Brasil está bem representado no desafio Cruce de Los Andes

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 01 fev, 2012

Largada da prova Cruce de Los Andes (foto: Divulgação)
Largada da prova Cruce de Los Andes (foto: Divulgação)

Percorrer 100 quilômetros em três dias será o desafio de 1.500 atletas na disputa Cruce de Los Andes 2012, que começa nesta sexta-feira (03/02), na cidade chilena de Puerto Fuy. Divididos em duplas, os participantes deverão passar por trilhas íngremes com variados tipos de terreno, margeadas por Lagos Andinos, enfrentado condições adversas para finalmente chegar em solo argentino.

A disputa, no estilo cross-country, há dez anos atrai centenas de atletas brasileiros interessados em testar a resistência física ao limite e apreciar cenários dignos de cartões-postais. De acordo com Iazaldir Feitoza, campeão dos 50 km do Xterra Ilha Bela e melhor brasileiro no K42 Argentina do ano passado, o “Cruce” é uma corrida de montanha diferenciada das demais, exige muito controle emocional e esforço gradativo, por conta da longa duração.

Na última edição, ele e seu parceiro lideravam a disputa no primeiro dia de prova, mas caíram para a 16ª colocação na segunda fase e finalizaram o percurso com o sétimo lugar. “Começamos num ritmo muito forte e meu colega passou mal. Quando isso acontece a gente precisa ser paciente, não pensar muito e seguir em frente”, descreve Iazaldir, encantado com a beleza das montanhas após participar do evento.

Dupla masculina do Brasil – O atleta carioca correrá este ano ao lado de José Virginio, tricampeão nacional de corridas de montanha. “Queria formar uma dupla forte, pois uma equipe brasileira nunca figurou entre as três primeiras no geral”, acrescenta. Em janeiro, Virgínio venceu a Meia Maratona da Disney (EUA), mas deixou de correr os 42 quilômetros que seria no dia seguinte, devido a um desconforto no pé direito e a intenção de se preservar para o Cruce.

“É uma prova em que não posso ter dor nenhuma. Posso até sentir algo antes, mas
tenho que entrar inteiro para aguentar bem a Cordilheira”, diz. Embora a busca por vitória seja um objetivo importante para se estabelecer metas e obter alto rendimento ao longo do desafio, Iazaldir garante que as paisagens e a interação com os demais participantes são igualmente recompensadoras ou até mais importante que o título.

Representantes do feminino – A corredora Rosália Guarischi, campeã de duas etapas do The North Face XTerra Brasil e vencedora do K42 Bombinhas Adventure, considera a temperatura baixa o maior obstáculo, já que está acostumada a treinar no calor do Rio de Janeiro. “O clima é muito diferente e a gente usa mais roupas, então dificulta movimentos mais rápidos”, destaca a atleta, já acostumada com peso extra.

“Todos os dias eu vou e volto para o meu trabalho correndo de mochila com roupa dentro, porque quando chegou ao escritório preciso ter outro vestuário. Completo vinte quilômetros diariamente e essa forma pode ajudar”, complementa a carioca, que unirá forças com Cris Carvalho (educadora física e atleta de endurance de alta performance) para conquistar um lugar ao pódio.

Depois de uma prova bastante difícil devido ao tempo chuvoso de 2010, a corredora Natália Yudenitsch, blogueira do Webrun, volta a participar do evento este ano com mais técnica e com esperança de condições climáticas melhores. Naquela edição, até os organizadores tiveram problemas para chegar aos acampamentos com os containers dos inscritos, que guardam os alimentos, roupas, barraca e outros itens da dupla.

“Nossa caixa chegou atrasada porque alguns trechos alagados foram bloqueados. Também tomamos muita chuva durante os três dias de prova. Mas valeu a pena enfrentar tudo isso, pois fiquei mais confiante para atravessar trechos com água pela cintura e trilhas difíceis”, relembra a atleta, que alerta sobre a alta altitude. “O ar é mais rarefeito e, em alguns pontos, ninguém consegue subir um aclive correndo, nem mesmo os profissionais. A gente faz uma caminhada rápida”, relata.

Para o estreante na prova Hadi Akkouh, conhecer bem o parceiro da dupla é essencial para um bom resultado em qualquer competição. “Vou correr com o Paulo Chaves, que conheci na Nike 600K. Se depender disso já tenho 50% de chance de cumprir minha missão. Mas, como sempre vou para me divertir e fazer o máximo de força possível”, diz Haddi, experiente nas corridas de aventura e que fez bastante rodagem, volumes grandes e muita subida nos treinos.

Confira abaixo o roteiro completo.

Etapa 1 – Sexta (03/02)

Largada em Puerto Fuy, Chile, um pequeno povoado localizado entre montanhas, em meio à Selva Valdiviana, com uma linda paisagem do Vulcão Mocho Choshuenco, local onde nasce o Rio Fuy. Nesta etapa os corredores percorrem a distância de 34 quilômetros, sendo que este dia será o de maior desnível, onde corredores deverão subir um trecho extenso, próximo ao Vulcão Mocho Choshuenco.

Etapa 2 Sábado (04/02)

A segunda etapa tem largada no acampamento localizado às margens do Río Fuy. Este dia será o mais duro, pois os corredores já partem de uma área com 600 metros de altitude e alcançarão 1.800 metros. A distância total a ser percorrida é de 40 quilômetros. A chegada desta etapa acontece às margens do Lago Pirehueico, um espelho de água de origem glacial.

Etapa 3 Domingo (05/02)

Esta jornada contará com um percurso de pouco desnível e com uma quilometragem menor (26,4 quilômetros). No trecho final, os atletas deverão atravessar um lago em canoas infláveis por 200 metros e chegar ao Camping Nonthué, na Argentina.

Este texto foi escrito por: Monique Barleben

Redação Webrun

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