A montanha mais desafiadora que pude estar não corrida, mas passei em todos os trechos possíveis de 11 km, 21 km, 50 km e 80 km.
Ao iniciar o ano tinha em mente estar correndo um dos grandes eventos de nosso trail run e essa missão passava pela cidade de Visconde de Mauá/RJ na The North Face Endurance Challenge Ultra Trail – Agulhas Negras, para ser mais especifico na distância de 50 km, mas por algum motivo os ventos e as trilhas que passam por montanhas preferiram que para essa missão a minha função fosse outra…
Mas quando estava em janeiro eu queria muito, mas quando me dei por conta já era o mês chave e quando dei por mim lá estava eu, na largada da prova com o coração acelerado esperando a largada no: cinco, quatro, três, dois e um…
Minha emoção estava como sempre nas corridas quando vou largar… freqüência elevada para o grande momento, quando se iniciou a corrida, percebi que estava do outro lado da grade, pois eu era um torcedor e não um corredor, não pude me conter, pois o que mais queria era estar ali dentro, no corpo a corpo com os amigos que partiram para os 50 km…
Até tentei falar comigo mesmo, que aquela seria só mais uma prova, teríamos mais…
Bom…
Ao menos vi a largada, curti a largada, incentivei a galera e pude ver o último passar. Mas eu não fui.

A pergunta que não se calou dentro de mim nos últimos meses era: Será que vou estar pronto para esse dia? E a pergunta que não parou de vir até mim: Melhoras vai dar certo, já já você volta, estamos juntos sempre, força amigo, precisando de algo podes contar, até que uma alma disse: esse momento é justamente para testar a sua fé, cresça com isso, conquistasse tanto, veja quantos os olham ou vem até você para lhe demonstrar carinho, meio que tentando brigar com todos os argumentos que carinhosamente estava ao meu redor, eu ainda fiz um pedido: só queria correr, só queria o meu pé de volta para correr sem dor…
Quando o dia clareou um pouco mais e o corredores, amigos e alunos estavam prontos para a nova largada agora dos 11 km e dos 21 km pude ver muitos como uma foto na mochila (assim como os dos 80 km e 50 km), falando que estariam comigo por todo o percurso, que ela seria a energia para os momentos de fraqueza…
Em uma prova de amor, minha esposa pediu para quem quisesse correr com a minha foto na mochila era só pegar na barraca, vendo aquilo me senti a última bolacha do pacote, me senti muito importante para ela, me senti muito importante para todos, me senti recompensado pode ser um bom influenciador do trail run nacional, me senti querido, senti que também estava correndo o The North Face Endurance Challenge Ultra Trail – Agulhas Negras 2015.

A lágrima ardida que caíra no largada dos 50 km era o mesmo liquido, porém a que estava caindo depois de vivenciar tudo aqui era de um dilúvio que estava ali para lavar e iniciar todos os sonhos que eu ainda tenho para conquistar.
Obrigado, a todos os alunos da JVM TRAIL RUN, equipe Ready4, Team The North Face, Amigos BMC-Hyundai, Compresport, companheiros montanheiros, pessoas que puderam estar, estão e que amanhã estarão comigo para as corridas em montanhas mesmo que de longe como estiveram, mas com acenos ou aperto de mãos me passaram mais energia para voltar, deixo aqui o meu mais forte, sincero e carinhoso: obrigado.

Deixo aqui também um muito obrigado a Ingrid Sass (esposa), por fazer desse momento e fazer dos meus sentimentos, parte dos seus. Amo-te.

Até essa data, sigo em tratamento de uma facit Plantar que me acompanha desde 12/2014, mas creio que ela já esta em reta final de me deixar partir para as corridas.
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Este texto foi escrito por: JOSé VIRGINIO DE MORAIS