A primeira edição da Meia Maratona do Descobrimento agitou a Orla Norte de Porto Seguro (BA) no último domingo (17) e foi um verdadeiro festival de baianidade, com ritmos musicais típicos da região, sol, chuva e muita dedicação dos corredores de cinco, 10 e 21 quilômetros. Ao todo quase mil corredores estiveram presentes no evento que abriu as festividades do Descobrimento do Brasil.
Ás 6h30 da manhã, já sob um sol escaldante, um trio elétrico começou a agitar os atletas que começavam a chegar à Praça das Pitangueiras para a concentração. O axé foi a trilha sonora principal, mas o DJ engatou uma lambada, ritmo que nasceu no Pará, mas se desenvolveu em Porto Seguro nos anos 80 antes de ganhar o Brasil e o mundo. Foi a deixa para casais apaixonados se aquecerem ao som do clássico Dançando Lambada, do grupo franco-brasileiro Kaoma.
O tiro de partida foi dado às 7h40 pelo ultramaratonista Carlos Dias primeiramente para os cadeirantes e dez minutos depois para o pelotão geral. O trajeto foi montado totalmente pela orla, com metade da pista dedicada aos corredores em mão de ida e volta e metade para os veículos também em mão dupla.
Apesar do sol forte, o calor foi amenizado pela brisa do mar e pelas nuvens carregadas de chuva que São Pedro enviou para batizar o evento. Após 1h12min24, Edilson Marinho dos Santos se tornou o primeiro campeão da prova, enquanto Miriam Santana de Matos precisou 1h35min21 para ser a primeira mulher a ostentar o título.
Edilson voou para vencer a prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEnquanto o sol se misturava com a chuva a grane massa de corredores vencia cada metro do asfalto buscando cruzar o pórtico de chegada. Foi uma prova bem cansativa, porque o sol depois da chuva parecia que ia cozinhar a cabeça, relata Thiago Moscon. Entre o quilômetro nove e o 16 faltou um pouco de água, mas depois que a gente entra na reta final é só alegria. Foi minha primeira meia depois do nascimento das minhas filhas, completa o capixaba.
Thiago se emocionou ao falar das filhas. Foto: Alexandre Koda/ WebrunCiro Ferreira veio com o Grupo de Corrida Nixon Fernandes, o mesmo do campeão da prova, com o objetivo de contagiar a todos com alegria. A cidade está de parabéns por organizar uma prova como essa toda plana. Vim com um grupo de Serrinha (BA) para brincar de correr, brincar de saúde e o melhor de tudo: alegria na chegada.
Morador de Porto Seguro, Wallace Viana fez os cinco quilômetros e afirma que o evento ajuda a promover o esporte entre os moradores. A cidade estava merecendo esse evento que ajuda as pessoas no bairro onde eu moro, o baianão, os deficientes e o povo em geral. Com fé em Deus teremos outra ano que vem, porque o esporte é maravilhoso para saúde. Wallace começou a correr em dezembro do ano passado, já participou de um triathlon e espera aumentar a distância na próxima corrida. Vamos rumo à maratona.
Wallace acredita no esporte como inclusão social. Foto: Alexandre Koda/ WebrunO cadeirante Elivaldo Santana esbanja simpatia com seu chapéu panamenho na arena e diz que o clima bonito favoreceu sua primeira participação em uma corrida. Foi uma prova bem organizada e as pessoas incentivavam a gente o tempo todo. Treinei um mês e espero que seja a primeira de muitas.
Elivaldo fez sua primeira prova. Foto: Alexandre Koda/ WebrunNos dez quilômetros Luana Oliveira baixou seu tempo mesmo sem ter treinado muito. Foi uma prova maravilhosa, a vista desse lugar deixa a gente inspirada, conta a baiana de Itabuna. O clima e a energia do pessoal aqui foram excelentes, completa. E quem preferia um clima mais ameno para correr era a representante de Ilhéus, Rita Kruschewsky. A chuva refrescou, mas gostaria que a próxima fosse mais cedo, como no Rio de Janeiro que largamos mais cedo. Ela afirma ainda que, apesar da falta de água em dois pontos, o evento está aprovado.
Luana superou suas expectativas em relação ao tempo. Foto: Alexandre Koda/ WebrunJoel Barreiros saiu de Vitória (ES) com um grupo de amigos e aprovou a corrida. Esse lugar é maravilhoso, certamente vamos voltar nos próximos anos. O único problema foi o desgaste físico grande por conta do vento e do calor. Quem também sofreu com o clima, foi a mineira de Muriaé, Sônia Ferreira, que correu os dez quilômetros com o sol nas costas. No começo estava nublado, depois chuviscou, mas a volta foi dura. Mas achei legal a organização e a participação de pessoas de várias cidades do Brasil.
O capixaba Joel já garantiu presença na edição 2017. Foto: Alexandre Koda/ WebrunAinda ofegante e se recuperando de sua estreia nos 21 quilômetros, Luma Oliveira comemorou. Eu não conseguia correr cinco quilômetros direto, mas hoje fiz os 21 e deu tudo certo e com um tempo bom, relata a triatleta porto-segurense . Essa prova é muito boa para trazer mais pessoas numa época de baixa temporada, que vão conhecer a cidade e podem voltar no futuro, completa.
Para Luma, o evento ajuda na economia da cidade. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEste texto foi escrito por: Alexandre Koda