A Patagonia Run 2015 foi invadida por brasileiros em todas as categorias, inclusive a recém-criada distância de 120 quilômetros, que teve Manuel Lago no pódio. Assim como ele, Rafael Campos, Giliard Pinheiro, Alexandre Manzan e Cyntia Terra também chegaram entre as três primeiras colocações da prova realizada em San Martin de Los Andes nos últimos dias 10 e 11/04.
As largadas foram em locais e horários distintos, sendo responsabilidade dos corredores de 120 quilômetros abrirem a edição 2015 da prova patagônica às 21h30 da sexta-feira. O argentino bicampeão da prova, Sergio Trecaman, buscava mais uma vitória e logo assumiu a ponta, tendo em seu encalço o compatriota Gustavo Reyes.
Reyes não conseguiu dar combate a Trecaman. Foto: Alexandre Koda/ WebrunAmbos chegaram aos primeiros postos de abastecimento praticamente juntos, mas num dos trechos intermediários o desafiante se mostrou debilitado e já não dava combate a Trecaman. Aqui termina a aventura de Reyes, anunciou Mariano Alvarez, um dos organizadores da prova. As previsões se confirmaram e Gustavo abandonou, deixando caminho livre para Trecaman alcançar o tricampeonato com 14h25min54.
O também argentino Charly Galosi foi o segundo com 15h53min51, seguido pelo colunista do Webrun Manuel Lago (16h00min05), que cruzou a linha de chegada fazendo flexões e saudando o público local. Essa é uma prova que temos que usar muito a cabeça. O psicológico precisa estar treinado também, afirma o campeão. Já Manuel conta que faltou pouco para alcançar o segundo colocado. As descidas finais são muito complicadas, diferente de tudo que temos no Brasil, então não consegui alcançá-lo.
Treca deu um baile nos adversários. Foto: Alexandre Koda/ WebrunNos 42 quilômetros o brasileiro Giliard Pinheiro ficou a poucos minutos de alcançar o campeão Sergio Pereira (3h22min54) e conquistou o vice-campeonato (3h29min03), mesmo resultado de Rafael Campos nos 70 quilômetros (7h44min03 contra 7h05min29 do argentino Andres Acebo). Já Alexandre Manzan foi campeão nos 21 quilômetros com 1h42min22. Precisei parar e fazer um pit stop no meio do caminho, então perdi tempo e não consegui pegar o campeão, lamenta Gili.
Entre as mulheres o destaque ficou com a brasileira de Campinas Cyntia Terra, vice-campeã dos 100 quilômetros. Não tem como não sofrer na Patagônia. As temperaturas estavam frias, tinha muito pó no percurso, mas as paisagens eram incríveis e valeu muito a pena, afirma.
Manuel deu um show na chegada. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEssa invasão de brasileiros acontece desde a primeira edição segundo Gabriela Azcárate, uma das organizadoras do evento. Começamos em 2010 com 800 corredores e quatro brasileiros, mas logo no ano seguinte evoluímos para a casa dos 100, 300 e agora 700, afirma a dirigente. O circuito e as paisagens são muito distintos para os brasileiros, que adoram trilhas como essas para fazer trail run.
A Cidade de San Martin de Los Andes se envolve com a prova, com pessoas se deslocando aos postos de abastecimento para torcer e incentivar amigos e desconhecidos, algo pouco visto em provas brasileiras. Na linha de chegada, por exemplo, todos recebem aplausos e agradecemos demais o carinho do público, afirma Gabriela.
Cyntia (centro) representou as mulheres brasileiras na elite. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEntre corredores e acompanhantes eram quase oito mil pessoas movimentando a economia local num fim de semana fora de temporada para a cidade. Quando fizemos a primeira edição perguntamos aos comerciantes qual era a pior semana para eles e a resposta foi: o fim de semana seguinte à semana santa. Aí resolvemos organizar a corrida nessa época e hoje temos ocupação de 100% nos hotéis.
Depois de acompanhar todas as emoções de amadores e elite na Patagônia Run, é hora de iniciar o planejamento para a edição 2016, a ser realizada entre os dias oito e nove de abril. As inscrições serão abertas em breve pelo site oficial, o www.patagoniarun.com.br.
Rafa Campos preferia a chegada com subidas. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEste texto foi escrito por: Alexandre Koda