Corredores sofrem com altitude, mas elogiam Mountain Do Vale Sagrado

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 27 maio, 2016

No último domingo (22), a primeira edição do Mountain Do Vale Sagrado dos Incas teve trilhas técnicas, trechos de cascalho, subidas e descidas íngremes, além de ar rarefeito por conta da altitude de quase 3.500m acima do nível do mar. Mas, os corredores dos 42, 20 e oito quilômetros gostaram dos desafios e do acolhimento do povo peruano que abraçou a prova.

“O começo foi mais complicado pela falta de ar, mas depois fui me acostumando. Esperava mais estradões, mas me surpreendi com as trilhas e a parte técnica da prova”, relata Ingrid Ferreira de Morais. “Foi muito legal a energia das crianças e da população em geral quando nos encontrava ao longo do percurso”, completa a esposa do Rei da Montanha que correu os 20 quilômetros.

Ingrid sofreu apenas no começo. Foto: Alexandre Kod/ Webrun Ingrid sofreu apenas no começo. Foto: Alexandre Kod/ Webrun

A edição peruana do Mountain Do teve uma estreante nas trilhas: Nadja Bittar, que antes da prova só havia feito corridas em asfalto. “Foi minha primeira corrida de oito quilômetros e uma emoção indescritível passar por todas aquelas montanhas. Nenhuma das que corri antes se compara a essa”.

Nadja estreou em provas acima de 5 km. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Nadja estreou em provas acima de 5 km. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Representando os gaúchos estava Cleimar Tomazelli, que sofreu bastante no percurso. “Sem dúvida foi a prova mais difícil que eu fiz até hoje. Já corri 80, 100 quilômetros, mas como treino ao nível do mar, respirar aqui em cima foi muito difícil”, relata o representante da equipe Companhia dos Cavalos. “Depois do quilômetro 30 passei a intercalar 200m de caminhada com 300 de corrida porque me faltava fôlego. Durante a semana ainda inventei de descer os quase mil degraus da Montanha Machu Pichu correndo, então minhas pernas estavam bem fadigadas”, completa.

Essa foia a prova mais dura para Cleimar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Essa foia a prova mais dura para Cleimar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Enquanto uns sofreram com a altitude, Fabiane Galina afirma que não teve problema algum e rasga elogios à estrutura do evento. “Foi sensacional. A prova superou minhas expectativas com esse percurso belíssimo e fiz os 20 quilômetros de forma bem tranquila. Foi top desde o kit, a organização e até os banheiros químicos”, relata a curitibana.

Fabiane curtiu cada detalhe da provar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Fabiane curtiu cada detalhe da provar. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Dupla de Anas

As irmãs Ana Claudia e Ana Paula Nastari chegaram muito emocionadas na linha de chegada após 5h30 correndo. “Foi uma prova linda, muito dura e emocionante”, comenta Ana Claudia com a voz embargada e deixando a emoção tomar conta. “Gostei muito da paisagem, mas por conta da altitude foi muito cansativa. Faltou ar, tive cansaço no corpo, minha mão ficou bem inchada e sofri bastante desde o começo”, completa a irmã Ana Paula tentando conter as lágrimas que insistiam em cair dos olhos. “Mas valeu a pena esse grande desafio e recomendo aos amigos com certeza”, completa.

As irmãs Ana se emocionaram ao completar a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun As irmãs Ana se emocionaram ao completar a prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

André Lemes da Silva saiu do Guarujá, litoral norte de São Paulo, para disputar os 42 quilômetros do Mountain Do e afirma que a prova foi uma superação total. “Senti muita falta de ar e enjoo logo nos primeiros dias que cheguei a Cusco e durante a prova também. Tinha muita trilha pesada e cascalho, mas foi ótimo, voltarei ano que vem”. O paulista marcou 6h01.

André treina ao nível do mar, então a altitude complicou sua prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun André treina ao nível do mar, então a altitude complicou sua prova. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Conforme o relógio de prova marcava a aproximação do limite máximo de tempo, José Virgnio de Morais se preocupava com o último aluno de sua equipe que faltava cruzar a linha de chegada e resolveu voltar para o percurso em busca de Alexandre Zacaro. A preocupação não durou muito, porque assim que ele e o também pupilo Giovani Bondança saíram em disparada logo encontraram Zacaro correndo confortavelmente ao lado de outros dois corredores.

“A prova foi bem difícil, mas o tempo que fiz foi dentro do esperado”, relata o paulista que fez 6h13min23. “As paisagens são lindas, o percurso é bastante técnico e o que faltou de ar sobrou de entusiasmo para chegar bem ao final”, completa.

