Direto do Rio de Janeiro – Os dias que antecederam a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro foram cercados de especulações, tanto em relação às apresentações, quanto sobre quem acenderia a pira olímpica. Após as quase quatro horas de evento a sensação que ficou foi de dever cumprido, pelo menos na opinião de alguns brasileiros e estrangeiros que estiveram no Maracanã na noite de sexta-feira (05/08).
Achei a cerimônia dentro das condições do Brasil: simples, mas bonita, afirma o carioca Carlos Alexandre Papani. Só achei que a pira deveria ter sido acesa por algum esportista de mais renome, como o Oscar Schimidt, por exemplo.
Para Caio Gaio, a cerimônia foi linda e inexplicável. Eu não tinha pensado inicialmente no Vanderlei para acender o fogo, mas acho que foi merecido por toda a história dele, relata o carioca. Para Elson Alves, o estilo brasileiro e carioca estiveram bem representados. Não deixamos a desejar para nenhuma abertura de outros países, fizemos bonito. Apesar de não ter imaginado Vanderlei como o responsável pela pira, ele concorda com a escolha dos organizadores. Ele é um representante da garra. Foi prejudicado na prova (maratona olímpica de Atenas 2004), mesmo assim se manteve firme e hoje teve o reconhecimento de todos.
A cerimônia foi simples e funcional. Foto: Alexandre Koda/ WebrunPara Raquel Gaio os efeitos especiais surpreenderam, assim como a participação de Vanderlei Cordeiro. Quando o Guga entrou todos acharam que ele fosse até o final, mas foi surpreendente e gostei bastante da escolha. Sobre as críticas antecipadas ao evento, Vera Lucia Gaio afirma que foram todas infundadas. Acho que as pessoas quiseram tumultuar apenas. Os protestos foram na rua e aqui o evento foi maravilhoso e superou as expectativas.
Eliane Bonfim veio de Maceió (AL) para acompanhar a Olimpíada e se deslumbrou com o que viu no Maracanã. Nunca pensei que na minha idade fosse acompanhar um evento tão belo quanto esse, relata a representante da região nordeste do país com seus 67 anos. Eu achei demais a escolha do Vanderlei, porque eu amo aquele rapaz. Ele foi injustiçado em 2004.
Momento em que as sementes explodem para formarem o arco olímpico. Foto: Alexandre Koda/ WebrunPara a americana Hannah Poschel, o ponto alto da cerimônia foram as diferentes cores e a alegria das pessoas. Adorei conhecer um pouco da cultura sul-americana e brasileira e também a animação das pessoas na arquibancada dançando e curtindo a festa. Em sua primeira olimpíada, ela estava ansiosa em viver ao vivo tudo o que sempre viu pela televisão. Cheguei há dois dias e já estou adorando. Vim com uma amiga que trabalha no Brasil e vamos assistir ao futebol e vôlei de praia que são nossos esportes favoritos.
O colombiano Juan Pablo Alensi veio ao Brasil pela primeira vez para acompanhar os jogos e relata que a cerimônia foi interessante por ter abordado vários temas. Foi fantástico terem falado da natureza e ressaltarem os atletas, além do show de fogos de artifício. Só achei os discursos das autoridades um pouco longo.
As também colombianas, Katarina Gutierrez e Nataly Castro, se emocionaram com o evento. Foi muito empolgante, principalmente a energia e alegria dos brasileiros para cantar e dançar as músicas, afirma Katarina. Estar aqui é a realização de um sonho, porque pude sentir toda a energia das pessoas reunidas pelo esporte. Fui jogadora de basquete, então para mim tem um significado ainda mais especial.
A americana Vivian Robinson veio caracterizada para a abertura dos Jogos para mostrar seu apoio aos atletas dos Estados Unidos e conta que já esteve em diversas Olimpíadas. Eu adorei a participação dos atletas, as diferentes cores e danças (mesmo sem saber dançar) e, claro, o acendimento da pira, relata. É praticamente minha primeira vez no Rio, já que a primeira faz 25 anos e só fiquei dois dias. Cada dia vou assistir a um esporte diferente, mas meu favorito é o Badminton, pois eu jogava na época da faculdade
Vivian é uma veterana de Olimpíadas. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEla conta ainda que essa é a sexta vez que visita algum país durante a Olimpíada. Estive em Los Angeles (1984), Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004), Londres (2012) e agora no Brasil. Mas nunca assisti a uma cerimônia de abertura ao vivo, essa foi a primeira vez.
Para Cora Bagola a cerimônia brasileira foi melhor do que a de Londres, em 2012. Gostei muito da forma como os espelhos se transformaram em plantas e também o fato de cada atleta plantar uma muda. Eles estão realmente fazendo algo para salvar o planeta, não é apenas um discurso, relata a americana que foi ao Maracanã enrolada na bandeira da Romênia. Minha família é romena, mas sou a primeira a nascer em solo americano. Vim torcer pela Romênia, mesmo sem termos a presença das ginastas que não se classificaram.
A americana Cora veio torcer pela Romênia. Foto: Alexandre Koda/ WebrunTambém enrolado na bandeira de seu país, o argentino Martin Kleber achou um pouco cansativo o desfile dos atletas. Foi demorado, mas nada demais também. Gostei da parte tecnológica e criativa, relata o hermano que já esteve nos jogos de Londres (2012) e Sidney (2000). Aqui vim torcer pela natação, basquete e hóckey sobre grama. Deixo o futebol apenas para a Copa do Mundo, finaliza.
Apesar de não ter sido uma cerimônia com grandes cenários e fantasias luxuosas, a abertura no Rio de Janeiro levantou o público em diversos momentos, entre eles quando Jorge Ben Jor interpretou a canção País Tropical à capela. Entre as delegações mais aplaudidas estavam a da Alemanha, a dos refugiados e a brasileira, que encerrou o desfile.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda