastante após a vitória. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

O campeão dos 80 quilômetros foi o argentino de Bariloche, Ramiro Breski, que sentiu dificuldade principalmente na parte noturna da prova. “Sofri à noite por conta do frio e também nas descidas intermináveis. Foram quase dez quilômetros. Mas gostei bastante do resultado final”.

A neve foi um fator complicante para vários corredores. Foto: Alexandre Koda/ Webrun A neve foi um fator complicante para vários corredores. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Nos 100 quilômetros Ozeas Freitas, de Curitiba, precisou de 18h35 para cumprir o trajeto e elogia a organização. “A Indomit está de parabéns por uma prova belíssima, não tenho nem palavras. A neve estava bastante alta, então foi um pouco difícil para correr e também senti o morro final, do Crocodilo”, relata o conterrâneo da campeã Ana Giovanelli. “Corremos à noite com uma marcação muito boa e o frio até que foi suportável”, completa.

Ozeas é conterrâneo de Ana Giovanelli. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Ozeas é conterrâneo de Ana Giovanelli. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Ainda na distância maior, Juan Martin Schiappa afirma que veio para a prova por saber da boa reputação dos organizadores. “A TMX já tem um nome e associada à Indomit reeditou o bom trabalho que fazem nas provas da Patagônia, com uma organização e parte técnicas muito boas”, afirma o representante de Guaymallen, também em Mendoza. “Foi ótimo que tínhamos bastante trechos que conseguíamos correr. E o grande diferencial foram as pessoas que trabalhavam no evento, sempre muito atenciosas e perguntando se estávamos bem e o que precisávamos”, completa. “Eu poderia viver para sempre nos postos de abastecimento com tanta comida e aquecimento”, brinca.

Juan queria ficar para sempre nos postos de abastecimento. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Juan queria ficar para sempre nos postos de abastecimento. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Gustavo Lopez elegeu os 50 quilômetros da Indomit Mendoza porque queria uma prova diferente para correr com um grupo de amigos. “Foi muito linda, mas com partes bastante complicadas como o trecho final, no Morro do Crocodilo. Subir já no fim da prova, com ladeiras bem íngremes foi um desafio grande”, relata o representante de Corrientes. “Dou nota dez aos organizadores e certamente vamos voltar ano que vem”.

Neris Besson fez os 100 quilômetros em 18h38min55 e se surpreendeu com o percurso. “É muito lindo, mas não pensei que fosse tão duro e com uma parte técnica tão pesada”, confessa o representante de Menzdoza, que já havia corrido uma etapa em Bombinhas. “Um evento como essa é importante para a região, porque não temos grandes provas, então movimenta o turismo. Dou aulas de economia de turismo na universidade, então para falar sobre isso é importante vivenciar”, completa.

Neris não achou que fosse sentir tanta dificuldade. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Neris não achou que fosse sentir tanta dificuldade. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Outro mendonzino, Marcelo Fugo, fez os 80 quilômetros por confiar na reputação dos organizadores. “Estou acostumado às provas da TMX na Patagônia e aqui eles não me decepcionaram. Tivemos condições muito duras, como altitude e cuidaram de nós muito bem”, relata o corredor que marcou 16h44min02. “A medalha, a camiseta, nada disso importa se a prova não tem uma estrutura de atendimento. Na Indomit havia pessoas nos lugares mais complicados para nos dar assistência. Espero que voltem ano que vem”, relata.

Marcelo Fugo quer a Indomit ano que vem novamente na região. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Marcelo Fugo quer a Indomit ano que vem novamente na região. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Ele também fala da importância do evento para o turismo. “Estamos na temporada baixa e esse evento movimentou as pousadas, hotéis e restaurantes locais. Já temos muitas corridas em San Martin de Los Andes, Villa La Angostura, Bariloche, agora é hora de consolidarmos Mendoza”.

Maria Argerich fez os 21 quilômetros em 3h51min51 e afirma que se divertiu bastante. “Foi muito divertida, pois tinha terrenos bem variados. Estou acostumada a fazer provas de aventura, então o Morro do Crocodilo não foi tão difícil, mas imagino que para os que fizeram distâncias maiores foi bem sofrido”. Agora a representante de San Isidro espera ir a Bombinhas com sol, praia e sem tanto frio.

Maria Argerich diz que se divertiu na prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Maria Argerich diz que se divertiu na prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Para o estreante nos 50 quilômetros, Carlos Guagliana, as 10h41min56 de prova foram bem duras. “Achei bastante complicada, mas muito bonita, principalmente nos trechos de montanha com o sol batendo. Tenho alguma experiência em provas de aventura, mas nada como essa Indomit”, relata o representante de Buenos Aires. “Lá não há neve e nem montanhas, então correr aqui foi muito bom”.

Carlos fez sua estreia nos 50 quilômetros. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Carlos fez sua estreia nos 50 quilômetros. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A brasileira Maria Cristina Wickert foi a terceira nos 80 quilômetros com 18h02min30 e afirma que foi a prova mais complicada que já fez. “Na parte de neve eu queria ter um esqui ou snowboard para deslizar”, brinca. “Mas foi muito top, a organização está de parabéns e tomara que tenham outras edições. Agora vou tomar um Malbec e tudo o que eu tenho direito para comemorar”, completa a gaúcha radicada em Vila Velha (ES).

Maria Cristina Wickert trocou as praias do Espírito Santo pelas montanhas de Mendoza. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Maria Cristina Wickert trocou as praias do Espírito Santo pelas montanhas de Mendoza. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

E a Indomit Mendoza não teve apenas atletas sul-americanos. Joerg Moritz veio da Áustria para participar dos 80 quilômetros. “Já fiz a Indomit Bombinhas e a Costa Esmeralda, então resolvi vir conhecer Mendoza. Essa é espetacular e mais difícil por conta das montanhas, mas gostei do profissionalismo do pessoal”, relata o corredor que marcou 18h13min06. “A parte mais complicada foi a subida na neve, mas eu levei grampos para o calçado e ficou mais seguro”, completa o europeu que sempre está na Argentina e no Brasil por conta do trabalho.

Joerg já é fã de carteirinha da Indomit. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Joerg já é fã de carteirinha da Indomit. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Depois de Mendoza o Circuito volta ao Brasil para a já tradicional Indomit Bombinhas no dia 13 de agosto e para a Ultra de Costa Esmeralda nos dias 28 e 29 de outubro. E seguindo com o conceito de inovação, no dia 28 de janeiro já está confirmada a etapa Caribe, na Ilha Margarita, Venezuela.

Depois do frio argentino, a próxima etapa fora do Brasil será no Caribe.  Foto: Pedro Gutiérrez/ Flickr Depois do frio argentino, a próxima etapa fora do Brasil será no Caribe. Foto: Pedro Gutiérrez/ Flickr

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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