
Caminhada três vezes por semana é o suficiente para sair do sedentarismo (foto: Revati Upadhya/ stock.xchng)
Dia 29 de setembro é o Dia Mundial do Coração, data instituída pela Federação Mundial do Coração World Heart Federation para incentivar ações de prevenção contra os malefícios coronários. As campanhas visam conscientizar a população atletas ou sedentários não apenas sobre a realização de exames preventivos, mas também quanto à adoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática esportiva.
É uma data para reforçar as ações de prevenção, conta o Dr. Marcelo Cantarelli, cardiologista da Angiocardio e diretor da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. O Dr. Marcelo lembra que o número de mortes por enfarto em mulheres no mundo é seis vezes maior do que por câncer de mama. É a segunda causa de morte no País, 300 mil pessoas por ano morrem de enfarto de miocárdio no Brasil. No mundo são mais de 17 milhões.
Segundo o doutor, o primeiro passo que uma pessoa deve dar no Dia Mundial do Coração é se perguntar O que eu já fiz pelo meu coração?, como explica ele. Muitas doenças não são detectadas até estarem em um estágio avançado. É um órgão interno, às vezes tem algo errado, mas não está aparente, diz o Dr. Marcelo.
Hoje em dia, a procura pelos exames antes do início de uma prática esportiva é mais comum no Brasil. Há uma educação maior quanto a isso, o brasileiro já criou essa cultura, comenta o médico.
A primeira coisa é ir ao médico para medir se o coração é saudável como se pensa, afirma. Para quem já pratica atividade física, o recomendado é que nesse exame seja realizado um teste de esforço físico para saber se o coração responde normalmente à demanda do corpo.
O cardiologista alerta para quem resolve começar a correr sem conhecer sua condição. O teste é que pode dizer se ele pode correr, esclarece. Um teste ergométrico avalia as reações cardiovasculares do indivíduo, como pressão, frequência cardíaca e possíveis arritmias.
A partir desse momento, caso não apresente irregularidades e nem fatores de risco como pressão alta, obesidade, sedentarismo, estresse, colesterol alto, diabetes, tabagismo ou herança familiar a pessoa pode começar a prática das atividades físicas. Em caso contrário, evidentemente, deve se iniciar o combate ao fator de risco em questão.
Exercícios são aliados do coração – Para o Dr. Marcelo, hábitos saudáveis são fundamentais para o bom funcionamento do órgão. Cuidados com a alimentação e atividade física regular auxiliam no combate aos fatores de risco, conta o médico.
A prática de exercícios regula a pressão, diminui o grau de glicemia, combate a obesidade, o stress e auxilia na substituição de vícios, como o tabagismo. A pessoa substitui o vício no cigarro pelo vício saudável em endorfina o hormônio liberado pela atividade física que dá prazer, esclarece.
Não é necessário ser um superatleta para reduzir os riscos. Uma caminhada de no mínimo 30 minutos por dia, três vezes por semana, já é o suficiente para uma pessoa não ser considerada sedentária, explica Dr. Marcelo.
Alimentação não precisa ser radical – Uma alimentação balanceada não é sinônimo de comida sem sabor. O mais importante é que a pessoa tenha conhecimento do que é bom e do que é ruim para o organismo, comenta o especialista. O médico acrescenta que é preciso ter a consciência do que não faz bem e saber dosar, sem ser radical. Não precisa deixar de comer a pizza no final de semana, brinca o doutor.
É só saber que comidas tem excesso de gorduras saturadas e evitar abusos de sal ou açúcar, conta ele. Uma alimentação que inclua legumes, verduras, grãos e cereais é o mais indicado. Carnes e massas são permitidas, mas deve-se evitar as mais gordurosas ou que levem muito molho. Prefira uma carne grelhada a um strogonoff, comenta.
Azeite e castanhas são mais calóricos não indicados para quem quer emagrecer – mas extremamente saudáveis para o coração. Basta incluí-los na sua alimentação. Pouco a pouco você vai se reeducando, conclui o cardiologista.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes