Brasileiro relata vitória nas 100 milhas da Centurion Running

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 14 ago, 2012

A prova aconteceu em vilarejos ingleses (foto: Arquivo Pessoal)
A prova aconteceu em vilarejos ingleses (foto: Arquivo Pessoal)

O carioca Manuel Lago relata sua experiência nas 100 milhas (160 quilômetros) da Centurion Running, prova de montanha que percorre diversos vilarejos próximos às montanhas North Downs, na porção sudeste da Inglaterra.

Estrear em uma ultramaratona de 100 milhas é sempre preocupante. Como seu corpo irá reagir? Qual a melhor estratégia de hidratação e alimentação a adotar? O que fazer de proteção para os pés? Todas essas perguntas são complexas de responder e muitas respostas só aparecem no momento, de acordo com seu feeling.

Como não sou muito fã de provas em asfalto, desde 2009 comecei a me aventurar em ultramaratonas que tivessem boa parte do percurso em trilhas, montanhas, areia, enfim, tudo que é off-road. Já tendo feito diversas provas similares, passando pelo TDS de Mont Blanc e o Ultra Trail da Ilha da Madeira, resolvi encarar uma prova de 100 milhas.

Vasculhando a internet e buscando provas que pontuassem para o Mont Blanc e para a Western States 100, descobri a Centurion Running. A data era perfeita (junto aos Jogos Olímpicos de Londres) e a organização da prova bastante confiável.

A prova consistia em 85% do percurso off-road e 15% asfalto, do jeito que eu gosto. Passando por bosques com céu aberto, bosques de mata fechada, plantações de trigo, pastos com touros (isso mesmo!), caminhos cobertos de árvores de framboesa e plantas que provocavam urticária, tudo que tornava a corrida motivante e prazerosa.

Percurso – As trilhas eram marcadas por fitas e sinalizações próprias dos vilarejos. Tinha que ficar bastante atento e mesmo assim me perdi umas cinco vezes, praticamente correndo uns dez quilômetros a mais! A largada da prova foi às 6 da manhã (já claro) e havia um tempo limite de 30 horas para completá-la. Eram 14 postos de controle, munidos de água, refrigerante, frutas, chocolates, castanhas, batata frita, jujubas,… Os voluntários eram extremamente gentis e atenciosos, o que facilitava e muito as nossas vidas (enchiam nossas mochilas de hidratação!).

Os itens obrigatórios: mochila de hidratação de dois litros, cobertor de emergência, mapas da região, compasso, casaco impermeável, lanterna de cabeça e telefone com número do médico e do diretor da prova (me salvou algumas vezes para voltar ao caminho certo!).

A prova transcorreu perfeitamente até umas 20h30, quando a noite tomou conta do percurso. A escuridão foi total e por melhor que fosse minha luz de cabeça o cuidado passou a ser maior ainda. Bom que só corri pouco tempo à noite!

Às 23h52 estava cruzando a linha de chegada! Com 17h52min de prova, tornei-me o campeão e de bônus quebrei o recorde em quase duas horas. O segundo colocado chegou 52 minutos depois. Daí foi só tomar uma sopinha de feijão, café com leite, trocar de roupa e esperar a carona de volta para o hotel! A disputa contou com quase 120 inscritos, mas apenas 69 cruzaram a linha de chegada no tempo máximo permitido pela organização.

Resultados:

  • 1 Manuel Lago Brasil 17h51min56
  • 2 – Justin Montague Inglaterra 18h48min02
  • 3 – Edward Catmur Inglaterra 18h50min47
  • Este texto foi escrito por: Manuel Lago, especial para o Webrun

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