
José Virgínio (direita) com Giliard Pinheiro: rostos conhecidos nas provas de montanha (foto: Raquel Hoefel/ Divulgação)
O corredor José Virgínio de Morais embarca nesta quinta-feira (05/01) para os Estados Unidos, onde disputará a Meia Maratona e a Maratona da Disney, no final de semana (07 e 08/01). Rosto conhecido nas provas de montanha brasileiras, como XTerra, K42 e o Circuito de Paranapiacaba (SP), José Virgínio conta que começou a correr nas ruas.
Eu saí da rua para a montanha. Sempre treinei cross country, mas comecei a correr em montanha só em 2008 [quando foi campeão brasileiro, título que repetiu em 2009 e 2010], diz o fundista. Desde então, a corrida de rua não tem feito parte do calendário do atleta, que as utiliza mais como treino de velocidade.
Em 2011, houve uma reaproximação de José Virgínio com o asfalto. Comecei a pensar em voltar um pouco, mesclar mais. Corri três meias e a Gonzaguinha (15 km), como treinamento para o Desafio do Pateta [Meia Maratona e Maratona da Disney].
O atleta explica que o principal objetivo nos EUA é obter um bom resultado na menor prova. Vou buscar a Meia, a Maratona é uma incógnita. O nível da Meia não é baixo, os primeiros fazem em 1h06min30. Já na Maratona são tempos altos para a elite internacional [como disse Adriano Bastos, heptacampeão na Disney].
Montanha versus rua– A principal diferença entre um fundista de montanha e um de rua, segundo José Virgínio, é a força. Quem corre em montanha é um atleta mais forte. A constatação pode ser feita visualmente. Dá para perceber que o corredor de montanha tem o tibial anterior (músculo na canela) e a panturrilha mais acentuados do que um corredor de rua. O cara da rua não trabalha tanto esses músculos, explica.
Outro aspecto diferente apontado pelo corredor é a estratégia e o ritmo de prova. Na montanha não tem ritmo, é impossível. O que existe é estratégia de prova, saber onde dá para descansar, onde precisa ser mais técnico, ilustra. De acordo com o atleta, a característica de velocidade constante que as corridas de rua apresentam colabora no desenvolvimento de sua aceleração na montanha. Tenho ido um pouco mais rápido, revela, acrescentando que a dificuldade na transição para as ruas não é na resistência, mas na velocidade.
63 quilômetros em dois dias – Correr uma meia em um dia e uma maratona no dia seguinte pode parecer inadequado, se levada em consideração a convenção de treino em um dia, descanso no outro. José Virgínio acredita que é tudo questão de costume.
Existe uma regra no treinamento que funciona da seguinte forma: quanto mais treinado você está, mais rápido você se recupera, afirma. A ideia é fazer uma prova forte e estar recuperado em 24 horas para poder correr a Maratona.
Em fevereiro, o fundista vai correr o Cruce de Los Andes (2 a 5/02), na cordilheira entre a Argentina e o Chile. São 100 quilômetros. No primeiro dia são 40, no segundo 32. Então na teoria meu corpo vai responder bem [na Disney], conclui.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes