A edição inaugural da Indomit Mendoza Ultra Trail foi também a primeira do circuito fora do Brasil e os 400 participantes fizeram história num percurso de nível técnico elevado com subidas e descidas íngremes, neve e muito frio. A prova do último final de semana (27 e 28/05) surpreendeu os brasileiros e também alguns argentinos por não estarem acostumados ao clima extremo.
Nos 21 quilômetros a vitória foi do brasileiro André Siegl, que disputou passo a passo a vitória com o uruguaio Marcelo Casado. Apesar de não ter trilha fechada, o cascalho deixou a prova muito técnica. Mas gostei bastante, relata o gaúcho que assumiu a liderança no quilômetro cinco. No quilômetro 18 o segundo me pegou, mas não adianta. Quando eu entro numa prova não é para brincar e consegui buscar de novo a ponta para ser o campeão, comemora.
André estava decidido a não entregar o primeiro lugar. Foto: Alexandre Koda/ WebrunA chegada da prova de 35 quilômetros foi uma confraternização entre os amigos Marcos Duci e Cristian Zaina, que cruzaram a faixa com um segundo de diferença depois de decidirem quem seria o campeão. Pensei que seria mais simples, mas no final se complicou. De qualquer forma foi muito bonita, relata o argentino de Lujan de Cuyo (Mendoza). Vim com meu companheiro de equipe durante toda a prova e no fim decidimos que ele seria o primeiro, completa.
Os amigos Marocs e Cristian chegaram juntos. Foto: Alexandre Koda/ WebrunSeu colega Cristian agradeceu a cortesia. Foi uma prova muito bem marcada, 100% possível de se correr, mas as subidas foram as partes mais complicadas, relata o representante de Maipu, também na província de Mendoza.
Entre as mulheres, a argentina Sonia Procopio precisou de 3h34min15 para vencer os 35 quilômetros. Foi uma prova duríssima, estou destruída, mas muito feliz. Foi tudo muito lindo, principalmente as paisagens e a sinalização estava perfeita. Sem dúvida foi a melhor prova que já fiz até hoje, relata a corredora de San Juan, também em Mendoza.
Sonia chegou vibrando bastante após a vitória. Foto: Alexandre Koda/ WebrunO campeão dos 80 quilômetros foi o argentino de Bariloche, Ramiro Breski, que sentiu dificuldade principalmente na parte noturna da prova. Sofri à noite por conta do frio e também nas descidas intermináveis. Foram quase dez quilômetros. Mas gostei bastante do resultado final.
A neve foi um fator complicante para vários corredores. Foto: Alexandre Koda/ WebrunNos 100 quilômetros Ozeas Freitas, de Curitiba, precisou de 18h35 para cumprir o trajeto e elogia a organização. A Indomit está de parabéns por uma prova belíssima, não tenho nem palavras. A neve estava bastante alta, então foi um pouco difícil para correr e também senti o morro final, do Crocodilo, relata o conterrâneo da campeã Ana Giovanelli. Corremos à noite com uma marcação muito boa e o frio até que foi suportável, completa.
Ozeas é conterrâneo de Ana Giovanelli. Foto: Alexandre Koda/ WebrunAinda na distância maior, Juan Martin Schiappa afirma que veio para a prova por saber da boa reputação dos organizadores. A TMX já tem um nome e associada à Indomit reeditou o bom trabalho que fazem nas provas da Patagônia, com uma organização e parte técnicas muito boas, afirma o representante de Guaymallen, também em Mendoza. Foi ótimo que tínhamos bastante trechos que conseguíamos correr. E o grande diferencial foram as pessoas que trabalhavam no evento, sempre muito atenciosas e perguntando se estávamos bem e o que precisávamos, completa. Eu poderia viver para sempre nos postos de abastecimento com tanta comida e aquecimento, brinca.
Juan queria ficar para sempre nos postos de abastecimento. Foto: Alexandre Koda/ WebrunGustavo Lopez elegeu os 50 quilômetros da Indomit Mendoza porque queria uma prova diferente para correr com um grupo de amigos. Foi muito linda, mas com partes bastante complicadas como o trecho final, no Morro do Crocodilo. Subir já no fim da prova, com ladeiras bem íngremes foi um desafio grande, relata o representante de Corrientes. Dou nota dez aos organizadores e certamente vamos voltar ano que vem.
