No último domingo (22), a primeira edição do Mountain Do Vale Sagrado dos Incas teve trilhas técnicas, trechos de cascalho, subidas e descidas íngremes, além de ar rarefeito por conta da altitude de quase 3.500m acima do nível do mar. Mas, os corredores dos 42, 20 e oito quilômetros gostaram dos desafios e do acolhimento do povo peruano que abraçou a prova.
O começo foi mais complicado pela falta de ar, mas depois fui me acostumando. Esperava mais estradões, mas me surpreendi com as trilhas e a parte técnica da prova, relata Ingrid Ferreira de Morais. Foi muito legal a energia das crianças e da população em geral quando nos encontrava ao longo do percurso, completa a esposa do Rei da Montanha que correu os 20 quilômetros.
Ingrid sofreu apenas no começo. Foto: Alexandre Kod/ WebrunA edição peruana do Mountain Do teve uma estreante nas trilhas: Nadja Bittar, que antes da prova só havia feito corridas em asfalto. Foi minha primeira corrida de oito quilômetros e uma emoção indescritível passar por todas aquelas montanhas. Nenhuma das que corri antes se compara a essa.
Nadja estreou em provas acima de 5 km. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Representando os gaúchos estava Cleimar Tomazelli, que sofreu bastante no percurso. Sem dúvida foi a prova mais difícil que eu fiz até hoje. Já corri 80, 100 quilômetros, mas como treino ao nível do mar, respirar aqui em cima foi muito difícil, relata o representante da equipe Companhia dos Cavalos. Depois do quilômetro 30 passei a intercalar 200m de caminhada com 300 de corrida porque me faltava fôlego. Durante a semana ainda inventei de descer os quase mil degraus da Montanha Machu Pichu correndo, então minhas pernas estavam bem fadigadas, completa.
Essa foia a prova mais dura para Cleimar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Enquanto uns sofreram com a altitude, Fabiane Galina afirma que não teve problema algum e rasga elogios à estrutura do evento. Foi sensacional. A prova superou minhas expectativas com esse percurso belíssimo e fiz os 20 quilômetros de forma bem tranquila. Foi top desde o kit, a organização e até os banheiros químicos, relata a curitibana.
Fabiane curtiu cada detalhe da provar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Dupla de Anas
As irmãs Ana Claudia e Ana Paula Nastari chegaram muito emocionadas na linha de chegada após 5h30 correndo. Foi uma prova linda, muito dura e emocionante, comenta Ana Claudia com a voz embargada e deixando a emoção tomar conta. Gostei muito da paisagem, mas por conta da altitude foi muito cansativa. Faltou ar, tive cansaço no corpo, minha mão ficou bem inchada e sofri bastante desde o começo, completa a irmã Ana Paula tentando conter as lágrimas que insistiam em cair dos olhos. Mas valeu a pena esse grande desafio e recomendo aos amigos com certeza, completa.
As irmãs Ana se emocionaram ao completar a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun André Lemes da Silva saiu do Guarujá, litoral norte de São Paulo, para disputar os 42 quilômetros do Mountain Do e afirma que a prova foi uma superação total. Senti muita falta de ar e enjoo logo nos primeiros dias que cheguei a Cusco e durante a prova também. Tinha muita trilha pesada e cascalho, mas foi ótimo, voltarei ano que vem. O paulista marcou 6h01.
André treina ao nível do mar, então a altitude complicou sua prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Conforme o relógio de prova marcava a aproximação do limite máximo de tempo, José Virgnio de Morais se preocupava com o último aluno de sua equipe que faltava cruzar a linha de chegada e resolveu voltar para o percurso em busca de Alexandre Zacaro. A preocupação não durou muito, porque assim que ele e o também pupilo Giovani Bondança saíram em disparada logo encontraram Zacaro correndo confortavelmente ao lado de outros dois corredores.
A prova foi bem difícil, mas o tempo que fiz foi dentro do esperado, relata o paulista que fez 6h13min23. As paisagens são lindas, o percurso é bastante técnico e o que faltou de ar sobrou de entusiasmo para chegar bem ao final, completa.