Alexandre afirma ter feito a prova dentro do tempo esperado. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Alexandre afirma ter feito a prova dentro do tempo esperado. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A maioria dos corredores do Mountain Do Vale Sagrado dos Incas veio das regiões sul e sudeste do país, além de alguns estrangeiros que subiram ao pódio. Mas a região norte brasileira estava representada por Acileide Alves Souza, que saiu de Porto Velho (RO) para correr no Peru. ”Para mim a prova foi bem complicada, pois tive uma lesão e fiquei dois meses sem treinar, só fazendo fisioterapia. Pensei que só fosse conseguir chegar até o quilômetro 18, mas criei coragem para prosseguir e graças a Deus deu tudo certo”.

Acileide representou a região norte do Brasil. Foto: Foto: Alexandre Koda/ Webrun Acileide representou a região norte do Brasil. Foto: Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Ela treina a uma altitude de 85 metros acima do nível do mar em sua cidade e chegou com antecedência ao Peru para se aclimatar. “Não senti tanta dificuldade para respirar, porque cheguei uma semana antes e fiz alguns treinos na cidade, inclusive subindo alguns morros. Pensei que fosse estourar o limite de tempo por conta de lesão, mas cheguei antes do esperado”, relata a corredora que marcou 6h29min08. “Já tinha corrido provas de outros organizadores, mas foi minha primeira do Mountain Do e quero voltar se a minha condição física permitir”.

Na chegada foi montado um posto médico com enfermeiros e um médico cardiologista, além de balões de oxigênio para quem estivesse com dificuldades respiratórias, caso de Jacks Morgado Sobrinho. “A mochila de água pesou e senti fadiga para respirar, além de ter levado um tombo e ter machucado o joelho. Senti muita canseira no final”, comenta o corredor de Florianópolis que marcou 6h32min10. “Mas a prova foi maravilhosa e as paisagens davam ânimo para correr. O staff peruano é incrível, assim como o povo das cidades aplaudindo a gente”, completa.

Jakes foi um dos que colocou à prova o posto médico. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Jakes foi um dos que colocou à prova o posto médico. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Marisa e Manuel Hashimoto chegaram muito emocionados após 6h54min31 e felizes por terem completado a prova. “Foi uma prova linda, mas muito difícil por vários problemas que tivemos ao longo dos treinamentos”, comenta Marisa. “Tive problemas no joelho, pensei que não fosse conseguir fazer a prova, pois fiquei sem treinar no último mês fazendo apenas fisioterapia”, salienta Manuel. “Pensei que meu marido não fosse conseguir terminar a prova no tempo limite, mas ele se superou e conseguiu chegar, mesmo sentindo a altitude”, completa a esposa orgulhosa.

O casal Hashimoto teve dificuldades no treinamento. Foto: Alexandre Koda/ Webrun O casal Hashimoto teve dificuldades no treinamento. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

A jornalista Ana Lucia Azevedo foi a última corredora a cruzar a linha de chegada depois de sofrer em diversas partes do percurso, mas afirma que nunca pensou em desistir. “No pain, no gain. A prova foi muito mais técnica do que eu imaginava com single tracks e até precipícios, mas ao mesmo tempo muito segura e bem marcada”, relata.

“Fiz um treino na quarta-feira antes da prova na cidade e pensei que fosse morrer sufocada. Mas durante a corrida não senti a altitude. O problema foi no trecho de canaletas de água, porque eu não tenho ligamentos e ali precisava de muito equilíbrio. Fiquei nervosa”.

Ana Lucia foi a última, mas não desistiu. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Ana Lucia foi a última, mas não desistiu. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Euclides S. Neto, o Kiko, responsável pela empresa organizadora, a Sports Do, estava muito apreensivo no início com possíveis problemas que os corredores pudessem enfrentar durante a prova. Em um dos trechos ele pedia encarecidamente que os líderes não forçassem tanto o ritmo e que não era uma prova para tempo, mas sim para ser desfrutada. Ao final, todo o cuidado foi recompensado, segundo um dos responsáveis pela prova, André Andrade. “É muito bom saber que todos chegaram sem grandes complicações. Montamos uma estrutura médica completa para atender nossos corredores, mas agora podemos respirar aliviados e dizer que essa primeira edição foi um sucesso”.

A próxima etapa internacional do Mountain Do será no Deserto do Atacama (Chile) entre os dias 12 e 13 de novembro. Antes disso, entre 24 e 26 de junho acontece a tradicional disputa do Costão do Santinho em Florianópolis. As inscrições podem ser feitas pelo Ticket Agora, parceiro oficial do Webrun para inscrições online.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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