O dia em que um amador desafiou Murilo Fischer

Redação Webrun | · 07 dez, 2012

No último sábado, 1/12, eu tive o privilégio de conhecerpessoalmente um dos melhores ciclistas brasileiros da atualidade. Convidadopela Garmin para acompanhar uma palestra dada por Murilo Fischer aos triatletasdo clube Pinheiros, em São Paulo, eu tive certo tempo de bater um papo com oatleta que representou o país em quatro Olimpíadas: Sydney-2000, Atenas-2004,Pequim-2008 e Londres-2012.

Além da simpatia e sinceridade de Murilo, que nem seincomodou (ao menos ele aparentou isso) com o fato de eu não tê-lo reconhecidotrajando roupas civis, as histórias que o atleta tem para contar são muitoengraçadas e demonstram sua simplicidade como pessoa.

Um dos fatos contados que acho que vale a penacompartilhar aqui foi sobre o período de treinamento para os Jogos de Londres.No meio do ano, antes do início das Olimpíadas, Murilo subiu a parte italianados Alpes para um período de ciclismo na altitude.

Em um dia de preparação para subidas, que segundo eletinha condições climáticas normais, ele se viu em uma situação muito inusitadae quase vexatória. “Já estava quase no meio do treino quando passei por umcicloturista. Eu o vi, cumprimentei com a cabeça quando passei do lado dele econtinuei no meu ritmo, subindo a montanha”, conta.

De acordo com Murilo, a inclinação dessa parte da estradaera elevada, e mesmo já habituado com a altitude o ciclista se esforçava paraconseguir manter o ritmo. “Eu estava pedalando forte e quando me dei conta ocicloturista estava bem atrás de mim, no meu ritmo!”.

Disputa acirrada nos Alpes: Amador tentou correr contra Murilo durante treinamento do brasileiro

Foto: Daniel Dias/ Divulgação Garmin

Surpreso e instigado, Murilo conta que forçou mais emais, aumentando a potência em cada pedalada, mas mesmo assim o seu “arquirrival”continuava lá, colado em sua roda traseira. Sorrindo do inusitado, o brasileiroconta que homem chegou perto o suficiente para perguntar seu nome.

“Como eu estava com meu uniforme, ele perguntou se eu eraprofissional, e eu só respondi que sim com a cabeça. E depois ele aindaperguntou meu nome, e eu, meio encabulado, só disse ‘Fischer’. Ele só balançoua cabeça e continuou na minha roda traseira”, fala.

O alívio do atleta olímpico veio só quase doisquilômetros depois. “O cara ainda conseguiu dar um sprint, encostou em mim edisse que ele não aguentava mais e que iria ter que diminuir o ritmo. Aquilo medeu um alívio… Eu já estava pensando: eu não consigo nem bater umcicloturista, como é que eu vou para as Olimpíadas assim?”. Depois que Murilorecuperou o fôlego, seu preparador, que o acompanhava de moto, também disse queficou surpreso com o misterioso ciclista que quase deixou Murilo para trás.

Após a conversa descontraída e encerramento da palestra,eu ainda tive a oportunidade de sair para uma pedalada com o ciclista que alémde quatro Olimpíadas, já disputou o Tour de France e o Giro d’ Italia.

Este texto foi escrito por: RENATO BRASILEIRO SOUZA ARANDA

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