Neris Besson fez os 100 quilômetros em 18h38min55 e se surpreendeu com o percurso. É muito lindo, mas não pensei que fosse tão duro e com uma parte técnica tão pesada, confessa o representante de Menzdoza, que já havia corrido uma etapa em Bombinhas. Um evento como essa é importante para a região, porque não temos grandes provas, então movimenta o turismo. Dou aulas de economia de turismo na universidade, então para falar sobre isso é importante vivenciar, completa.
Neris não achou que fosse sentir tanta dificuldade. Foto: Alexandre Koda/ WebrunOutro mendonzino, Marcelo Fugo, fez os 80 quilômetros por confiar na reputação dos organizadores. Estou acostumado às provas da TMX na Patagônia e aqui eles não me decepcionaram. Tivemos condições muito duras, como altitude e cuidaram de nós muito bem, relata o corredor que marcou 16h44min02. A medalha, a camiseta, nada disso importa se a prova não tem uma estrutura de atendimento. Na Indomit havia pessoas nos lugares mais complicados para nos dar assistência. Espero que voltem ano que vem, relata.
Marcelo Fugo quer a Indomit ano que vem novamente na região. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEle também fala da importância do evento para o turismo. Estamos na temporada baixa e esse evento movimentou as pousadas, hotéis e restaurantes locais. Já temos muitas corridas em San Martin de Los Andes, Villa La Angostura, Bariloche, agora é hora de consolidarmos Mendoza.
Maria Argerich fez os 21 quilômetros em 3h51min51 e afirma que se divertiu bastante. Foi muito divertida, pois tinha terrenos bem variados. Estou acostumada a fazer provas de aventura, então o Morro do Crocodilo não foi tão difícil, mas imagino que para os que fizeram distâncias maiores foi bem sofrido. Agora a representante de San Isidro espera ir a Bombinhas com sol, praia e sem tanto frio.
Maria Argerich diz que se divertiu na prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunPara o estreante nos 50 quilômetros, Carlos Guagliana, as 10h41min56 de prova foram bem duras. Achei bastante complicada, mas muito bonita, principalmente nos trechos de montanha com o sol batendo. Tenho alguma experiência em provas de aventura, mas nada como essa Indomit, relata o representante de Buenos Aires. Lá não há neve e nem montanhas, então correr aqui foi muito bom.
Carlos fez sua estreia nos 50 quilômetros. Foto: Alexandre Koda/ WebrunA brasileira Maria Cristina Wickert foi a terceira nos 80 quilômetros com 18h02min30 e afirma que foi a prova mais complicada que já fez. Na parte de neve eu queria ter um esqui ou snowboard para deslizar, brinca. Mas foi muito top, a organização está de parabéns e tomara que tenham outras edições. Agora vou tomar um Malbec e tudo o que eu tenho direito para comemorar, completa a gaúcha radicada em Vila Velha (ES).
Maria Cristina Wickert trocou as praias do Espírito Santo pelas montanhas de Mendoza. Foto: Alexandre Koda/ WebrunE a Indomit Mendoza não teve apenas atletas sul-americanos. Joerg Moritz veio da Áustria para participar dos 80 quilômetros. Já fiz a Indomit Bombinhas e a Costa Esmeralda, então resolvi vir conhecer Mendoza. Essa é espetacular e mais difícil por conta das montanhas, mas gostei do profissionalismo do pessoal, relata o corredor que marcou 18h13min06. A parte mais complicada foi a subida na neve, mas eu levei grampos para o calçado e ficou mais seguro, completa o europeu que sempre está na Argentina e no Brasil por conta do trabalho.
Joerg já é fã de carteirinha da Indomit. Foto: Alexandre Koda/ WebrunDepois de Mendoza o Circuito volta ao Brasil para a já tradicional Indomit Bombinhas no dia 13 de agosto e para a Ultra de Costa Esmeralda nos dias 28 e 29 de outubro. E seguindo com o conceito de inovação, no dia 28 de janeiro já está confirmada a etapa Caribe, na Ilha Margarita, Venezuela.
Depois do frio argentino, a próxima etapa fora do Brasil será no Caribe. Foto: Pedro Gutiérrez/ FlickrEste texto foi escrito por: Alexandre Koda