Corredores “invadem”a capital do surfe, Maresias, para a K21 Series

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 21 jul, 2014

Direto de Maresias – Maresias é uma das capitais do surfe no Brasil, mas no último sábado (19/07) foram os corredores que se destacaram durante a segunda etapa da K21 Series. A prova teve distâncias de 21 e dez quilômetros repletas de desafios como lama, ladeiras, travessias de rios e areia fofa num percurso que passou dentro do Parque Estadual da Serra do Mar.

A largada aconteceu às 9h em frente ao Bar Os Alemão com um pedido dos fiscais da Fundação Florestal, órgão que administra o Parque Estadual. Eles pediram para que os corredores evitassem jogar copinhos de água e lixo no meio do mato e os deixassem em locais de fácil visualização para facilitar a limpeza. “Vamos preservar a Mata Atlântica, já que restam apenas 7%”, indagou um dos responsáveis pela entidade.

Recado dado, os cerca de 300 participantes saíram em disparada pela praia e logo tiveram que “escalaminhar” um morro com auxílio de uma corda. Nesse trecho a embaixatriz da prova, Cilene Sophya Santos liderava metros à frente de Ana Gorini da Veiga, enquanto no masculino Michael Luiz dos Santos, Roberto Oliveira e Rosival Pereira brigavam pela liderança.

Escalaminhar o morro foi um dos primeiros desafios. Foto: Alexandre Koda Escalaminhar o morro foi um dos primeiros desafios. Foto: Alexandre Koda

A chuva forte do dia anterior deu uma trégua durante a corrida, mas deixou as trilhas lisas e o nível dos rios mais alto, obrigando todos a ficarem mais atentos. O primeiro riacho foi vencido com tranquilidade já que bastava um pouco de técnica para margeá-lo e logo atingir terra firme.

Já o segundo rio foi vencido com água quase na cintura, mas muitos aproveitaram para mergulhar e tirar o excesso de barro do corpo. Na metade da prova, já exaustos, os atletas chegaram ao topo de um morro de onde era possível avistar a praia de Toque Toque Pequeno e a imensidão do céu se misturando ao mar. Um alívio para muitos.

Durante a travessia do segundo rio, pausa para se refrescar. Foto: Alexandre Koda Durante a travessia do segundo rio, pausa para se refrescar. Foto: Alexandre Koda

Disputas

Enquanto Cilene acelerava para aumentar a vantagem para Ana, entre os homens Michael e os demais continuavam na disputa pelo caneco dourado. Os organizadores não aliviaram a dificuldade do percurso nos trechos finais e colocaram mais ladeiras antes da parte final na areia fofa da praia.

Enquanto Michael cruzava a linha de chegada com 2h00min32 e Cilene com 2h17min22, os corredores do pelotão geral começavam a sentir um desgaste maior com a chegada do sol, que durante as primeiras horas não quis participar da competição. Ana foi a segunda com 2h23min16, seguida por Lidia Simões com 2h48min30. No masculino Roberto Oliveira foi o vice com 2h00min45 e Rosival Pereira o terceiro com 2h01min17.

Cilene desbravou as trilhas de Maresias. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Cilene desbravou as trilhas de Maresias. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

“Eu abracei a prova e me dediquei bastante para ela. Liderei durante todo o tempo e consegui vencer. Tive o privilégio de encontrar amigos e alunos no meio do percurso para me incentivar e isso é ótimo, pois renova as forças”, conta a treinadora do Projeto Mulher/ Núcleo Aventura.

O campeão Michael veio de Ubatuba para competir na K21 e usou a cabeça para vencer. “Minha estratégia foi deixar os outros meninos ditarem o ritmo para eu estudá-los e saber a melhor hora de atacar. Faltando uns três ou quatro quilômetros percebi que era a hora de acelerar”, comenta.

Cilene e Michael são os primeiros campeões da K21 Maresias. Cilene e Michael são os primeiros campeões da K21 Maresias.

Estreia

A prova de Maresias teve muitos corredores estreantes, que resolveram trocar o asfalto pelas trilhas, caso da segunda colocada, Ana Gorini. “Essa foi a prova mais casca grossa que fiz na minha vida, um verdadeiro auto conhecimento. A gente pensa que não vai conseguir superar um obstáculo e consegue”. Sentindo na pele o que muitos treinadores fazem questão de afirmar, o ritmo na trilha é bem diferente. “No asfalto eu não me permito caminhar, mas aqui a gente tem que baixar a bola e andar mesmo”, admite a gaúcha que elogia a organização. “Os staffs estavam em tudo quanto é canto e sempre a postos para dar suporte e confiança”.

Maria Alice foi a última colocada com 5h24 de prova. Foto: Alexandre Koda Maria Alice foi a última colocada com 5h24 de prova. Foto: Alexandre Koda

E não foi só na ponta que os estreantes apareceram, já que a última colocada, Maria Alice Zemuner também debutou na modalidade. “Foi uma prova muito difícil, insana, principalmente a subida do quilômetro 10. Minha panturrilha doeu muito”, conta a corredora de 62 anos. “A parte que eu mais gostei foram as descidas, para aliviar um pouco o cansaço”, completa a paulista.

O Espírito K, como dizem os organizadores, seguirá agora para Ubatuba para a disputa da K42 no dia 30 de agosto. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo site oficial, o www.k42series.com/brasil.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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