Por Patrícia Serrão, correspondente do Webrun no Rio de Janeiro
Domingoacordei cedo e fui para o aterro do Flamengo cobrir a Maratona do Rio deJaneiro, que também teria a participação de competidores dos Jogos MundiaisMilitares. Esperava encontrar um evento bem organizado, como foi o Pan de 2007.Mas não foi bem isto que ocorreu.
No caminhopara o metrô encontrei um americano completamente perdido, sem saber onde saltarpara ir para a prova. Depois percebi que isto foi um problema comum. Aorganização disse que a largada da Family seria no Aterro do Flamengo, mas nãoespecificou o local. Num parque com 1.200.000 metros quadrados isto é umproblema. A corredora que chegou em primeiro da Family saltou no local errado eteve que correr 3 quilômetros, metade do percurso da Family, para chegar atempo.

Estavam acontecendoquatro provas juntas no dia: a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, a Maratonados Jogos Mundiais Militares, a Meia-Maratona e a Family Run. Essa última erapara ter ocorrido no dia anterior, mas por causa da CET-Rio foi transferidapara domingo. Acredito que organização deu pouca atenção, pois não estavaprevista originalmente.
Corredoresnão inscritos correram na frente dos inscritos e a largada da Family Runcoincidiu com a chegada da meia-maratona masculina e as mulheres das duasprovas chegaram quase ao mesmo tempo. Os locais de chegada eram diferentes,então não atrapalhou os corredores, mas com certeza atrapalhou os jornalistasque ficaram sem saber para onde ir e com quem falar.
Na Maratonamais problemas. O local de chegada foi invadido por pessoas das delegações quequeriam tirar fotos dos atletas, atrapalhando o trabalho dos fotógrafos credenciados,que oficialmente eram as únicas pessoas que poderiam ficar naquela área. Oônibus com os pertences dos corredores pegou trânsito, por causa das ruasfechadas para a prova e chegou pelo menos meia hora depois que os primeirosatletas da meia cruzaram a linha de chegada. Algo desagradável para o corredorcansado que só quer pegar suas coisas, sua medalha e ir para casa curtir oresto do seu domingo.

Seja um mascote dos Jogos você também!
O resultadocom o tempo dos atletas demorou muito a ser impresso e os jornalistasprecisaram copiar à mão o tempo. O que causou reclamação de alguns repórteres,como um grupo de jornalistas chineses que veio cobrir os jogos MundiaisMilitares. Outra falha foi que, num evento deste nível, deveria existir umasala, ou uma tenda, para a coletiva de imprensa, com tradutores para os atletasestrangeiros, como ocorreu nos jogos Pan-Americanos.
Paraentrevistar o primeiro colocado da maratona masculina foi preciso contar com aboa vontade de uma das assessoras do evento e de um jornalista que falava francêsfluentemente. A entrevista com a atleta norte coreana foi outro sufoco. Eladesmaiou logo após a chegada e a maioria dos jornalistas não conseguiu falar com ela. Eu e outro repórter encontramosa coreana logo depois da entrega das medalhas e ela tinha ao seu lado umtradutor do governo coreano.

Os artistas não economizaram em criatividade para recepcionar os atletas
Ele falava somente em espanhol e aposto que aumentouou alterou as respostas dela. Perguntava algo, ela respondia com duas palavrase ele me dava uma frase de cinco linhas sempre elogiando o governo e o povo daCoréia. Falando na Coréia do Norte, outro momento embaraçoso do evento foi nomomento em tocaram o hino errado para a medalhista deles. Dizem as más línguasque tocaram o hino da Coréia do Sul. Eu não conheço o hino das duas Coréiaspara dizer que isto é verdade. Mas ouvi o narrador chamar de volta ao pódio acorredora norte-coreana e o coronel que estava com ela para pedir desculpas àgrande República Democrática Popular da Coreia (nome oficial do país) por tertocado o hino errado.
Uma daspoucas coisas positivas no evento foi a assessoria de imprensa da Maratona e asolidariedade dos jornalistas. As assessoras tinham muita boa vontade e, apesarda bagunça, tentaram ajudar os jornalistas da forma que podiam, fossetraduzindo ou tentando conseguir os tempos dos corredores. E os jornalistastambém se esforçaram para ajudar os coleguinhas. Quem sabia francês traduziupara quem não sabia, quem tinha o tempo ou a classificação dos atletas passavapara quem não tinha, etc. Isto tudo como forma de compensar a bagunça e desorganizaçãoda prova.

Os argentinos não escaparam das chacotas dos brasileiros
O chato éque estão anunciando os jogos Mundiais Militares como evento de preparação paraas Olimpíadas. E pelo o que eu vi no domingo vamos passar vergonha em 2016 senão melhorarmos e muito até lá.
Este texto foi escrito por: REDAÇÃO WEBRUN