Quase sem ritmo na Meia de Floripa

Redação Webrun | · 11 jun, 2013

Eu me acostumei a correr olhando meu ritmo e estava achando isso o máximo. Então um “belo” dia, faltando duas semanas pra meia de Floripa, meu Nike Sportwhatch parou de funcionar durante um treino. Pensei que era a bateria, mas não. Foi tipo uma parada cardíaca. Morreu jovem, não tinha nem um ano. Quando eu estava decidindo qual modelo comprar me alertaram que o Garmin era melhor, mas eu fui seduzida pela Nike. Fiquei abandonada.

Liguei no 0800 da Nike, me informaram que eu tinha que mandar pelo correio, e demorava em torno de 30 dias pra avaliar o defeito e dar um retorno. Fiquei rebelde. Não tinha tempo pra isso.
 
O principal problema era que a prova estava chegando, e poxa vida, quem iria controlar meu ritmo Nike? GPS é tipo tênis, ninguém empresta, e eu tenho uma mini vergonha de ficar pedindo, pois eu não gostava de emprestar o meu (hahaha momento egoísta revelado).

Como último suspiro, liguei na loja da Nike em Curitiba, vai que alguém se sensibiliza e me ajuda. Falei com o gerente, ele perguntou a cor da pulseira, eu falei que era a verde e preta, e ele disse que a maioria daquela cor tinha dado defeito.

Fui pra meia maratona sem controle de ritmo, me sentindo perdida.  

Ok, agora vamos ao foco principal desse post. A meia maratona de Floripa! Uau, chegar em Floripa e olhar a ponte, o mar, a paisagem é sempre surpreendente. Não resisto uma foto!

Teve a parte do congestionamento, do jantar errado, a parte da festa de casamento no hotel = a ninguém dorme, a parte que eu acordei as 2h00 da manhã e comecei a me arrumar achando que era 4h30. Mas a gente ta aqui pra falar de corrida né, então vamos lá!

Chegamos na largada. Fui com meu celular na pochete (coisa linda), liguei o aplicativo da Nike (ainda insisti nisso) eu queria pelo menos registrar meu percurso, ver meus melhores kms e tal. Larguei caminhando com o pelotão azul, (tinha muita gente) deu tempo de iniciar o aplicativo e colocar na pochete. Fui embora, tentando umas ultrapassagens.

Uma coisa martelava minha cabeça. Como esta meu ritmo? Como esta meu ritmo? Acelero? Diminuo? Corro em que sensação? Sensação: Alice no país das maravilhas? Corra que a polícia vem aí? As aventuras de PI? Walking Dead? Exterminador do Futuro? Eu sei o que vocês fizeram na meia maratona passada? HAHAHAHA. Não! O mesmo tempo das anteriores, não! HAHAHAHA

Mais uma vez eu comecei a planejar algo… Imaginei que seria legal encontrar um “novo amigo” durante a prova, no meu ritmo e com GPS no pulso. Foquei num japonês que estava sempre na minha frente. Pensei: – Vou colar ali do lado dele. Colei. O japonês acelerou, não agüentei, ele não era meu ritmo. Ele estava no estilo Velozes e Furiosos. Fiquei a ver paisagens. Ahh que vista linda! Quase esqueci o que estava fazendo ali.

Voltei. Ainda queria alguém no meu ritmo. Quem procura acha… achei! Fiquei atrás do meu alvo um tempo, decidi que era aquele homem mesmo. Todo equipado… pochete, repositores, cinto de hidratação, Power GPS no pulso. Eu disse: Oi? Ta correndo em que ritmo? Ele disse: 4:50, 5:00. Eu disse: Legal, vou te acompanhar.  Mas ele não foi tão receptivo no início. Ele disse algo como: – Ainda estamos no começo, você vai quebrar garotinha! Você sabe o que está fazendo? (Como se ele fosse uma Ferrari e eu um fusquinha). Eu disse Eu vou tentar (sorriso amarelo). Fiquei atrás dele e mantive por bons kms. Até que ele olhou pra trás e viu que eu ainda estava lá. Acho que ele se sensibilizou e então ele me pegou pra “criar”.

Nos kms seguintes ele contava como estava nosso ritmo, e pra selar nossa amizade ele ainda perguntou se eu queria um gel (eu já tinha tomado dois, porque não outro?). Que simpático (me oferecendo um drink hahaha)! Seguimos correndo juntos, mas eu dei total liberdade pra ele me deixar caso percebesse que eu estava morrendo.

O percurso é o mesmo pra todo mundo (obviamente), mas o que passa na cabeça e no corpo de cada um é bem diferente. Aqueles últimos kms estavam infinitos.  Começou a ameaçar cãibra na panturrilha esquerda, e eu tentava inventar um jeito diferente de correr pra que aquilo não passasse de uma ameaça. Então, eu comecei a usar o poder infinito da mente, eu pensava na minha família, na minha irmã Pri que me acompanha todos os dias na academia, e esperava eu correr 16kms na esteira com uma santa paciência, pensei nos amigos, no meu treinador (oi André), na minha nutricionista (oi Cassiana), eu rezava, rezava, ohhh God, e esperava aquela música que podia me dar força total mas que nunca chegava, fechava os olhos e mentalizava o fim. Já vai acabar, já vai acabar, já vai acabar… (não sabia que eu corria com essa cara…SOFRIDAAA!!! Já sei!!! foi a curva da cãibra, chorei hahaha).

Lá pelo km 19 meu “novo amigo” reduziu. Eu olhei pra ele como se dissesse: – Vamos! E ele me fez sinal para prosseguir. Fui embora. Me senti um pouco egoísta por não ter motivado ele, mas eu estava concentrada, administrando aquela cãibra e minhas últimas forças…

Avistei a linha de chegada, e um sorrisoincontrolável começou a tomar conta de mim. Olhei o cronômetro e Uhuuu! HAHAHAH. Consegui baixar meu tempooo! Acho que a ficha ainda não caiu.

Enfim, aprendi a coisa mais óbvia do mundo. Com dedicação sempre é possível alcançar um objetivo. Não adianta querer ser melhor se você simplesmente não faz nada pra isso. Antigamente eu marcava prova atrás de prova querendo melhorar, e eu só melhorei quando eu parei e decidi me preparar pra algo.

Haaa, sim, e o tempo?! Meu tempo líquido foi de 1h46. E meu “novo amigo” me achou no facebook, confessou que a primeira vez que me viu “bufando” (sacanagem, mas ele falou assim), achou que eu iria quebrar HAHAHA. Ele me escreveu assim:

“Do jeito que vi vc bufando na volta do túnel da via expressa sul rsrsrsrsrs, achei realmente que vc ia quebrar. Vc me surpreendeu e muito..! Vc fez 1 minuto a menos que eu. Fique tranqüila na questão da motivação, pq vc estava concentrada e é assim que o atleta deve proceder..! Parabéns mais uma vez, e foi muito bom correr com vc, e vc me ajudou tmb muitas vezes em manter meu ritmo, mas na próxima te pego rsrsrsrsrs”

Obrigada a todos que de alguma forma me incentivam e se divertem com minhas corridas malucas.
 
Agora tenho que escolher o próximo desafio.

That´s All!

Este texto foi escrito por: PATRICIA GUIMARãES PEROTTO

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