
Doces liberam serotonina hormônio do bem-estar (foto: Pixaio/ stock.xchng)
Chegar em casa depois de um dia estressante e ter vontade de devorar um pacote de biscoitos ou uma caixa de bombons: quem nunca teve esse desejo? Afogar as mágoas na comida pode ser um alívio momentâneo, mas transformar a gula em hábito pode gerar diversos danos à saúde física e psicológica do indivíduo.
De acordo com o psicólogo Rogério Alonso, comer compulsivamente pode ter diversas causas, mas a principal é o descontentamento entre a pessoa com o mundo que a cerca e com ela mesma. A estrutura da personalidade de cada um influencia no modo em que ela irá lidar com a pressão cotidiana. Pessoas que não têm muita tolerância acabam precisando da ajuda da comida, explica.
A ansiedade que leva muitas pessoas a comer frequentemente está ligada a sentimentos de culpa, baixa autoestima, vergonha, insatisfação, frustração e remorso. A comida funciona como uma espécie de muleta ou válvula de escape para superar essas sensações desprazerosa, conta o psicólogo.
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Além disso, pessoas compulsivas não conseguirão afogar suas mágoas em alimentos saudáveis, mas sim nas comidas com açúcar, gordura e carboidratos. A gordura vem do chocolate, o açúcar dos doces e refrigerantes e o carboidrato dos biscoitos e bolachas. Não são alimentos fundamentais para sobreviver, complementa Rogério.
Isso ocorre porque quando esses produtos são digeridos, liberam um hormônio neurotransmissor chamado serotonina, responsável pela sensação de bem-estar. É como enganar o cérebro. A pessoa tem a sensação de felicidade sem se sentir feliz, explica o profissional.
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| Compulsivos buscam conforto em alimentos ricos em açúcar, gordura e carboidratos. Foto: Cássio Oliveira/ stock.xchng |
Sintomas – Segundo o psicólogo, um dos principais sinais de que o hábito está se tornando uma doença é o aumento expressivo do peso e a incapacidade de reversão do quadro. Quando a pessoa nota que as roupas não cabem mais e todos os indivíduos que convivem com ela notam que a barriga está começando a protuberar, há algo errado, enumera.
A próxima etapa é a tentativa de realizar diversas dietas e entrar em uma luta constante com a balança, porém essa tarefa se torna árdua uma vez que o corpo carrega os quilinhos a mais. Não há confiança o suficiente e, mesmo sentindo que está tentando emagrecer, não existe resultado. Por conta disso, a frustração aparece e aumenta ainda mais a ansiedade do doente, levando-o a comer novamente, exemplifica Rogério.
Por último, uma visita ao médico pode mostrar mudanças drásticas no resultado dos exames. Aumento da pressão arterial, diabetes e colesterol são sinais de que a saúde começa a ruir.
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Doenças que se misturam – Em alguns poucos casos, os compulsivos também podem desenvolver a bulimia, ato de provocar o vômito depois de ingerir alimentos em excesso. Uma parte da doença é parecida, mas se o alimento não sofre digestão, ele não libera seratonina. Então, os compulsivos precisam dessa sensação de bem estar, enquanto o bulímico não consegue suportar a sensação do alimento no seu organismo, explica o psicólogo.
Tratamento – Rogério Alonso afirma que é possível que um indivíduo perceba que possui o transtorno e conseguir se curar sozinho, mas as chances são pequenas e normalmente ocorrem no início da doença. Perceber que a quantidade e a qualidade dos alimentos não está correta é o primeiro passo para a cura.
Caso contrário, existe a necessidade do acompanhamento de quatro profissionais: psicólogo, psiquiatra, nutricionista e endocrinologista. O psiquiatra entrará com a medicação para controlar a ansiedade e depressão, o psicólogo designa estratégias para mudanças alimentares e fortalecimento da auto-estima, o nutricionista irá prescrever o tipo de alimentação que esta pessoa deve seguir e o endocrinologista irá fornecer medicamentos que irão ajudar na diminuição do apetite e até regular distúrbios hormonais que podem ter sido alterados com a compulsão, conclui.
Este texto foi escrito por: Rafaela Castilho