Alexandre afirma ter feito a prova dentro do tempo esperado. Foto: Alexandre Koda/ Webrun A maioria dos corredores do Mountain Do Vale Sagrado dos Incas veio das regiões sul e sudeste do país, além de alguns estrangeiros que subiram ao pódio. Mas a região norte brasileira estava representada por Acileide Alves Souza, que saiu de Porto Velho (RO) para correr no Peru. Para mim a prova foi bem complicada, pois tive uma lesão e fiquei dois meses sem treinar, só fazendo fisioterapia. Pensei que só fosse conseguir chegar até o quilômetro 18, mas criei coragem para prosseguir e graças a Deus deu tudo certo.
Acileide representou a região norte do Brasil. Foto: Foto: Alexandre Koda/ Webrun Ela treina a uma altitude de 85 metros acima do nível do mar em sua cidade e chegou com antecedência ao Peru para se aclimatar. Não senti tanta dificuldade para respirar, porque cheguei uma semana antes e fiz alguns treinos na cidade, inclusive subindo alguns morros. Pensei que fosse estourar o limite de tempo por conta de lesão, mas cheguei antes do esperado, relata a corredora que marcou 6h29min08. Já tinha corrido provas de outros organizadores, mas foi minha primeira do Mountain Do e quero voltar se a minha condição física permitir.
Na chegada foi montado um posto médico com enfermeiros e um médico cardiologista, além de balões de oxigênio para quem estivesse com dificuldades respiratórias, caso de Jacks Morgado Sobrinho. A mochila de água pesou e senti fadiga para respirar, além de ter levado um tombo e ter machucado o joelho. Senti muita canseira no final, comenta o corredor de Florianópolis que marcou 6h32min10. Mas a prova foi maravilhosa e as paisagens davam ânimo para correr. O staff peruano é incrível, assim como o povo das cidades aplaudindo a gente, completa.
Jakes foi um dos que colocou à prova o posto médico. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Marisa e Manuel Hashimoto chegaram muito emocionados após 6h54min31 e felizes por terem completado a prova. Foi uma prova linda, mas muito difícil por vários problemas que tivemos ao longo dos treinamentos, comenta Marisa. Tive problemas no joelho, pensei que não fosse conseguir fazer a prova, pois fiquei sem treinar no último mês fazendo apenas fisioterapia, salienta Manuel. Pensei que meu marido não fosse conseguir terminar a prova no tempo limite, mas ele se superou e conseguiu chegar, mesmo sentindo a altitude, completa a esposa orgulhosa.
O casal Hashimoto teve dificuldades no treinamento. Foto: Alexandre Koda/ Webrun A jornalista Ana Lucia Azevedo foi a última corredora a cruzar a linha de chegada depois de sofrer em diversas partes do percurso, mas afirma que nunca pensou em desistir. No pain, no gain. A prova foi muito mais técnica do que eu imaginava com single tracks e até precipícios, mas ao mesmo tempo muito segura e bem marcada, relata.
Fiz um treino na quarta-feira antes da prova na cidade e pensei que fosse morrer sufocada. Mas durante a corrida não senti a altitude. O problema foi no trecho de canaletas de água, porque eu não tenho ligamentos e ali precisava de muito equilíbrio. Fiquei nervosa.
Ana Lucia foi a última, mas não desistiu. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Euclides S. Neto, o Kiko, responsável pela empresa organizadora, a Sports Do, estava muito apreensivo no início com possíveis problemas que os corredores pudessem enfrentar durante a prova. Em um dos trechos ele pedia encarecidamente que os líderes não forçassem tanto o ritmo e que não era uma prova para tempo, mas sim para ser desfrutada. Ao final, todo o cuidado foi recompensado, segundo um dos responsáveis pela prova, André Andrade. É muito bom saber que todos chegaram sem grandes complicações. Montamos uma estrutura médica completa para atender nossos corredores, mas agora podemos respirar aliviados e dizer que essa primeira edição foi um sucesso.
A próxima etapa internacional do Mountain Do será no Deserto do Atacama (Chile) entre os dias 12 e 13 de novembro. Antes disso, entre 24 e 26 de junho acontece a tradicional disputa do Costão do Santinho em Florianópolis. As inscrições podem ser feitas pelo Ticket Agora, parceiro oficial do Webrun para inscrições online.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda