Este sábado fiz um treino para masoquista nenhum botar defeito: subir o pico do Jaraguá de manhã. Plenas 8h do sabadão e um comboio de corredores do Núcleo Aventura e do Projeto Mulher batia ponto no parque do Jaraguá. A maioria, como eu, ia participar do Cruce e estava ali para fazer um treino mais técnico (sinônimo de treino mais sofrido).
Chegar lá até que não foi tão dramático graças ao santo Google Maps. Claro que podia ter umas placas na Anhanguera apontando a saída certa, mas aí acho que era demais, imagina só, um ponto turístico bem sinalizado! Era até capaz de ser multado por tamanha aberração.
Mas o parque em si é beeem legal, uma reserva florestal de 4,5 mil hectares, com uma infra de banheiro, bebedouros e policiamento. O pico tem 1.135m e é o ponto mais alto de Sampa e um significado bacana: Jaraguá em Guarani quer dizer Por onde a gente passou. E em Tupi quer dizer Senhor do Vale. 
O treino por ali não é para fracos (das batatas das pernas). Não importa se vc caminha ou corre, vale a pena. Mas pepare-se: a subida é boa, apesar de curta (uns 2K ou 3K do começo da trilha até o topo). Tem lama, terra, pedras, limo, mato, o menu completo para um treino mais aventura.
Você sobe em meio a névoa, parece a floresta encantada dos contos de fadas. Só que a sua sensação fica mais para Rocky Balboa treinando na escadaria do que para João e Maria encontrando a casa de doces. Porque quando vc chega ao topo do Senhor do Vale, descobre que ainda não acabou: é hora de subir as escadarias até a antena, essa mesma que a gente enxerga de quase qualquer lugar de São Paulo.
Parece difícil? E é, mas ao contrário de treinar em ladeiras urbanas, como a Biologia na USP, é que vc não vê o tempo passar. As 2h passaram vo-an-do. Você vai para outra dimensão do espaço-tempo. Qualquer outra preocupação que você possa ter na vida desaparece e dá lugar a decisões-relâmpago sobre onde pisar, tomadas pelo seus pés e não pelo seu cérebro. Porque amigos, se vcs pararem para pensar onde vai pisar, caem na hora, igual desenho animado quando anda por cima do abismo e só cai se notar que está andando no vazio.
Aliás, se vc tentar andar ou diminuir o ritmo, a probabilidade de escorregar é grande. Porque lá Onde a Gente Passou só funciona se vc não parar. Tem que descer estilo cabrito montanhês, saltita daqui, pula dali, em passos curtinhos e puladinhos — ou saltos mais ousados para o povo mais pró que estava no treino e que não descia, VOAVA ladeira abaixo com uma leveza e velocidade que só os personagens de animação da Pixar costumavam conseguir.
No final, tênis lama, roupa lama mas a alma lavada. Para quem só tinha ido lá na longínqua adolescência, como eu, vale voltar, revisitar as terras do Senhor do Vale e pagar seu tributo de suor e corrida. E lembrar-se de tudo isso 2 dias depois, que é quando as batatas doem mais 🙂
Este texto foi escrito por: CORREDORA ZEN 🙂