Corri no último sábado, 16, a WineRun Vale do São Francisco. Uma prova muito interessante pelas peculiaridades. Não se trata de uma simples meia maratona. Trata-se de um grande evento de enoturismo.Saímos de Teresina na sexta, 15, logo bem cedinho. Eram 630km até a divisa entre Pernambuco e Bahia.
Viajamos tranquilamente pela BR 316, pouco trânsito e muitos animais na pista, jumentos, cabras, vacas, ovelhas, cavalos, até raposas encontramos. Quando começou a chover eu recordei de Noé e sua arca, será que viria o dilúvio? Graças a Deus, não. A leve precipitação foi só para aliviar o calor. Paisagem árida durante todo o trajeto. Em muitos trechos tínhamos a impressão que inexistia vida em meio a tanto arbusto seco. O cinza predominava na vastidão da caatinga. Aqui, acolá um juazeiro tingia de verde o cenário amorfo.
No sertão pernambucano avistamos casebres às margens da rodovia que pareciam surgir do nada, resistindo heroicamente a tanta hostilidade. De repente, alcançando um longo destampado, percebemos ao longe manchas verdejantes que se destacavam naquele mar de galhos secos e terra batida. Chegando mais perto, começamos a vislumbrar construções. Avançamos em direção à cidade. Era como se estivéssemos nos Emirados Árabes, edifícios modernos surgindo do meio do nada, a paisagem estéril, a terra seca e nua, contrastando com faixadas de vidro e mármore.
O cenário da corrida não era diferente. Muito contraste. Saímos do hotel, elegante e confortável, e fomos transportados em ônibus velhos, duros e empoeirados até a fazenda onde seria dada a largada. Íamos seguindo pela estrada rodeados pela caatinga cinzenta. De repente, a paisagem era transformada, surgiam diante de nós imensas plantações de manga, coco, uva que se estendiam até perder de vista. Escassez e abundância separadas por uma cerca de arrame farpado.
A largada foi dada às margens da barragem de Sobradinho, em Casa Nova-BA. O vento forte zunia em nossos ouvidos sob uma temperatura de 24º. O primeiro trecho da prova foi em terreno irregular, coberto de pedregulho, serpenteávamos pelas plantações de manga fazendo a poeira subir, contrariando os avisos expostos nos canteiros. Após o primeiro ponto de revezamento, corremos sob asfalto até adentrar num parreiral repleto de uvas com aparência agradabilíssima, frutas suculentas que tentavam a resistência dos competidores.