Memória muscular elefântica

Redação Webrun | · 12 mar, 2014

Faz algum tempo que “ando” sumido daqui. Também é verdade que já são mais de três meses afastado dos treinos e das corridas. Não por razões físicas, pois não tive qualquer lesão nos últimos tempos. Eu estava mesmo era com preguiça de correr. Meu corpo estava pedindo um pouco de descanso. Naturalmente eu o obedeci, sem culpa ou remorso. Aprendi até a dormir em rede no horário que geralmente estaria treinando…
 
Mas ontem percebi que estava na hora de voltar para o asfalto. Meu corpo pediu endorfina. Já passava das 20h quando deixei o sofá e ganhei as ruas. Nos lugares públicos onde geralmente as pessoas praticam atividades restavam poucos caminhantes. Fui correndo por avenidas e ruas. Encontrei um grupo imenso de ciclistas no passeio noturno, eu nunca havia visto tantas bicicletas andando juntas em toda minha vida. Lembrei-me da minha infância no sertão da Bahia, quando todos ficávamos à porta de casa assistindo as boiadas passarem, conduzidas a toque de berrante pelos vaqueiros em suas cavalgaduras suarentas e ofegantes. Às vezes quando pensávamos que finalmente o cortejo chegasse ao fim, surgia nova tropa levantando a poeira no final da rua e voltávamos correndo para o refúgio da casa.
 
Fui correndo e não sentia fadiga. Achei então que estava muito confortável e passei a correr no ritmo da minha última prova. Surpreendentemente continuei bem. Corri por uma hora. Quando finalmente desacelerei experimentei novamente aquela sensação de leveza e completude que invade nosso corpo após uma corrida. Minha cachimônia estava completamente oxigenada. A lua pairava magnifica sob um céu negro estrelado. Fui caminhando alguns metros respirando profundamente aquele ar morno que refrescava meus pulmões e fazia meu coração bombear sangue por todo meu corpo. Suor brotava das minhas glândulas sudoríparas em profusão.
 
Fiquei a pensar como foi possível tamanha proeza. Jamais imaginaria que pudesse voltar a correr daquela forma. Nos meus melhores planos supunha correr a metade com um pouco mais de esforço. Foi então que me lembrei do que um velho amigo havia me dito tempos atrás. Segundo ele, nossos músculos têm memória e conseguem preservar uma quantidade de núcleos celulares mesmo durante um período de inatividade. Dessa forma, quando voltamos a exercitá-los, eles respondem satisfatoriamente aos estímulos muito mais rápido do que músculos atrofiados. Pois bem, viva a memória muscular!, pois graças a ela estou de volta aos treinos partindo do nível intermediário, ao invés de começar tudo de novo.

Este texto foi escrito por: MáRCIO RODRIGO DE ARAúJO SOUZA

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