Bom dia Galera!
Algumas semanas após minha estréia na distância Ironman tive alguns problemas de saúde. Apesar de tirar bastante o pé dos treinamentos, meu corpo pediu mais descanso. Apesar de ter encaixado uma semana de recuperação, há duas semanas atrás me senti mal, fraco e fui parar no hospital. Diagnóstico: Gripe H1N1 e uma semana literalmente na cama, sentindo muita fraqueza.
Diferente das outras vezes que fiquei doente (e preocupado em destreinar com o tempo parado), resolvi simplesmente relaxar, curtir o tempo OFF forçado como uma mini férias e curtir o processo da gripe (se é que isto é possível…). Sem a pressão de não perder os treinamentos, comecei a pensar bem mais em alguns fatores que pouco paro para reparar durante a temporada: o mental.
Em qualquer treino que um atleta se impõe, a maioria de seus concorrentes tem o nível de treinamento muito próximo. O que diferencia o vencedor do perdedor é a técnica de movimento e a capacidade de acreditar no seu potencial. Aquela sensação de “hoje é meu dia” é muito menosprezada em nosso país. Colocamos toda a nossa esperança em treinar, treinar e treinar e ver o que nossos adversários estão treinando (e erroneamente copiando os treinos postados em mídias sociais). É impressionante como menosprezamos o aspecto mental e a positividade nos treinos e nas provas.
Enquanto estava em meu “deserto” nestes últimos dias, o que me chamou muito a atenção foi uma frase que o grande Greg Bennett (ícone do triathlon) disse: “Eu procuro curtir o processo de chegar em uma prova. Todos os aspectos: treino, alimentação e o que a modalidade me proporciona de bom”. Pensei muito nessa frase. Todos os atletas deveriam levar ela como cabeceira para atingir resultados. E sempre que eu entro em uma “crise pessoal”, seja nos treinos ou em minha rotina atribulada, tento voltar a este mantra para poder focar e curtir o caminho.
Fazendo uma breve recordação de meus melhores resultados na carreira, todas as minhas grandes atuações foram quando eu não me preocupei diretamente com o resultado da prova, e sim como eu estava feliz e agradecido por estar com saúde para estar lá e acima de tudo curtindo cada dia isolado, mesmo as manhãs mais frias, chuvosas e nubladas na cidade de São Paulo. A grande cereja do bolo de um processo de pico em performance não é contar calorias, horas de sono, kilômetros rodados ou horas de treino. Estes aspectos, todos os atletas podem controlar. O que só você pode controlar é o prazer, o processo e a felicidade de poder chegar ao seu objetivo. Neste lugar, só você pode ir. Seu adversário nunca vai estar lá com você. Exatamente por isso, nunca devemos comparar treinos e resultados. Só você sabe do processo ao qual foi imposto durante meses para chegar ao seu objetivo. Se isso for suficiente para você vencer a prova, agradeça mais uma vez e comemore seu resultado não somente de uma prova, mas do processo realizado!!!
Curta seu processo em todas as atividades de sua vida e veja que o impossível pode ser uma realidade…
Quero terminar este post com uma frase do grande Walt Disney (que nesta semana foi citada pelo campeão olímpico de natação, César Cielo, em sua chegada a Londres):
“Eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor.” – Walt Disney
Curta seu dia,
Guto Antunes

Este texto foi escrito por: GUTO ANTUNES