O Cruce Columbia, ou simplesmente Cruce de Los Andes, tem ganhado destaque no Brasil, com um número cada ano maior de atletas canarinhos encarando as montanhas e o frio da travessia da Argentina e Chile. Esse ano as duplas Rafael Sodré/ Carlos Magno e José Virgnio/ Giliard Pinheiro alcançaram o segundo e terceiro lugares, atrás apenas da dupla argentina Daniel Simbron/ Pablo Ureta.
O primeiro dia de prova teve 39 quilômetros, com largada ao pé do vulcão chileno Osorno, teve variação altimétrica de 1131 metros positivos e 1674m negativos. “Tinham muitos trechos de estrada e uma subida bem técnica do vulcão. Também encaramos nesse dia uma subida de uns 11 quilômetros, descida de 19 mais ou menos, antes de finalizar por uma série de trilhas”, conta Giliard Pinheiro.
José Virgnio de Morais, responsável pelo blog Rei da Montanha, conta que a dupla com Giliard foi formada para o Desafio das Serras ano passado. “Ganhamos como premiação a inscrição para o Cruce. Como eu moro em São Paulo e ele em Bombinhas, a troca de mensagens via internet foi essencial para saber a evolução de cada um”, relata. Vale lembrar que os dois já correram como adversários em diversas provas, mas resolveram juntar forças ano passado em busca de novas conquistas.
As equipes verde e amarelas fizeram bonito mais uma vez no Cruce. Foto: Arquivo Pessoal/ José VirginioNo segundo dia o percurso deveria ter 26 quilômetros, segundo Giliard, mas a organização resolveu aumentar a distância, o que quebrou muitos atletas. “Tivemos que parar de correr e só trotar”, conta o catarinense. Na terceira e última etapa os brasileiros chegaram a dar combate para os “hermanos”, mas eles levaram vantagem nas descidas e ficaram com o titulo.
Clima – Ano passado a prova foi marcada por forte calor e paisagens por desertos, mas dessa vez o frio e a chuva foram uma constante durante todo o evento. “Uma das dificuldades sem dúvida foi o clima, mas a igualdade das três duplas (brasileiras e argentina) também contribuiu para que nos desgastássemos mais”, conta o “caveira” Rafael Sodré. O autor do blog De Elite afirma ainda que o foco era buscar os argentinos, que desde o começo saíram na frente. “A motivação era saber da nossa capacidade e onde poderíamos chegar”, finaliza.
Para Carlos Magno a motivação era levantar todos os dias para fazer algo que ele e os outros mais gostam de fazer: correr por trilhas e montanhas. “Foi um verdadeiro desafio nos Andes e sabíamos que o que fosse feito para buscar o título seria o melhor possível de cada um”, relata “Magrinho”, como é conhecido entre os amigos. “De volta ao Brasil, posso falar que temos atletas de nível internacional para representar nossa pátria”, orgulha-se.
Brasileiros e argentinos: rivalidade apenas nas trilhas. Foto: Arquivo Pessoal/ José VirginioPassado esse primeiro desafio, cada um seguirá seu caminho na temporada e, certamente, haverá confronto direto entre eles de forma individual. “Claro que somos todos amigos, mas quando existe uma disputa somos todos competidores”, comenta Giliard.
José Virginio terá pela frente o Ecomotion Volta dos Romeiros (21 quilômetros) e a Maratona do Fim do Mundo (Mountain Do) em Ushuaia (ARG), enquanto Giliard vai encarar a Volta à Ilha e Indomit 50 quilômetros. Já Sodré vai disputar algumas competições nacionais e se preparar para a Ultramaratona do Aconcágua e Carlos Magno viajará para a Terra do Sol Nascente para encarar a The North Face 160k Mont Fuji (Japão).
Resultados:
Equipe Etapa 1 Etapa 2 Etapa 3 Acumulado
1 – Columbia-Dole: Daniel Simbron/ Pablo Ureta (ARG) – 3h41min52 2h54min12 1h48min02 8h24min05
2 – Equipe Gêmeos: RafaeL Sodré Golçalves/ Carlos Magno Gonçalves Da Cruz (BRA) 3h54min122h59min121h48min028h41min26
3 – BMC – Team Neputunia Kailash – Indomit: Giliard Altair Pinheiro/ José Virginio De Morais (BRA) 3h58min063h08min241h48min528h55min22
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda